Transformar o Remake de Final Fantasy VII em uma série episódica torceu o nariz dos fãs mais tradicionalistas antes do lançamento do primeiro jogo, em 2020. Um segmento inteiro apenas para Midgar parecia exagerado, se não desnecessário, para este público. O escopo, a estrutura linear e a trama enriquecida deixaram o recado: este projeto era ambicioso demais para um só jogo.Final Fantasy VII Rebirth saiu em 2023 e apresentou uma nova faceta do projeto. Saíram as ruas apertadas e os mapas lineares e entrou o mundo aberto, que, com acertos e erros, expandiu o Planeta para a escala comparável à de como o imaginávamos enquanto caminhávamos com um Cloud Strife de poucos polígonos em uma televisão de tubo na sala.Para alguns, cada passo do Remake foi construído consertando ou adaptando um elemento de um jogo anterior para os moldes de FFVII. Os corredores lineares de Final Fantasy X e Final Fantasy XIII foram precedentes para os mapas do Remake, e o mundo aberto de Final Fantasy XV foi o molde pelo qual Rebirth teve um mapa tão rico a ponto de se tornar o primeiro mundo aberto moderno que realmente funcionou.Revelation, último episódio da trilogia, tem novos desafios. Para o futuro da franquia, deve mostrar como um Final Fantasy moderno pode ampliar seu escopo para a escala de "World Map" que sempre motivou a exploração desde 1987. É comum ouvir que "o combate moderno deveria seguir o estilo do Remake"; cabe ao título tornar-se também o exemplo de como criar mundos dignos em escala nunca vista antes na série.O principal desafio, entretanto, é trazer um desfecho digno de uma trilogia que os fãs esperaram décadas até o primeiro anúncio, e sete anos desde o primeiro episódio. Dadas as proporções que a trama levou, não será uma tarefa simples juntar todas as pontas soltas deixadas por Remake e Rebirth enquanto segue a estrutura do jogo de 1997. A equipe de Naoki Hamaguchi não nos desapontou até agora.Se o conteúdo da demo disponível nesta edição da Brasil Game Show for um sinal do que fãs podem esperar, o futuro parece promissor.Imagem: Square EnixA demo — a mesma apresentada na Tokyo Game Show há poucas semanas — se passa presumidamente nas primeiras três horas do jogo. Cloud e a equipe chegam ao topo da Gaea's Cliff e trilham o caminho pelos corredores e furacões, esbarrando em centenas de homens encapuzados no caminho. No tempo limitado para jogá-la, é possível explorar o mapa, enfrentar dois chefes e acompanhar algumas cutscenes.Para evitar spoilers, não abordaremos história neste artigo. Há uma dúzia de detalhes em diálogos, mapas e interações dignas de análise, menção e teorias, mas esses mesmos segmentos são melhor aproveitados quando experimentados em primeira mão, em vez de quando alguém lhe conta os mínimos detalhes.Agradeço à Square Enix Latam pela oportunidade de experimentar a demo e trazer este preview. Caso visite a Brasil Game Show neste fim de semana, recomendo passar pelo estande e aproveitar a experiência!FITS são complemento, não uma mudança radicalO propósito delas é destacar as principais novidades de gameplay de FFVII Revelation. Estão disponíveis os dois novos personagens, Cid Highwind e Vincent Valentine, e também o sistema de FITS (traduzido em português brasileiro como VISU).Antes de abordar os personagens, precisamos olhar para Rebirth e considerar o quanto as FITS mudam os personagens antigos. Apesar de mudarem atributos e funções na equipe, a gameplay-base dos personagens permanece a mesma. Cloud, por exemplo, ainda possui todas as habilidades que normalmente teria em Rebirth, mas ganha um novo conjunto com os FITS de Summoner, permitindo-lhe ter novas maneiras de explorar vulnerabilidades elementais sem contar exclusivamente com magia ou com Materias que atribuem um elemento ao ataque-base.As FITS soam como um complemento, não um jeito de refazer por completo o gameplay. Elas adicionam alguns bônus e fazem o personagem pender um pouco mais para um lado, mas não mudam necessariamente a essência de como jogar com ele.Os Novos Personagens JogáveisImagem: Square EnixAmbos os novos personagens possuem qualidades. Como esperado de um Dragoon, Cid Highwind se destaca contra inimigos no ar, mas tem mobilidade e cadência suficientes para funcionar no molde de ataques para carregar o ATB e spammar habilidades de maneira quase tão eficiente quanto Cloud. Cid também pode marcar inimigos e dividir habilidades entre os alvos marcados, tornando-o um potencial controle de campo na equipe.Não posso deixar de destacar sua personalidade. O estereótipo de homem de meia-idade funciona incrivelmente bem em Cid, oferecendo doses de alívio cômico até no calor da batalha.Imagem: Square EnixNa forma humana, Vincent pode ser descrito como um meio-termo entre Yuffie e Barret. Seus ataques também são de longa distância, mas, diferente de Barret, ele tem mobilidade. Por outro lado, ele não chega aos níveis de rapidez nos ataques de Yuffie, que a tornaram uma das melhores personagens em Rebirth. Diferente do jogo original, Vincent pode entrar em forma de besta livremente, onde troca a mobilidade e distância por combate corpo a corpo com ataques carregados que causam muito dano.Vincent é definitivamente o destaque entre os novos personagens e não surpreenderia caso descobríssemos, em abril de 2027, que ele é o melhor membro da equipe. Não significa, nem de longe, que Cid seja ruim. Vincent só é mais versátil e consegue fazer, sozinho, o que normalmente demandaria dois slots da equipe entre personagens separados.Localização em português é um ponto altoExistem muitas diferenças entre traduzir e localizar. Coisas como referências culturais, gírias e organicidade da mensagem fazem muita diferença na hora de o seu produto sair para uma determinada região traduzido. Apesar da ausência de dublagem, Revelation faz um trabalho exemplar de localização. Os diálogos parecem naturais, os nomes das habilidades fazem sentido para quem, como eu, tende a preferir jogar em inglês, e até uma pequena referência icônica da nossa brasilidade se faz presente.ConcluindoSe esses primeiros minutos de Final Fantasy VII Revelation são uma prévia do que podemos esperar em 8 de abril, esta será uma jornada de partir o coração, mas de também oferecer um reencontro com os personagens que nos marcaram em 1997, em 2008, em 2020 e em 2023, e aproveitar a diversidade de gameplay entre eles para alcançarmos a conclusão de um dos projetos mais aguardados das últimas décadas.Obrigado pela leitura!
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