Os videogames existem desde a década de 1950, com Tennis for Two, lançado em 1958. De lá para cá, dá para imaginar quantos games foram lançados. Quantos jogos, histórias e universos foram criados e a gente nem imagina que um dia existiram. Imagine o tanto de jogos que nunca poderemos jogar por ficarem presos em uma plataforma extinta há anos.Então, um dia alguém pensou: "E se nós pegarmos um jogo antigo que vendeu muito bem e o refizermos para os consoles mais modernos?" Provavelmente foi assim que nasceram os remakes.Os remakes deixaram de ser apenas uma forma de trazer jogos antigos para o hardware atual. Hoje, eles também representam a chance de revisitar clássicos com gráficos modernos, controles atualizados e melhorias que corrigem muitas vezes limitações da época.Mas nem todos conseguem esse equilíbrio. Enquanto alguns reinventam a experiência sem perder a essência, outros acabam descaracterizando aquilo que fez o original ser tão especial. Reunimos alguns dos melhores remakes já lançados, exemplos de como atualizar um clássico sem deixar sua identidade pelo caminho.Então, vamos falar sobre alguns dos melhores remakes já lançados. Não apenas os modernos, mas também alguns que talvez você nem imaginasse que eram remakes! E, se você ficar com dúvidas, é só deixar um comentário.Gun FightEmbora não exista consenso absoluto sobre qual foi o primeiro remake da história dos games, diversos historiadores e especialistas apontam Gun Fight (1975) como o pioneiro. O jogo é uma recriação de Western Gun e é considerado um dos primeiros exemplos desse conceito de recriar um game.O game é simples: basicamente se parece com aquelas cenas clássicas dos filmes de faroeste em que dois pistoleiros ficam frente a frente esperando o momento certo para sacar a arma. Cada jogador controla um cowboy em um lado da tela. O objetivo é simplesmente matar o adversário antes que ele faça o mesmo. Só isso. Sem chefes, sem enredo, nada disso. É um jogo competitivo de reflexos.No entanto, é importante informar que ele não era um remake como conhecemos hoje. Na época, a indústria ainda tratava esse tipo de projeto como uma conversão ou adaptação para um hardware mais moderno, e o conceito de remake ainda não existia da forma como passou a ser entendido décadas depois.Super Mario All-StarsEste é considerado pelos hyperlink{especialistas e historiadores de jogos} como o primeiro remake de um jogo com a ideia que temos hoje de remake. Super Mario All-Stars, lançado em 1993 para o Super Nintendo.O motivo desse consenso é que Super Mario All-Stars não era apenas uma conversão (port) nem uma simples atualização gráfica (o que hoje chamaríamos de remaster). A Nintendo reconstruiu os quatro jogos do NES:* Super Mario Bros.* Super Mario Bros.: The Lost Levels (que era o verdadeiro Super Mario 2 no Japão, mas foi descartado nos EUA por ser muito difícil e por ter fases muito semelhantes ao jogo original) Super Mario Bros. 2 (que originalmente era um jogo chamado Yume Kōjō: Doki Doki Panic*, baseado em um antigo programa de TV japonês)* Super Mario Bros. 3Os jogos foram recriados do zero utilizando o hardware do Super Nintendo, com novos gráficos, novas animações, nova trilha sonora, efeitos sonoros refeitos, interface revisada, sistema de save e pequenas mudanças de jogabilidade, preservando ao mesmo tempo o design das fases e a identidade dos jogos originais, sendo este o primeiro jogo que podemos entender com o conceito moderno de "remake".Mega Man: The Wily WarsUm dos remakes mais ambiciosos da era 16 bits, produzido pela Capcom exclusivamente para o Sega Mega Drive, Mega Man: The Wily Wars recriou do zero os três primeiros jogos do Mega Man do Nintendinho e expandiu gráficos, música e jogabilidade, além de adicionar uma campanha inédita, Wily Tower, exclusiva dessa versão. Só esse conteúdo novo já faz dele um remake muito mais ambicioso do que muitos lançados anos depois.Conhecido dos gamers de longa data, Mega Man é a história do robô Rock (ou Mega, nos EUA), um robô avançado com capacidade de copiar os poderes dos inimigos para enfrentar o Dr. Wily, um cientista que modifica robôs e os transforma em armas para dominar o mundo. Cada jogo traz oito chefes, fases a serem exploradas e muita dificuldade.O jogo foi criticado na época do lançamento por alterações na física, na cadência de tiros do Mega Buster e por algum slowdown durante a gameplay, com muitos jogadores preferindo as versões originais. Porém, a reconstrução fiel do game do zero em uma tecnologia nova e com conteúdo inédito é um feito bastante