Todo ano, todo lançamento, os jogos de mundo aberto disputam o título daquele que tem o maior e mais completo mapa, repleto de atividades, segredos escondidos e pequenas surpresas que só os jogadores mais atentos conseguem descobrir, como um coelhinho de chifre, um casal peculiar que briga ou uma marcação em um poste que pode levar a uma quest escondida.
A série Assassin’s Creed transformou isso até em argumento de venda, dizendo a cada lançamento que tinha um mapa maior do que o outro, chegando a reproduzir fielmente espaços como a França durante a Revolução Francesa do século XVIII e a Catedral de Notre Dame (que serviu de referência para a reconstrução da catedral real que pegou fogo em 2019). Mas, e o oposto? Os mapas menores e mais curtos, onde você pode explorar tudo rapidamente, sem percorrer horas e horas de barco, a pé ou a cavalo?
Se você está cansado de explorar mundos gigantes, vamos falar de alguns dos mapas mais curtos e rápidos de explorar e, se você ficar na dúvida, deixe um comentário.
Assassin’s Creed - 2007
Começando com aquele que deu o pontapé inicial na disputa de mapas cada vez maiores e mais densos, temos a aventura original de Altäir Ibn-La’Ahad lutando contra os Templários e em busca da Maçã do Éden, o artefato capaz de controlar mentes e ganhar corações de multidões. Uma arma terrível que, se caísse em mãos erradas, usaria o poder da primeira civilização, os Isu, poderia causar o fim da civilização como conhecemos.
O primeiro jogo tem um mapinha humilde de apenas 0,13km². Esse mapa do Assassin’s Creed original, que recria a Terra Santa em escala pequena, principalmente se comparado ao resto dos mapas da série. Um levantamento de tamanhos de mapas da série cita que a cidade de Damasco, do primeiro jogo, cobre apenas 0,13 km².
Embora seja compacto, o jogo aproveita a densidade das cidades medievais, permitindo que cada rua e telhado tenha propósito para parkour e furtividade. Foi o começo de mapas cada vez maiores e mais cheios de coisas para se fazer. Mas, para a época em que foi lançado, era um mapa muito bem-feito e ainda tinha o detalhe de não podermos nem nadar para explorar mais rápido.
Assassin’s Creed Revelations – 2011
A última parte da aventura de Ezio, já mais velho e mais experiente, é o fechamento perfeito da vida do mais carismático e adorado assassino de toda a franquia (ok, ele teve três jogos para se desenvolver, mais spin-offs e até um filme de animação, então é fácil ter um apego a ele), tem um mapa relativamente modesto, principalmente se comparado aos games que vieram depois.
A história mostra o final da vida de Ezio, em busca da fortaleza de Massiaf, o lar dos antigos assassinos na Terra Santa. Ele é emboscado por templários e consegue fugir e sobreviver, mas sua investigação revela que o antigo mentor, Altair, deu aos descendentes do navegador Marco Polo um diário que mostra a localização das chaves da antiga biblioteca de Massiaf, onde um segredo dos antigos assassinos reside. Ele precisa descobrir o que é evitar que esse poder caia nas mãos de seus inimigos.
Desenvolvido pela Ubisoft Montreal e publicado pela Ubisoft, Assassin’s Creed: Revelations foi lançado em novembro de 2011 para PlayStation 3, Xbox 360 e Windows e tem um mapa, segundo as tabelas de comparação, com uma área jogável que mede aproximadamente 0,97 × 0,97 km (cerca de 0,94 km²). Então, dá para explorar toda a cidade de Constantinopla numa boa, ainda mais com a invenção da Hookblade que veio no game.
Batman: Arkham City – 2011
A sequência de uma grande saga que terminou com um final bastante questionável. Esse é Batman: Arkham City, um game que mostrou como é que jogos de super-heróis deveriam ser feitos e ensinou que dá sim para fazer um combate fluido, dinâmico, sem que o jogador perceba que o inimigo está só “esperando a vez dele de apanhar”. Batman: Arkham City é considerado o melhor game da série, de longe.
A história continua após o final do game anterior, Batman: Arkham Asylum, com o prefeito de Gotham decidindo que todo um pedaço da cidade seria cercado e transformado na prisão de Arkham, colocando junto dos loucos e supervilões presos no Asilo, junto dos criminosos da prisão Black Gate. Batman vai até o lugar e quer descobrir quem está por trás dessa ideia e impedir os planos de vilões como o Coringa e o Dr. Strange.
