Em janeiro de 2015, o primeiro episódio de Life is Strange foi lançado, e não é exagero dizer que o jogo rapidamente se provou, à medida que os outros 4 episódios foram saindo ao longo do ano, ser um dos jogos com foco em storytelling mais bem construídos e escritos dos últimos anos. LiS encantou legiões de fãs com seu estilo único, personagens carismáticos, trilha sonora impecável, mecânicas de gameplay diferentes, e por aí vai. É um jogo verdadeiramente único em vários aspectos, e mesmo o último jogo lançado da série, Life is Strange: Double Exposure (2024) tendo uma recepção abaixo do esperado entre a fanbase, um novo anúncio recente mexeu com os corações dos fãs que nem pensavam em ganhar uma conclusão canônica para a história iniciada 10 anos atrás

Novamente em janeiro, mas agora em 2026, a desenvolvedora Deck Nine anunciou, juntamente com a Square Enix, o novo Life is Strange: Reunion, com lançamento marcado para 26 de março ainda desse ano, para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC, via Steam e Microsoft Store. E, surpreendendo a muitos, especialmente depois do quão pouco ela foi mencionada no jogo anterior, o Reunion traz de volta a nossa punk de cabelo azul (bom… agora verde) revoltada preferida: Chloe Price! Não menos importante, promete um desfecho definitivo para ela e para a protagonista Max Caulfield.

A História Original
Qual é a história a ser concluída já é algo que depende um pouco mais de cada jogador, apesar do canon “tender” para um lado. No primeiro jogo, tomamos o papel de Max quando ela volta para sua cidade natal após anos afastada, e além de ter que lidar com situações que vão desde colegas de classe desagradáveis fazendo bullying até assassinatos, e, claro, ganhar poderes de voltar no tempo, ela também reencontra sua melhor amiga da infância, Chloe. Após salvar sua vida usando seus poderes e de muita Teoria do Caos acontecendo em Arcadia Bay, o jogador, na pele de Max, é obrigado a fazer uma escolha: salvar “de vez” a vida de Chloe e deixar a cidade inteira ser devastada por um tornado mortal, ou salvar a cidade, mas voltar no tempo e nunca salvar Chloe, deixando-a morrer.

Nisso tudo, de tanto a Max usar seus poderes, duas realidades diferentes são criadas: uma onde a Chloe está viva, e outra onde ela morreu. Existem outras diferenças entre as duas realidades, como descobrimos em Double Exposure, que explora esse conceito dando à Max poderes de alternar entre elas, mas a existência da Chloe é o que importa no momento para o anúncio.
Em Double Exposure, já que o jogo marcaria o retorno de Max, a imensa maioria dos jogadores esperava ver pelo menos alguma coisa da Chloe também, pois a história das duas sempre esteve muito interligada, mas para decepção de muitos (eu inclusa), só temos mensagens de texto e menções no diário de Max sobre ela, caso na sua timeline ela tenha sobrevivido. Outro aspecto que fica a critério do jogador sobre o relacionamento das duas é a sua natureza; Chloe pode ser sua amiga ou sua ex-namorada. Suas escolhas anteriores são “informadas” através de diálogos onde Max estabelece o que aconteceu com a Chloe e com a cidade no seu playthrough contando sobre seu passado para seus novos amigos na universidade Caledon, em Vermont, USA, onde o jogo se passa e onde Max está trabalhando como fotógrafa.

A maioria dos fãs do primeiro jogo concorda que a escolha correta é uma só: salvar Chloe, e sim, beijá-la quando você tem a oportunidade. Não é à toa que um dos maiores memes do fandom do jogo é a frase “Bae before Bay”, onde bae é um jeito de se referir a um parceiro romântico e Bay se refere a Arcadia Bay. Ou seja, dane-se a cidade, nossa namorada é mais importante. Existe inclusive uma série de HQs oficiais que contam um pouco da história de Max e Chloe após o final em que a cidade é destruída, então muitos consideram esse final como o “canônico”.

Com uma fanbase tão investida assim nesse relacionamento, muitos tendo conscientemente sacrificado uma cidade inteira por ela (e eu faria tudo novamente!), é fácil de se entender por que o anúncio tanto emocionou quanto deixou os fãs apreensivos. Então fica a pergunta: O que será que vem por aí?
O que sabemos até agora
A história
Em Life is Strange: Reunion, retornamos para a Universidade Caledon, onde Max agora é uma professora de fotografia. Dessa vez, Max volta de uma viagem e encontra a universidade totalmente tomada por um incêndio mortal, que destrói o campus e ceifa as vidas de alunos, professores e dos seus amigos. No desespero de tentar se salvar, Max se reconecta com seus poderes “originais” e volta no tempo através de uma foto (igual no primeiro jogo, onde essa é uma das formas que os poderes da Max se manifestam). Agora, ela tem 3 dias para descobrir como o fogo se iniciou e tentar impedir o pior de acontecer novamente.