impressionante para a época.Final Fantasy VII RemakePoucos remakes carregaram tanta expectativa quanto Final Fantasy VII Remake. Por anos, os fãs pediram um remake, fizeram abaixo-assinados e petições, mas Yoichi Wada, CEO da Square Enix no começo dos anos 2000, não parecia muito empolgado com a ideia: "Ter um milhão de assinaturas não significa um milhão de vendas." Só anos mais tarde, alguns jogos lançados dentro daquele universo, como Crisis Core e Dirge of Cerberus, e o filme Advent Children mostraram à empresa que Cloud, Tifa e os outros ainda tinham lenha para queimar.Lançado em 2020 pela Square Enix para PlayStation 4 (e depois para PC e PlayStation 5), o jogo recria um dos JRPGs mais influentes da história. Em vez de apenas atualizar gráficos e controles, os desenvolvedores optaram por expandir a aventura original e transformá-la em uma nova trilogia, trazendo mudanças na narrativa que surpreenderam até mesmo quem conhecia o clássico de 1997 de cor.A história acompanha Cloud Strife, um ex-soldado que passa a trabalhar como mercenário para o grupo ecoterrorista Avalanche. Juntos, eles tentam impedir que a megacorporação Shinra continue explorando a energia vital do planeta.O motivo deste game ser considerado um dos melhores remakes já feitos é que ele vai muito além de reconstruir o jogo original. Midgar foi enormemente expandida, personagens secundários ganharam mais desenvolvimento, o combate por turnos deu lugar a um sistema moderno sem abandonar elementos clássicos da série, e a própria história passa a seguir um caminho diferente em diversos momentos. Em vez de substituir o clássico, o remake cria uma nova experiência que dialoga diretamente com o jogo original e surpreende até os veteranos da franquia.The Elder Scrolls IV: Oblivion RemasteredAntes de Skyrim transformar The Elder Scrolls em um fenômeno mundial, existia Oblivion. Foi ele quem apresentou muita gente ao universo da Bethesda, popularizou a liberdade gigantesca da série e mostrou que um RPG de mundo aberto podia deixar o jogador simplesmente sair andando por aí sem dizer exatamente o que fazer. Em 2025, quase 20 anos depois do lançamento original, a Bethesda resolveu trazer esse clássico de volta.Oblivion Remastered reconstrói praticamente todo o visual do jogo utilizando a Unreal Engine 5, mas sem mexer na estrutura que fez dele um dos RPGs mais importantes dos anos 2000. A história continua colocando o jogador no papel de um prisioneiro envolvido na sucessão do Império após a morte de Uriel Septim VII, enquanto portais para Oblivion começam a surgir por toda Cyrodiil.O grande mérito do remake está justamente em saber onde mudar e onde parar. Os gráficos, animações, interface e parte do combate foram modernizados, mas a exploração livre, as missões memoráveis e a sensação de liberdade continuam exatamente como muitos jogadores lembravam. É um daqueles casos em que o jogo parece mais próximo da memória que as pessoas tinham dele do que do título lançado originalmente em 2006.The Legend of Zelda: Link's AwakeningNem todo remake precisa transformar completamente um jogo para funcionar. Link's Awakening prova justamente o contrário. O clássico lançado para Game Boy em 1993 voltou ao Nintendo Switch em 2019 praticamente igual ao original, mas com um visual que parece um diorama cheio de miniaturas e brinquedos de plástico.A aventura continua começando quando Link naufraga na Ilha Koholint e precisa reunir os Instrumentos das Sereias para despertar o lendário Peixe do Vento e conseguir voltar para casa. É uma das histórias mais diferentes da franquia Zelda, justamente por não acontecer em Hyrule e por apostar em um clima muito mais misterioso do que heroico.O remake faz poucas mudanças profundas, mas quase todas melhoram a experiência. A troca constante de itens, uma das maiores limitações do Game Boy, desapareceu; a interface ficou muito mais prática; e a jogabilidade ganhou o refinamento esperado de um jogo moderno. No restante, a Nintendo preferiu preservar praticamente tudo, mostrando que nem sempre reinventar um clássico é a melhor solução.Wonder Boy: The Dragon's TrapPoucos remakes respeitam tanto o material original quanto Wonder Boy: The Dragon's Trap. Em vez de reinterpretar o clássico do Master System, a Lizardcube praticamente refez o jogo quadro a quadro, preservando o mesmo mapa, os mesmos inimigos e até a física da versão de 1989.A aventura começa logo depois dos acontecimentos de Wonder Boy in Monster Land. Após derrotar um dragão, o herói acaba amaldiçoado e precisa explorar um