Diablo II: Resurrected (site oficial) é um exemplo claro de um remaster que decidiu preservar o jogo original e deu muito certo. Ele não tenta modernizar tudo nem mudar a base da experiência. Ele mantém sua essência e "alma" mesmo sob gráficos modernos e bem polidos. Isso faz com que seja ao mesmo tempo impressionante e, em alguns momentos, um pouco datado.
Os gráficos refeitos são muito bons, o clima do jogo continua marcante e o sistema de loot ainda consegue prender bastante a atenção. Por outro lado, algumas limitações permanecem. O inventário é pequeno, certas mecânicas podem confundir e alguns sistemas deixam claro que o jogo veio de outra época.
Mesmo com essas limitações, existe algo muito especial aqui. Diablo continua sendo um dos RPGs de ação mais influentes já feitos. E Resurrected permite que jogadores mais novos conheçam esse clássico, enquanto quem já jogava antes pode reviver uma das experiências mais marcantes dos videogames.
Agora, a dúvida que sempre fica nesses casos é: vale a pena comprar? Vale a pena pagar R$ 174 por um jogo que tem mais de 25 anos apenas porque deram "uma mão de verniz" por cima? O game ainda é o mesmo que você jogou naquele PC branco (ou amarelado, dependendo de quanto tempo você o tinha) de monitor de tubo? Vamos falar de Diablo II: Resurrected e, se você ficar com dúvidas, é só deixar um comentário.
Um Clássico Renovado
Uma das primeiras coisas que ficam claras em Diablo II: Resurrected é que ele não tenta reinventar a roda, como Warcraft III: Reforged tentou fazer (e falhou). A base continua a mesma de mais de vinte anos atrás. O que mudou de verdade foi a parte visual. Por baixo dos gráficos novos, ainda está rodando praticamente o mesmo Diablo II de antes. Inimigos, mapas, habilidades e a maior parte dos sistemas continuam funcionando exatamente como no jogo antigo.
Dá para perceber isso nas animações, na movimentação dos personagens e dos monstros. Tudo é muito travado, como se tivesse uns cinco quadros de animação e, apesar disso, funciona. Você não sente esse movimento duro porque a parte visual está tão caprichada que dá a impressão de se tratar de um indie tentando emular um estilo antigo.
A parte de personalização deixa um pouco a desejar: no modo singleplayer, você escolhe uma classe, começa com um personagem pré-determinado fraco e vai avançando enquanto enfrenta monstros, adquire equipamentos melhores e ganha níveis. A ideia sempre gira em torno de ficar mais forte aos poucos, encontrar itens raros e enfrentar inimigos mais poderosos.