No final do Double Exposure, Max junta as duas linhas temporais que se separaram depois do destino de Chloe, em uma tentativa de salvar a vida de uma amiga, Safi (nesse jogo, novamente Max tem que desvendar um assassinato, mas dessa vez alternando entre as realidades: uma onde Safi foi morta, outra onde ela está viva). E, como efeito colateral dessa junção e para surpresa total de Max, Chloe aparece em Caledon. Ela está tendo pesadelos envolvendo uma vida que nunca viveu e busca a ajuda da única pessoa que ela conhece com poderes de voltar no tempo: a ex.

Gameplay
Pela primeira vez, poderemos fazer algo que está deixando muitos fãs animados: jogar como Max e como Chloe no mesmo jogo, podendo alternar entre ambas as perspectivas para acessar com uma delas locais que a outra não consegue, e vice-versa.
Max tem seus poderes de voltar no tempo da mesma forma que no primeiro game, podendo usá-los para retomar decisões, influenciar acontecimentos e manipular conversas para ter o resultado necessário.

Já Chloe, como vimos em primeira mão em Life is Strange: Before the Storm, único jogo onde tomamos o papel dela, possui suas habilidades de Backtalk. Basicamente, uma mecânica onde Chloe faz uso de sua eloquência e de respostas rápidas e espertas para conversar e convencer pessoas, muitas vezes conseguindo acesso a lugares onde Max não pode ir.

Teorias
Life is Strange é um jogo narrativo, lançado em episódios e focado em resolver mistérios, então é óbvio que, desde o começo lá em 2015, teorias permeiam o fandom e se tornaram uma cultura entre os fãs. Com o novo jogo, não poderia ser diferente, e desde o anúncio, várias tomaram forma e diferentes níveis de força, de acordo com quantas pessoas acreditam nela ou não.
Safi e o Time de Superpoderosos
No final de Double Exposure, é revelado que Safi, a amiga que Max junta as duas realidades para salvar, também possui poderes, e sua última intenção declarada é juntar todas as pessoas com tais poderes. Uma das últimas cenas do game é Safi chegando para falar com Diamond, outra personagem da universidade, que pela primeira vez é mostrada com o nariz sangrando, coisa que ao longo de todos os jogos da série serviu como um indicativo de que a pessoa tem poderes e os usou um pouco demais.

Muitos fãs ligaram os pontos e a conclusão óbvia é de que Diamond também possui poderes. Quais são, e quais as intenções de Safi ao reunir todas essas pessoas, provavelmente só saberemos quando o jogo for lançado. No trailer, ela parece estar do lado de Max, mas pode ser um misdirect intencional para não nos deixar adivinhar nada ainda. A Diamond, em particular, não aparece em nenhum trailer, apesar de a revelação dela ter poderes ser um ponto importante do final de Double Exposure. Curioso, no mínimo.

Vale lembrar que os poderes de Safi são de mudar de forma, ela é uma shapeshifter, então ela pode facilmente assumir a identidade de qualquer pessoa, e causar qualquer tipo de caos com isso. No trailer, vemos em uma cena duas Max se olhando, e é possível que uma delas seja, na verdade, a Safi transformada.
O Homem Misterioso
No trailer, vemos a figura de um homem mascarado, cuja identidade é desconhecida, e muitos fãs acham que ele é o responsável pelo incêndio. Em uma cena, Max aparece usando o mesmo tipo de máscara que ele, o que pode indicar algo como Max se aliando temporariamente a ele, ou até mesmo que a máscara seja a fonte de seus poderes, como especulam alguns fãs em redes sociais.

Ele pode ter algo a ver com o grupo secreto Abraxas, introduzido também no jogo anterior, uma sociedade secreta e prestigiosa da universidade, da qual a Diamond, mencionada acima, também faz parte.
Rachel, de novo
Essa teoria é provavelmente fruto exclusivamente do amor dos fãs por essa personagem em particular, sendo que não há nenhuma evidência nem mesmo remota de que essa teoria possa ser real, mas muita gente está falando sobre, então vamos lá.

Como a junção das realidades afetou muita coisa em ambas, incluindo causar o retorno da Chloe, alguns especulam que possa ter afetado até um pouco antes da história do primeiro LiS começar, e portanto, Rachel Amber possa estar viva. Rachel é a personagem cujo assassinato temos que resolver no primeiro game, e era uma amiga e interesse romântico da Chloe, que, de acordo com as teorias, poderia até mesmo fazer o papel de vilã do jogo, após ser arrancada de seu descanso pelos poderes de Max.
Porém, Rachel já estava morta bem antes da divergência das realidades, e permanece assim em ambas, então é pouco provável que esse seja o grande plot twist.
Conclusão
Life is Strange é um daqueles jogos que, embora muito apreciado por jogadores casuais que gostam de todos os tipos de games, se tornou um clássico instantâneo entre os fãs de storytelling, cativando uma fanbase imensa e absurdamente dedicada. Por mais de 10 anos, fãs especularam sobre qual seria o final “canônico” do romance entre Max e Chloe, escreveram fanfics, fizeram cosplay, bolaram teorias, torceram para acontecer X ou Y, e agora finalmente, depois dessa espera toda, teremos a resposta. Só nos resta aguardar e torcer para a Deck Nine superar as nossas expectativas. Ready for the mosh pit, shaka brah?

E você, está ansioso para o lançamento do Life is Strange: Reunion? Você é do time Bae ou Bay? Conta pra gente nos comentários!











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