Uma comparação de tamanhos de mapas com outros games indica que Arkham City tem cerca de 1 km². Apesar de pequeno, o distrito verticalizado apresenta telhados, becos e interiores conectados, o que favorece a movimentação acrobática de Batman e concentra uma grande quantidade de missões e vilões em área restrita.
Shenmue – 1999
Um dos jogos mais ambiciosos e caros do SEGA Dreamcast, Shenmue revolucionou sua época pela presença de NPCs com rotinas bem definidas, mundo aberto em 3D, ciclos de dia e noite, quick-time events e minigames, e uma história madura, nova e com um tempero oriental que pouco víamos na época.
A história se passa em Yokosuka, Japão, em 1986. O jovem Ryo Hazuki retorna ao dojo de seu pai e testemunha o assassino Lan Di exigir o Espelho do Dragão; após matar Iwao Hazuki, Lan Di foge com o artefato. Ryo jura vingar o pai, investigando a máfia local e realizando trabalhos temporários como operador de empilhadeira. Ele descobre outro artefato, o Espelho da Fênix, e se prepara para viajar a Hong Kong para encontrar Lan Di.
De acordo com o site Dualshockers, o mapa da cidade de Yokosuka pode ser atravessado de uma ponta a outra em poucos minutos e tem cerca de 2,5 km², mas o mapa é tão densamente populado, com rotinas bem estabelecidas e personalidades, que faz o mapa parecer bem maior.
Gothic – 2001
Gothic foi desenvolvido pelo estúdio alemão Piranha Bytes e lançado em 2001 para PC, se tornando rapidamente uma referência entre os RPGs europeus de mundo aberto, principalmente pela forma diferente como tratava liberdade, progressão e consequências. A história se passa em um reino de fantasia medieval em guerra contra orcs, onde o rei decide isolar prisioneiros dentro de uma colônia penal cercada por uma barreira mágica que sai do controle e acaba prendendo todos lá dentro, inclusive quem a criou.
O jogador assume o papel de um prisioneiro sem nome que recebe a missão aparentemente simples de entregar uma carta aos Magos do Fogo, mas acaba envolvido em problemas muito maiores. Ao longo da jornada, ele precisa lidar com três facções principais, o Acampamento Velho, o Novo e a Irmandade, cada uma com seus interesses, regras e formas bem diferentes de sobreviver naquele lugar.
Mesmo com um mapa relativamente compacto, estimado em cerca de 1,1 km² segundo o site Gamepressure, o jogo consegue aproveitar muito bem seu espaço, com áreas cheias de propósito, NPCs bem distribuídos e missões que fazem o mundo parecer vivo, sem aquela sensação de mapa grande demais e vazio que se tornaria comum anos depois.
Yakuza – 2005
Lançado para PlayStation 2, foi desenvolvido pela Sega e Amusement Vision, esse jogo marcou uma mudança clara na forma como jogos de ação retratavam cidades urbanas. Ambientado no submundo japonês, ele mistura pancadaria em tempo real com elementos de RPG, mini-jogos e tudo centrado na fictícia Kamurocho, que foi inspirada no bairro de Kabukichō.
Yakuza acompanha Kazuma Kiryu, um membro da yakuza que assumiu a culpa pelo assassinato do chefe para proteger Yumi, uma amiga de infância, e passa dez anos na prisão. Ao sair, ele encontra um cenário completamente diferente, com seu clã colapsado após um roubo de bilhões e sendo caçado por diferentes famílias criminosas. No meio dessa confusão, Kiryu ainda precisa proteger Haruka, uma menina que acaba se tornando peça central da trama.
A jogabilidade gira em torno da exploração da cidade e de combates no estilo beat 'em up, com evolução baseada em pontos de experiência que liberam novos golpes e habilidades e uns minigames bem estranhos, como almoçar ao lado de uma moça bonita ou cantar no karaokê. Mesmo com um mapa estimado em cerca de 5 km² pela Gamepressure, Kamurocho tem densidade, lojas, clubes, becos, eventos aleatórios e uma grande variedade de minigames, como fliperamas, cassinos, pachislot, lutas de rua e missões secundárias, compensando o tamanho do mapa com vida e diversão.
Bully - 2006
Bully, da Rockstar (a mesma de GTA), mostrou que conseguia criar mundos abertos interessantes mesmo em um ambiente relativamente fechado.