Para quem já conhecia o jogo original, é como estar em casa depois de anos viajando. O ritmo do jogo, o loot, as lutas – tudo é exatamente igual ao que você se lembra. Dá, inclusive, para ativar os gráficos e a resolução antiga e se sentir ainda mais em casa.
Por outro lado, quem nunca teve contato com Diablo II pode estranhar algumas coisas no começo. O jogo não explica muitos sistemas; várias mecânicas você só vai entender na prática, e você pode se perder pelo mapa por um bom tempo, já que não há indicação clara de onde está o objetivo.
"O monstro devorador está na floresta e precisamos eliminá-lo." Onde na floresta? Não se sabe. Vá para a floresta, elimine tudo que aparecer pela frente e, em algum momento, você encontrará o monstro. Confie!
De certa forma, isso é divertido. Você entra no mundo do jogo, começa a explorar as áreas, enfrenta monstros e, aos poucos, vai entendendo como cada parte funciona. É um tipo de experiência que não segura muito a mão do jogador, mas que acaba se tornando bastante envolvente conforme o personagem evolui.
O visual é o maior destaque. A parte visual ficou muito bem-feita – isso não dá para negar. A Blizzard reconstruiu o game do zero e refez os gráficos em 3D, mas aquele estilo sombrio que marcou Diablo II em seu lançamento foi fielmente preservado.
Os cenários – masmorras, florestas, tumbas – agora têm muito mais detalhe e parecem bem mais vivos do que antes. A iluminação, ou a falta dela, também ajuda bastante a reforçar aquele clima claustrofóbico e escuro que sempre foi parte da série. As cenas de história também foram recriadas do zero, com visual cinematográfico, e ficaram bem bonitas. Elas seguem o mesmo estilo das antigas, mas agora com qualidade muito superior.
Como mencionamos, é possível alternar o visual e a resolução para o formato antigo, mas isso é apenas para os nostálgicos de plantão, porque, com a qualidade gráfica e a alta resolução dos monitores atuais, você perceberá como os gráficos antigos eram realmente muito rudimentares. Mas se você gosta, não estamos aqui para julgar.
Gameplay Aprimorado
A jogabilidade é simples de entender: você sai de um acampamento, percorre um mapa, elimina tudo o que encontrar pela frente, coleta os itens que eles dropam e segue em frente. Parece básico, mas acaba sendo bem envolvente. Mesmo depois de vinte anos do lançamento, você ainda se sente atraído por esse ciclo por causa da expectativa de que o próximo monstro deixará cair um item melhor e mais forte.
E um item melhor faz toda a diferença. Às vezes, encontrar uma arma ou armadura superior é o que determina o sucesso de uma investida. Cada personagem e cada classe possui habilidades próprias e um estilo de combate distinto. Você pode usar magias, arcos, lanças, porretes, machados, espadas ou tudo junto. Invocar animais ou mortos-vivos também é válido. Tudo é permitido.
Com o tempo, você começa a moldar uma build específica, decidindo quais habilidades aprimorar e quais ignorar. Há uma árvore de habilidades, e tudo é muito fácil de compreender. E, se quiser extrair o máximo proveito do seu personagem, o jogo tem mais de vinte anos – certamente existem milhares de builds prontas na internet para todos os tipos de personagem e fases do jogo, desde o início até o endgame.

Um detalhe que poderia ter sido incluído como melhoria na qualidade de vida do jogo é que algumas decisões em relação ao gasto de pontos de habilidades são permanentes. RPGs mais modernos permitem um "respec" total, mas não é o caso aqui.
A Atmosfera Sombria Continua
Uma coisa que Diablo II sempre teve, e que continua funcionando muito bem em Resurrected, é o clima sombrio e pesado da franquia. O mundo do jogo é escuro, desesperançado e repleto de demônios. As áreas seguras são pequenas e vulneráveis, mas sair delas sempre traz aquela sensação de "vou morrer, perder tudo e ter que recomeçar".
As músicas são discretas e quase imperceptíveis na maior parte do tempo, mas contribuem muito para tornar tudo mais tenso e misterioso. Os inimigos são bastante variados. Você enfrenta desde zumbis simples, ratos ouriço e amazonas possuídas até demônios enormes e chefes que podem derrotá-lo em dois golpes. Mesmo depois de tantos anos, a ambientação – especialmente agora que foi refeita – ainda consegue prender a atenção de quem está jogando.
Multiplayer é Essencial
Diablo II sempre teve um alto número de jogadores online, e nunca foi difícil encontrar uma partida; aparentemente, isso continua valendo na versão Resurrected. É possível jogar sozinho durante toda a campanha ou entrar em partidas com outros jogadores.
Assim como em todo game com possibilidade de jogo online, muitos preferem jogar sozinhos e recorrer ao multiplayer apenas quando enfrentam uma parte muito difícil. Existem, em discussões online e nas comunidades, críticas à necessidade de uma conta na Battle.net mesmo na versão Steam e à exigência de conexão mesmo em partidas offline.
Nem tudo funciona perfeitamente o tempo todo. No lançamento, alguns jogadores relataram problemas com servidores, e certas funções online não são tão polidas quanto nos jogos mais recentes. Ainda assim, quando tudo está funcionando direito, jogar em grupo pode ser bastante divertido.
Um Velhinho no 'Shape', mas Ainda um Velhinho
Mesmo com toda a nostalgia em torno do jogo, ainda dá para perceber que Diablo II é um produto de sua época. É como aquele senhor de idade avançada, malhado e com a saúde em dia. Está ótimo, mas a idade ainda está ali. E certos aspectos do jogo deixam isso bem evidente.

