Quem disse que videogames não podem ser emocionantes? É verdade que muitas histórias de videogames são fantásticas, mas de vez em quando os fãs encontram uma verdadeira pérola em meio a tanta decepção.
Um bom final não necessariamente precisa ser uma vitória. Pode ser uma derrota ou uma morte que deixa uma impressão duradoura na mente dos jogadores. Um final triste tende a deixar uma marca indelével em nós e faz os fãs se lembrarem do jogo, da sua narrativa e do tempo jogado de uma forma muito mais intensa do que um final positivo e um "The End".
Um final ruim pode arruinar uma história, enquanto um bom final pode tornar um jogo satisfatório. Já um final triste pode fazer um jogo morar para sempre na nossa memória.
E é sobre isso que falaremos: sobre dez finais tristes que marcaram a memória de muitos jogadores. Atenção: o artigo contém claramente spoilers e, se você não quiser saber o que acontece no final de algum desses jogos, é melhor ir lá jogar e voltar aqui depois.
Halo: Reach
Halo: Reach é uma prequela do Halo original e mostra a invasão de Reach pelo Covenant. Na história, a UNSC perdeu outros planetas, mas nenhum deles é tão próprio para a vida humana e parecido com a Terra quanto Reach.
No Halo original, Master Chief era dito como o último Spartan vivo, mas não era exatamente assim: nos livros existem alguns vivos, incluindo membros da Equipe Azul, sobrevivendo em um bunker secreto em Reach com a Dra. Halsey. Alguns desses são personagens centrais de Halo: Reach, mas fica claro que eles não sobreviverão por muito tempo e, um a um, sacrificam suas vidas pelo planeta Reach e pela humanidade.
Na luta final de Halo: Reach, você comanda alguns colegas e vai cumprindo uma série de objetivos, derrotando hordas de Covenant. A luta se estende até que uma nave vem buscar um importante pacote que poderá definir a luta contra os Covenant. Fica entendido que o pacote contém os dados de Cortana, que será assistente de Master Chief pelo resto da história. Você decide ficar para cobrir a fuga da nave e termina o jogo subjugado sozinho, matando o máximo de Covenant que consegue antes do seu fim.
Assassin's Creed IV: Black Flag
A série Assassin's Creed tem sido uma montanha-russa de jogos bons, médios e fracos, mas entre eles um se destaca dos demais: Black Flag, um título que muitos fãs consideram o melhor da franquia. Batalhas navais, parkour e uma história excelente combinados em um único jogo fizeram deste um dos mais memoráveis da franquia.
O jogo transporta a antiga guerra entre Templários e Assassinos para os últimos dias da Era de Ouro da Pirataria, trazendo de volta um protagonista carismático (rivalizando com Ezio), Edward Kenway, cenários deslumbrantes dos mares do Caribe e uma história emocionante, além de desafios como os navios lendários.
Como em muitos dos jogos desta lista, é a perda de tantos amigos do protagonista ao longo da jornada que torna o final de Black Flag tão deprimente. Navegando e pulando em fardos de feno pelo Caribe, Edward Kenway encontra inúmeros personagens brilhantes, muitos baseados em piratas reais e fictícios. A morte de Mary Read é uma das coisas mais tristes do jogo.
Porém, o verdadeiro final triste da história acontece nos livros. No romance que adapta Assassin's Creed Black Flag, descobrimos que Edward é traído por um amigo de confiança, sua filha é sequestrada e vendida como escrava e concubina no Império Otomano, e seu filho, Haytham, sem saber da ligação do pai com a Ordem dos Assassinos, é treinado como Templário. Um final triste para um pirata e assassino tão importante para a franquia quanto Edward.
Inside
Inside é um jogo de plataforma e quebra-cabeças sombrio e atmosférico, desenvolvido pela Playdead e lançado em 2016. O jogo coloca os jogadores no controle de um garoto sem nome que navega por um mundo distópico repleto de figuras de autoridade brutais, drones controlados mentalmente e experimentos científicos sinistros.

Sem diálogos ou explicações, a história é contada inteiramente por meio de visuais minimalistas e assombrosos, narrativa ambiental e da jornada desesperada do garoto por locais cada vez mais perturbadores.
O final do jogo é especialmente sombrio e surreal. Após sobreviver a inúmeros encontros mortais e se infiltrar em laboratórios repletos de experimentos grotescos, o garoto é repentinamente absorvido por uma enorme amálgama carnosa de membros e torsos humanos conhecida como "Huddle". Agora parte dessa criatura horripilante, o jogador assume o controle da entidade enquanto ela abre caminho para fora da instalação e rola ladeira abaixo, finalmente parando em uma costa ensolarada, imóvel e envolta em ambiguidade.
Life is Strange: Before the Storm
O Life is Strange original já é uma pedrada, independentemente do final que você escolhe, mas o game que funciona como uma prequela da história de Max e Chloe investigando o desaparecimento de Rachel Amber é muito pior porque nós já sabemos o que vai acontecer e não temos como evitar.
Durante o game, nós sabemos que Rachel é muito importante para Chloe, mas em Before the Storm vamos conhecendo como elas ficaram amigas e ainda vemos o desenvolvimento da relação triste e traumática que Chloe tem com as memórias de seu falecido pai. O jogo mostra a amizade e o amor entre elas crescendo aos poucos, enquanto problemas que Rachel tem com seus pais são desenvolvidos.
No fim, considerado como um 'final bom', Rachel retoma o relacionamento com sua mãe biológica enquanto seu pai é punido por uma série de crimes de corrupção em sua carreira pública. Tudo parece terminar bem, e nós praticamente esquecemos do que aconteceu com Rachel em LiS. Mas a cena final nos acerta como uma paulada, lembrando a gente do final inevitável, e tudo o que fizemos não serviu para nada, já que o destino dela já estava selado nas mãos do jovem Nathan Prescott.
To the Moon
Jogos independentes têm seu jeito de impactar emocionalmente. É o caso de To the Moon, uma história sobre dois cientistas com a tecnologia para alterar memórias. Eles são abordados por um senhor que pede para mudarem suas memórias. O objetivo é implantar a memória de cumprir uma promessa feita à sua esposa: viajar para a lua com ela, algo que ele não pode fazer agora.
A partir daí, o jogo inteiro é como assistir a uma história de trás para frente, sabendo o triste final. Mais ou menos como o filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, onde você vê aquela história acontecendo e as memórias sendo reconstruídas e refeitas. Ele realmente mostra como a vida é curta e como os momentos são o que importam no fim. Se você ainda não jogou To the Moon, recomendo muito que o faça quanto antes.
That Dragon, Cancer
Você sabe que um jogo será emocionalmente devastador quando tem câncer no nome. O jogo não é, exatamente, um jogo em si. É a forma que um pai encontrou de encarar o luto de perder um filho para uma doença tão agressiva e lenta que vai não só consumindo a vida de quem sofre com ela, mas de todos ao redor.

