A SEGA no Mundo dos Games
A história dos videogames não pode ser escrita sem mencionar uma empresa que definiu a rebeldia e a inovação nos anos 1990: a SEGA. Ela começou fornecendo máquinas de entretenimento para bases militares e se tornou uma gigante nos videogames – a trajetória da Service Games revela seus acertos tecnológicos, erros estratégicos e uma capacidade de sobrevivência que até hoje mantém fãs apaixonados pela marca.
O Nascimento: De Honolulu a Tóquio
Embora seja vista como uma empresa japonesa, a SEGA nasceu nos Estados Unidos em 1940 com o nome de Standard Games em Honolulu, no Havaí. Fundada por Martin Bromley, Irving Bromberg e James Humpert, seu objetivo inicial era fornecer máquinas como jukeboxes e caça-níqueis para entreter soldados americanos nas bases militares durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1951, com o fim das restrições de importação no Japão, Bromley sugeriu transferir a sede para Tóquio, renomeando a empresa como Service Games of Japan (SEGA: abreviação de SErvice GAmes). Em 1965, a Service Games fundiu-se à Rosen Enterprises, uma empresa de máquinas de fotos e jogos de arcade fundada pelo americano David Rosen. Nascia, então, a SEGA Enterprises.

Dos Arcades Para os Lares
A partir dessa fusão, a liderança da SEGA ficou com David Rosen, que direcionou o foco da empresa para o desenvolvimento e fabricação de arcades. Em 1966, a empresa lançou Periscope, um simulador de submarino que rapidamente se tornou um sucesso, conquistando os jogadores e estabelecendo um novo padrão para os arcades. No entanto, o mundo dos videogames estava mudando rapidamente, e o mercado começou a se aquecer no início dos anos 1980 – graças ao sucesso do Atari 2600.

Em 15 de julho de 1983 – no mesmo dia em que a Nintendo lançou o Famicom – a SEGA lançou seu primeiro console doméstico, o SG-1000. Embora não tenha conseguido competir com a Nintendo no Japão, o console serviu de aprendizado para a construção do Sega Mark III, que foi totalmente redesenhado e lançado no Ocidente como Master System.
Tecnicamente, o Master System era superior ao NES (Nintendo Entertainment System), com cores mais vibrantes e maior capacidade de processamento. Porém, a Nintendo detinha contratos de exclusividade com quase todos os grandes desenvolvedores, o que deixava a biblioteca do console da SEGA limitada. A solução encontrada pela empresa foi explorar mercados onde a Nintendo não era forte, como Europa e Brasil.



A Guerra dos 16-bits
Sem alcançar o sucesso esperado com o Master System, a SEGA mudou sua estratégia, decidindo investir onde a Nintendo era mais frágil: tecnologia e marketing. Em 1988 (1989 nos EUA), a empresa lançou o Mega Drive (conhecido como Genesis na América do Norte), um console de 16 bits que prometia levar a experiência dos arcades para a sala de estar dos jogadores.

Embora o sucesso do Mega Drive não tenha sido imediato, a SEGA investiu pesado na criação de um novo mascote com a cara da empresa. A situação mudou com a chegada de Sonic the Hedgehog em 1991. A empresa promoveu o jogo com uma campanha que destacava o ouriço azul como tudo o que Mario não era: rápido, descolado e com uma "atitude" voltada aos adolescentes. A estratégia de marketing agressiva, com o slogan "Sega Does What Nintendon't" (A Sega faz o que a Nintendo não faz), fez do Genesis o console "legal", enquanto a Nintendo era vista como "brinquedo de criança". Pela primeira vez, a SEGA liderava o mercado americano, com mais de cinquenta por cento de participação em 1992.

O Início do Fim
O auge da SEGA também marcou o início de sua desestabilização interna, com conflitos entre a SEGA do Japão e a da América – uma situação que começou a corroer a empresa por dentro. Enquanto os americanos queriam focar no sucesso do Genesis e manter a disputa com a Nintendo em igualdade, os japoneses desejavam lançar novos hardwares. Esse impasse acabou dividindo a empresa.