Um exemplo claro é o inventário. O espaço disponível para carregar itens é pequeno, e você precisa organizar tudo manualmente. Você tem que ficar indo e voltando à cidade para vender ou guardar equipamentos (e é sempre bom ter equipamentos de reserva).
Outra questão é a falta de explicações sobre muitas mecânicas do jogo. Ao contrário dos games atuais, que explicam cada detalhe em uma infinidade de tutoriais (muitas vezes invasivos), aqui há muita coisa que você precisa aprender por conta própria. Por exemplo, você tem um item com a descrição "não identificado" e um "pergaminho de identificação" – é fácil deduzir o que fazer, mas nem todo sistema é tão intuitivo assim.
O início da campanha também pode parecer mais lento. Os personagens começam bem fracos, a movimentação é lenta, e leva um tempo até o progresso começar a fluir. Quem está acostumado com RPGs de ação mais atuais pode achar essas características um pouco estranhas ou até irritantes. São limitações que revelam a idade do game e fazem parte do seu charme. Alguns apreciam; outros, não.
Por Que Falar Dele Agora?
Diablo II: Resurrected é um jogo de 2021, com quase quatro anos de existência. Então, por que estamos falando dele agora? Porque, depois de vinte e cinco anos, a expansão Reign of the Warlock traz a primeira classe inédita em Diablo II: o Warlock, um personagem que utiliza magia sombria, invocações e poderes ligados a pactos demoníacos.
Essa classe vem com três árvores de habilidades que a tornam uma mistura de conjurador e invocador. Além disso, a DLC inclui itens novos, conjuntos de equipamentos, runas inéditas e mudanças no endgame, com Terror Zones atualizadas e inimigos adicionais.
Também foram implementadas melhorias que muitos jogadores pediam há anos, como filtro de loot e empilhamento de itens. Porém, a expansão não traz nenhum ato novo ou áreas grandes para explorar. Uma pena, pois isso poderia dar uma sobrevida extra ao game e atrair de volta jogadores que adquiriram o título há cerca de quatro anos e já o deixaram de lado na biblioteca.
Prós e Contras
Prós
- Gráficos refeitos que mostram como um bom remaster deve ser feito;
- Loot viciante – você sempre tem a sensação de que um bom item virá em seguida;
- A mesma atmosfera sombria que você conhece e adora.

Contras
- Inventário pequeno – o gerenciamento dos itens é um problema constante;
- Sistemas antigos que poderiam ter sido modificados em favor de mais qualidade de vida;
- Progressão lenta, que pode irritar jogadores acostumados a RPGs modernos e casuais.
Conclusão
Diablo II: Resurrected acaba sendo um jogo interessante justamente porque a experiência muda bastante dependendo de quem está jogando. Para quem já conhecia o original, ele funciona quase como um reencontro com um clássico. É a oportunidade de voltar a esse jogo com gráficos atualizados, mas sem perder aquilo que fez Diablo II ser tão lembrado.
A nostalgia pesa bastante nesse caso. Muitos jogadores sentem como se estivessem voltando a outra fase dos videogames. Já quem nunca teve contato com Diablo II pode ter uma impressão um pouco diferente. O jogo ainda diverte, mas algumas partes podem parecer antigas quando comparadas com RPGs de ação mais recentes.
Mesmo assim, não é difícil entender por que esse jogo se tornou uma referência dentro do gênero. Vários sistemas que hoje aparecem em RPGs de ação começaram ou ganharam força justamente em Diablo II.
No fim das contas, Diablo II: Resurrected não tenta reinventar o jogo. Ele pega um clássico muito importante e o apresenta novamente com uma aparência mais moderna. Para muita gente, isso já é mais do que suficiente.









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