Preview: Demo de Persona 4 Revival agrada pela nostalgia, mas inova pouco

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Para quem jogou os lançamentos anteriores, Persona 4 Revival entrega visuais e menus melhores, mas a demo da Brasil Game Show 2026 mostra um remake mecanicamente saturado.

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Persona 4, do PlayStation 2, foi meu primeiro jogo da série da Atlus — e eu me apaixonei por ele desde a primeira run. A mistura de vida escolar, simulador de encontros e RPG com um enredo de thriller policial foi suficiente para me fazer passar mais de 200 horas encantado com aquele universo, e aguardar ansiosamente o próximo jogo, que levaria muito mais tempo que o esperado para sair e criaria um novo patamar tanto para a franquia quanto para as expectativas do público.

Este patamar se tornou o molde. Persona 3 Reload, lançado em 2023, reinterpreta o título que estabeleceu o molde da série com gráficos, menus estilizados e melhorias de qualidade de vida remetentes a Persona 5, modernizando-o para novas audiências. Persona 4 Revival segue um molde semelhante, e as impressões deixadas pelo título na demo disponível na Brasil Game Show 2026 foram de um jogo que se sedimenta em um duplo-óculos da nostalgia para vender seu peixe.

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Como a demo se concentrou nos primeiros bosses, ela é majoritariamente focada em combate. De muitas maneiras, Persona 4 Revival pegou as mecânicas de Persona 3 Reload e as repetiu em um novo título, com menus mais estilizados e novos visuais para os personagens. Os gráficos, inclusive, são notavelmente melhores e talvez apresentem o ponto mais alto que a franquia já teve em visuais.

Não há erro em evitar mexer em time que ganha, mas também não há novidade. Ver as mesmas coisas em um jogo diferente pode ser atrativo agora porque mexe com duas nostalgias distintas: a do fã do Persona 4 original, que agora não vê um monte de bonecos cabeçudos, mas personagens com proporções mais próximas dos retratos estilizados, e a do fã de Persona 5, que está revisitando a série por meio desses Remakes. Neste sentido, a situação de Persona 4 Revival e o quanto ele se assemelha a Persona 3 Reload são um destaque, não um demérito.

O problema é que a demonstração pareceu se apoiar muito nesses dois óculos da nostalgia para cativar quem já é acostumado com a série. Não pareceu haver qualquer grande mudança mecânica que o tornasse um pouco mais ousado ou inovador. É claro que, quando comparado ao original, ele será muito inovador, mas o streak da série Persona até o momento parece mecanicamente saturado, quando outro título da Atlus, Metaphor: ReFantazio, mostrou que não faltam meios de inovar enquanto aproveita as mesmas mecânicas da franquia.

Por outro lado, Revival parece outra porta de entrada perfeita para quem nunca ouviu falar da série. Persona 4 é um excelente suspense com reviravoltas capazes de deixar audiências novas presas à tela durante dezenas de horas, sem tanta melancolia e com uma direção mais decidida e menos confusa do que o próprio enredo.

As críticas acima se devem principalmente a quem jogou fielmente os lançamentos anteriores — para esses, os gráficos melhorados, a trilha sonora no headset, os menus reestilizados (com uma ótima tela de abertura) e reviver os mistérios em Inaba já são mais que suficientes.

Seria preferível ter Persona 6 antes de outro remake. Abriria oportunidades para Revival ser um produto distinto, com atrativos próprios em termos de gameplay. No entanto, talvez esta oportunidade fique para um possível Remake de Persona 1 e Persona 2, que exigiriam reimaginar os jogos inteiros com mecânicas próprias das vertentes modernas da série e abdicar das mecânicas datadas da era do PlayStation One.

Persona 4 Revival sai em 18 de fevereiro de 2027 para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC. Para os fãs, será uma ótima oportunidade de reviver um dos jogos mais icônicos dos RPGs de PlayStation 2 com gráficos e mecânicas refinados para a geração atual. Para os novatos, será talvez a melhor porta de entrada da franquia durante muitos anos.

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