E ao jogar That Dragon, Cancer, você se envolve com a vida da família Green, quase se tornando um membro dela. Você vê a criança crescer, brincar e se divertir através de textos, vídeos familiares, fotos e momentos que mostram os altos e baixos da família. Não é um game para se jogar e vencer. É uma narrativa para se apreciar e se deixar levar.
O jogo é uma montanha-russa de momentos felizes e tristes. Em um instante, você vê essa família feliz aproveitando o tempo juntos e, em outro, a realidade esmagadora do câncer. A história toca fundo em quem já teve entes queridos enfrentando essa doença; a dor e as dificuldades da luta contra o câncer são retratadas de forma belíssima neste jogo.
Brothers: A Tale of Two Sons
Este é um jogo de quebra-cabeças único que acompanha a história de dois irmãos em uma aventura para encontrar a cura para a doença do pai. A jogabilidade não é complexa, já que você basicamente resolve quebra-cabeças enquanto controla os dois irmãos ao mesmo tempo. À primeira vista, parece um jogo reconfortante que celebra o amor fraternal. Você se verá torcendo pelos protagonistas enquanto eles superam enormes obstáculos para salvar o pai. Tudo isso acontece em um mundo de fantasia medieval que lembra obras como O Senhor dos Anéis.

É claro que o jogo tem seus momentos sombrios, mas a última coisa que você espera é o impacto emocional devastador do final. O irmão mais velho morre de forma brutal, deixando o irmão mais novo sozinho para concluir a aventura que iniciaram. O epílogo intensifica ainda mais a dor ao mostrar o irmão mais novo prestando homenagem no túmulo do irmão.
The Last of Us
The Last of Us é uma história trágica de sacrifício e sobrevivência. Acompanha a jornada de Joel, encarregado de escoltar Ellie por uma América infestada de zumbis. Joel é um homem traumatizado pela perda de sua filha e que, inicialmente, quer apenas reencontrar seu irmão e aceita escoltar Ellie em troca de uma forma de ter recursos para procurá-lo.

Ao longo da jornada, o vínculo entre Ellie e Joel se aprofunda enquanto enfrentam não apenas zumbis, mas também humanos, que são às vezes piores que os próprios zumbis. Tendo perdido uma filha, Joel recebe a chance de ser pai novamente. E vemos esse laço entre pai e filha se formar conforme o jogo se desenrola. A maior reviravolta do game é que Ellie é imune ao vírus e é a única que poderia ajudar a desenvolver uma vacina.
Esse vínculo também explica o final e por que Joel decidiu escolher Ellie em vez da humanidade. Como alguém que já sofreu a dor de perder um filho, Joel não conseguiu se obrigar a passar por isso novamente, escolhendo ser pai em vez de herói. É uma conclusão triste e complexa, que se torna ainda mais dolorosa no segundo jogo.
Spec Ops: The Line
Ambientado em uma Dubai devastada por tempestades de areia, Spec Ops: The Line acompanha o Capitão Martin Walker e seu esquadrão da Força Delta em busca do Coronel John Konrad e de seu batalhão desaparecido.

O que começa como uma missão de reconhecimento de rotina logo se transforma em caos, à medida que a equipe descobre uma cidade consumida por agitação civil e violência inimaginável. Inspirado em Coração das Trevas e Apocalypse Now, o jogo usa seu cenário, um narrador não confiável e decisões moralmente ambíguas para desafiar os tropos tradicionais dos jogos de tiro e as expectativas dos jogadores.
Uma parte especialmente intrigante de Spec Ops: The Line é a sua desconstrução do herói tradicional. Walker e sua equipe se deparam com uma situação para a qual jamais poderiam estar preparados, e os jogadores testemunham o preço mental que ser um operador pode cobrar. A missão deles era entrar em Dubai, verificar se havia sobreviventes e depois recuar para trazer reforços.
Em vez disso, eles avançam, massacrando soldados tiranos e rebeldes indiscriminadamente. No final, a água secou, grande parte da cidade está em chamas, a maioria dos habitantes está morta, os companheiros de Walker faleceram, e o próprio Walker está com a psique completamente destruída, tudo isso enquanto tentava fazer a coisa certa.









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