enorme mapa interligado enquanto utiliza diferentes transformações — homem-lagarto, rato, peixe, leão e falcão — para alcançar áreas antes inacessíveis.O resultado é um remake que parece novo sem deixar de ser o mesmo jogo. Além dos gráficos totalmente desenhados à mão e da nova trilha sonora, é possível alternar instantaneamente para os visuais e músicas originais do Master System. É uma homenagem ao clássico que mostra exatamente como atualizar um jogo antigo sem abrir mão daquilo que fez dele um sucesso.E a melhor parte: você encontra na Steam um mod que transforma o jogo em uma versão remasterizada de Mônica no Castelo do Dragão! A gente por aqui pouco se importa com Wonder Boy, mas poder jogar o jogo da Mônica em alta definição é um motivo para esse jogo estar nesta lista.Alex Kidd in Miracle World DXAntes de Sonic correr pelos consoles da Sega, era Alex Kidd quem representava a empresa. Criado para ser o concorrente do Mario e inspirado na lenda chinesa "Jornada para o Oeste", Alex Kidd ficou famoso (principalmente aqui no Brasil) por causa de sua inclusão como jogo na memória do Master System. A primeira aventura de Alex Kidd por Miracle World foi praticamente um jogo obrigatório, principalmente porque vinha na memória do console em várias versões.Alex Kidd in Miracle World DX traz essa aventura de volta com gráficos refeitos à mão, músicas reorquestradas e alguns conteúdos inéditos, mas preservando praticamente toda a campanha do clássico lançado em 1986. A história continua acompanhando Alex Kidd em sua jornada para derrotar o tirano Janken, o Grande, enfrentando fases de plataforma, veículos e as tradicionais disputas de pedra, papel e tesoura contra os chefes.Mesmo mantendo algumas decisões de design que denunciam sua idade, o remake consegue corrigir boa parte das limitações técnicas do original, oferecendo controles mais precisos, novos modos de jogo e a possibilidade de alternar instantaneamente entre os gráficos modernos e os visuais do Master System. É uma forma interessante de apresentar um dos personagens mais importantes da história da Sega para quem nunca teve contato com ele.Resident Evil 4Poucos jogos tiveram tanto impacto na indústria quanto Resident Evil 4. Lançado originalmente em 2005, ele redefiniu os jogos de ação em terceira pessoa e influenciou dezenas de franquias nos anos seguintes. Quase duas décadas depois, a Capcom assumiu a difícil missão de modernizar esse clássico sem perder a identidade que o transformou em um dos capítulos mais importantes da série.A campanha continua acompanhando Leon S. Kennedy, agora agente do governo americano, enviado a uma vila isolada na Espanha para resgatar Ashley Graham, filha do presidente dos Estados Unidos. O que parecia uma simples missão de resgate rapidamente se transforma em uma luta pela sobrevivência contra uma seita misteriosa e os habitantes infectados pelo parasita Las Plagas.O remake vai muito além de um upgrade visual. A Capcom reformulou áreas inteiras, expandiu a campanha, deu mais espaço para personagens como Ashley e Luis Serra e refinou o combate e a exploração. Mesmo com tantas mudanças, os momentos mais marcantes do original continuam presentes, fazendo de Resident Evil 4 um dos melhores exemplos de como atualizar um clássico sem abrir mão daquilo que o tornou inesquecível.Demon's SoulsAntes de Dark Souls transformar a FromSoftware em referência no gênero, foi Demon's Souls quem lançou as bases da fórmula que hoje conhecemos como soulslike. Em 2020, o clássico voltou ao PlayStation 5 pelas mãos da Bluepoint Games, que aproveitou o lançamento do console para entregar um dos remakes tecnicamente mais impressionantes da geração.A aventura leva o jogador ao reino de Boletaria, devastado após o despertar do Antigo, uma entidade responsável por espalhar uma névoa sobrenatural e criaturas demoníacas por todo o território. Cabe ao protagonista enfrentar monstros, explorar castelos, fortalezas e masmorras e derrotar poderosos demônios para impedir que o reino seja consumido de vez.O grande mérito da Bluepoint foi modernizar a apresentação sem mexer na essência do jogo. Cenários, personagens, animações e efeitos visuais foram completamente refeitos, mas a estrutura das fases, os chefes, a dificuldade e praticamente todas as mecânicas permaneceram intactas. O resultado agradou tanto aos veteranos quanto a quem conheceu Boletaria pela primeira vez, mostrando que nem todo remake precisa reinventar um clássico para justificar sua existência.
— Comentários 0
, Reações 1
Seja o primeiro a comentar