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Joel merece um jogo solo em The Last of Us?

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Entre avançar na história desse universo contaminado pelo cordyceps ou voltar ao passado, Joel Miller merece mais destaque na franquia?

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revisado por Romeu

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Poucos personagens dos videogames modernos permanecem tão presentes nas discussões quanto Joel Miller. Mesmo após os acontecimentos de The Last of Us Part II, a comunidade continua debatendo não apenas suas escolhas, mas principalmente aquilo que nunca foi mostrado de verdade.

Entre o prólogo de The Last of Us e o encontro com Ellie, existe um vazio de quase duas décadas. É justamente nesse espaço que surgem as maiores teorias, dúvidas e interpretações sobre quem Joel realmente se tornou após perder Sarah no início do surto.

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A discussão ganhou ainda mais força depois da Parte 2. Revisitar Joel deixou de ser apenas um exercício de nostalgia. Para muitos jogadores, entender seus anos mais violentos pode mudar completamente a leitura sobre suas ações, seus traumas e até o impacto emocional de sua despedida.

Os anos perdidos transformaram Joel em uma lenda

Grande parte do fascínio em torno de Joel existe justamente porque o jogador nunca viu sua transformação completa. Os jogos mostram o homem endurecido, cansado e desconfiado, mas apenas sugerem os atos cometidos durante os anos mais brutais do apocalipse.

A teoria mais comentada pela comunidade gira em torno do período em que Joel teria atuado como caçador e contrabandista sem qualquer limite moral. A famosa emboscada em Pittsburgh é frequentemente usada como evidência disso. Joel reconhece imediatamente o golpe porque já teria participado de ações parecidas no passado.

Explorar esse período abriria espaço para um jogo muito diferente do original. Em vez da jornada emocional entre Joel e Ellie, a experiência poderia focar em sobrevivência urbana, disputas territoriais e decisões moralmente degradantes dentro de um mundo ainda mais instável.

Também existe um interesse evidente em ver Joel no auge físico. Antes da idade avançada e do desgaste emocional vistos no primeiro jogo, ele provavelmente era mais agressivo, rápido e brutal. Isso mudaria completamente a dinâmica de gameplay e combate.

O passado pode mudar a leitura da Parte 2?

Depois da sequência, parte da comunidade passou a olhar para Joel de maneira mais complexa. O personagem deixou de ser visto apenas como um protagonista protetor e passou a carregar o peso das consequências de suas próprias escolhas.

Mostrar os atos cometidos nos “anos sombrios” ajudaria a reforçar justamente essa ideia defendida pela Naughty Dog: ninguém atravessa aquele mundo sem deixar marcas profundas pelo caminho.

Existe ainda um elemento importante envolvendo Tommy Miller. A relação dos irmãos sempre foi cercada de lacunas. Sabe-se que eles seguiram caminhos diferentes antes dos eventos do primeiro jogo, mas nunca foi explicado em detalhes o que realmente provocou o desgaste entre os dois.

Um projeto focado nesse período teria potencial para mostrar Joel e Tommy atuando juntos em missões, conflitos e escolhas difíceis. Isso daria um peso ainda maior ao afastamento posterior dos irmãos e ao contraste entre suas visões de sobrevivência.

Um jogo sobre Joel seria sobre perda de humanidade

Caso a Naughty Dog decida revisitar esse passado, a mensagem dificilmente seria confortável. A tendência seria aprofundar um estudo de personagem mais pesado e menos heroico do que os jogos anteriores.

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Se o primeiro título trabalhou o amor paternal e a Parte 2 abordou vingança e consequências, uma história focada nos anos perdidos de Joel poderia explorar a deterioração da humanidade após o colapso da sociedade.

O impacto disso seria enorme, justamente porque Joel já é um personagem querido pelo público. Ver suas escolhas mais cruéis colocaria o jogador diante de uma contradição desconfortável: acompanhar a construção do homem que outros sobreviventes provavelmente enxergavam como ameaça.

Esse tipo de abordagem também evitaria transformar Joel em uma figura romantizada. Em vez de reforçar apenas o carisma do personagem, o jogo teria espaço para mostrar o custo psicológico de sobreviver durante décadas em um mundo destruído.

Talvez outras mídias contem essa história melhor

Embora a ideia de um novo jogo gere enorme expectativa, existe uma discussão crescente sobre a possibilidade de essa narrativa funcionar melhor fora dos videogames.

A adaptação de The Last of Us, por exemplo, abriu espaço para explorar períodos nunca vistos nos jogos. Episódios focados nos primeiros anos da infecção ou na rotina de Joel em Boston poderiam aprofundar emoções e relações sem depender constantemente de combate.

As HQs também aparecem como alternativa interessante. Uma minissérie acompanhando Joel e Tess nos tempos de contrabando teria liberdade para trabalhar diálogos, paranoia e desgaste psicológico de maneira mais íntima.

Existe ainda uma vantagem narrativa importante nesse formato. Outras mídias conseguem dedicar tempo integral ao desenvolvimento emocional sem a necessidade de repetir ciclos tradicionais de gameplay. Isso permitiria explorar Joel de forma mais humana, silenciosa e desconfortável.

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Revisitar Joel faz sentido, mas existe um limite

A ideia de retornar ao passado de Joel parece inevitável em algum momento. O personagem continua relevante porque ainda existem perguntas sem resposta dentro de sua trajetória.

Ao mesmo tempo, existe um cuidado necessário. Revisitar esse período não pode virar apenas uma tentativa de reviver um rosto popular da franquia. O interesse real da comunidade está na complexidade do personagem e não somente na nostalgia.

Talvez seja justamente isso que torne essa possibilidade tão interessante. Joel sobreviveu ao fim do mundo muito antes de reaprender a viver dentro dele. E entender esse processo pode revelar um personagem ainda mais doloroso do que aquele apresentado nos jogos principais.

Dito isso, explorar a Parte 3 é mais interessante. Os jogos atualmente demoram a ficar prontos, e deixar somente a volta no tempo como chamativo para os fãs da IP, talvez, não entregaria algo tão rico assim.