Aqui você controla o estudante problema Jimmy Hopkins, enviado para o internato Bullworth Academy após ser largado pela mãe e pelo padrasto, começando uma nova vida dentro e fora da escola. Você pode andar livremente pelo campus e também pela cidade de Bullworth, dividida em bairros como Vale Bullworth, Blue Skies, New Coventry e Old Bullworth Vale, cada um com sua própria identidade.
As missões giram em torno dos conflitos entre diferentes grupos, como Brutamontes, Nerds, Preppies, Greasers, Jocks e Townies, mostrando uma hierarquia social que muda de acordo com as atitudes de Jimmy. As aulas não são obrigatórias, mas funcionam como minigames que liberam vantagens sociais, como se desculpar ou provocar outros alunos, criar armas ‘químicas’ com as aulas de química, consertar bikes ou ganhar bônus com Fotografia.
Mesmo com um mapa estimado em cerca de 5 km², segundo relatos de desenvolvedores em entrevistas e fóruns, Bully aproveitou muito bem seu espaço, mantendo a exploração simples, direta e sempre cheia de atividades, sem áreas grandes demais ou vazias, o que dá uma sensação de um espaço muito maior e mais vivo.
Subnautica - 2018
Subnautica, lançado em 2018, tem um tipo diferente de mundo aberto e coloca toda a ação praticamente debaixo d’água. O jogador controla Ryley Robinson, sobrevivente da queda de uma nave em um planeta alienígena, o 4546B, e você precisará explorar o oceano para entender o que aconteceu com sua nave, como você foi parar nesse planeta, sobreviver e ainda encontrar uma forma de escapar.
O mundo aberto submarino gira em torno de 4 km², embora haja discordância em algumas listas e discussões pela internet, mas o consenso gira em torno desse número. Mas para destacar sua densidade e, principalmente, sua verticalidade, que faz cada mergulho fazer o mundo parecer mais denso e significativo do que simplesmente atravessar grandes distâncias. Assim como Batman: Arkham City, cujo mapa se estende tanto subindo quanto descendo, em Subnautica você não vai apenas para frente, lados e trás, mas também para baixo. Muito para baixo.
Sleeping Dogs - 2012
Sleeping Dogs, lançado em 2012, coloca o jogador em uma Hong Kong fictícia cheia de ruas apertadas, becos e muita influência dos filmes de Kung Fu tipo “O Grande Dragão Branco”, “Operação Dragão”, “Voo do Dragão” e outros que têm “Dragão” no nome. A história acompanha o policial Wei Shen, que retorna da América para se infiltrar na tríade Sun On Yee, vivendo constantemente entre o dever como agente da lei e a lealdade forçada ao submundo.
Você vai lutar muito por essas ruas em busca de seus objetivos, visitando locais cheios de NPCs com rotinas e personalidades em um mapa estimado em cerca de 8,8 km². Esse mapa relativamente curto, mas extremamente denso, tem mercados, lojas, eventos clandestinos, muita gente para você bater e missões espalhadas por quatro distritos que reforçam a sensação de uma cidade viva, sempre movimentada e perigosa.
Watch Dogs - 2014
Lançado em 2014 (após uma impressionante apresentação na Game Awards e lançamento com gráficos capados e modders encontrando os gráficos da apresentação dentro dos arquivos do jogo e restaurando eles) pela Ubisoft Montreal, apresenta um mundo aberto urbano centrado na vigilância digital e no controle da informação. Uma franquia que começou bem e hoje está enterrada nos armários da empresa para (talvez) nunca mais voltar.
Ambientado em uma Chicago futurista, você é Aiden Pearce, um hacker que parte em busca de vingança após a morte de sua sobrinha durante um atentado que tinha ele como alvo. Usando um smartphone, ele pode manipular semáforos, pontes, câmeras, contas bancárias e telefones de civis, transformando a própria cidade em sua principal arma. Tiroteios, furtividade, perseguições de carro e exploração livre fizeram de Watch Dogs uma IP com vários fãs que ficaram órfãos depois do último, ambicioso e flopado game, Watch Dogs Legion.
Com um mapa estimado em cerca de 12 km², essa versão fictícia de Chicago não é gigantesca para os padrões do gênero, mas compensa isso com alta interatividade: mexer no celular de todos, faróis e carros causando eventos dinâmicos e burlando sistemas que fazem cada passeio pela cidade ter algum tipo de consequência dentro do mundo.









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