O resultado desse desentendimento interno foi o lançamento de periféricos como o Sega CD e o 32X, que, além de caros, confundiam os consumidores sobre a real necessidade daqueles add-ons. Com a desconfiança do público, o Genesis começou a perder terreno para o Super Nintendo. Sem alternativa, a empresa partiu para o próximo console, o Sega Saturn, lançado em 1994, em meio a uma organização dividida e sem rumo claro. Embora o Saturn fosse uma máquina excelente para jogos 2D, sua arquitetura extremamente complexa tornava o desenvolvimento de jogos 3D um pesadelo – e, para piorar, a Sony estava entrando no mercado com o PlayStation.
Na tentativa de sair na frente, a SEGA tomou uma das piores decisões da indústria: antecipou o lançamento do Saturn nos EUA, anunciando-o de surpresa na E3 de 1995 para tentar ofuscar o PlayStation. O resultado foi um desastre completo. Lojistas ficaram furiosos por não terem estoque do console, e o preço de 399 dólares (cem a mais que o PlayStation) selou o destino trágico do console na América do Norte e, posteriormente, em todo o Ocidente.

Dreamcast: o Último Suspiro
A última tentativa da SEGA de permanecer no mercado de hardware foi o Dreamcast, lançado em 1998 no Japão e em 1999 no resto do mundo. O console trazia inovações em sua arquitetura: foi o primeiro a vir com modem embutido para jogos online e gráficos que superavam os concorrentes da época. O Dreamcast chegou com força, trazendo clássicos como Sonic Adventure, SoulCalibur e o ambicioso Shenmue.

Chegou a bater recordes nos Estados Unidos, mas a SEGA estava financeiramente esgotada após anos de prejuízos com o Saturn. Tentando se manter, a empresa viu um fantasma do passado retornar com o PlayStation 2, que prometia reproduzir DVDs – enquanto o Dreamcast optara pela mídia tradicional de CDs, embalados pela febre do karaokê no Japão (o videogame tinha um sistema que rodava músicas com letras para os japoneses cantarem). A Sony conquistou a confiança do público, e com o lançamento do PlayStation 2, o golpe final foi dado: o Dreamcast não conseguiu mais alavancar as vendas. Em 31 de janeiro de 2001, veio o anúncio triste para os fãs: a SEGA deixaria de fabricar consoles e se tornaria uma publicadora de softwares (third-party).
O Renascimento
Ver Sonic no Game Cube, um console da Nintendo, pela primeira vez, foi um choque para os fãs, mas essa atitude mudou a percepção do público sobre a empresa e abriu novos horizontes e fontes de receita. A SEGA percebeu que suas propriedades intelectuais valiam muito e que disputar o mercado de hardware já não era mais necessário.
Nos anos seguintes, a empresa se expandiu, adquirindo estúdios como a Creative Assembly (de Total War), a Sports Interactive (de Football Manager), a Atlus (responsável pela aclamada série Persona) e a Rovio (criadora de Angry Birds), ampliando sua presença também no mercado mobile.
A franquia Yakuza (agora sob o nome original Like a Dragon) tornou-se um grande sucesso, e a marca Sonic originou uma série de filmes que arrecadou centenas de milhões de dólares, fazendo com que o logotipo e o grito de [M]{""SEEE-GAAA""} fossem reconhecidos em diversos ramos do entretenimento.

SEGA Nunca Morre
A história da SEGA é uma lição sobre erros, acertos, tecnologia e a importância de uma identidade. Foi a empresa que forçou a Nintendo a amadurecer e que introduziu o conceito de "transmídia" – a estratégia de expandir uma marca por múltiplas plataformas – muito antes de o termo se popularizar. Provou que, mesmo após a queda de um império, uma empresa pode se reerguer das cinzas com suas propriedades intelectuais e fazer com que seus jogos vivam para sempre em qualquer tela.
Hoje, a empresa se chama SEGA Sammy Holdings (formada após a fusão com a fabricante de pachinko Sammy em 2004) e é financeiramente estável. Embora seja lembrada principalmente pela era de ouro das "guerras de consoles", a SEGA permanece como um estúdio importante na indústria dos videogames. Ainda que um novo console da SEGA seja algo improvável, o DNA de seus jogos está presente em cada aspecto dos games modernos, mostrando que legados vão além de hardwares e que a empresa faz parte do sentimento e da forma como milhões de pessoas em todo o mundo veem os videogames como cultura e entretenimento.
E você, qual é sua lembrança ou ligação com a SEGA? Tem um jogo ou série predileta? Deixe sua opinião nos comentários.











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