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Horizon 3 colocará Aloy no panteão da PlayStation?

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Aloy se aproxima do panteão da PlayStation, e Horizon 3 será decisivo para transformar a protagonista em um dos maiores ícones da marca.

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revisado por Romeu

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Quando Horizon Zero Dawn chegou ao mercado, a proposta parecia simples: apresentar um novo mundo e uma nova protagonista. Um arco, máquinas, algo divino a ser desvendado e muita, mas muitas lições sobre tecnologias, IAs e outros erros que nós, humanos, cometemos com o meio ambiente como um todo. No meio disso tudo, temos a Aloy.

O que começou como uma aventura para salvar o mundo, identificar pontos fracos em máquinas e restaurar suas funções era básico e direto. Porém, parece que a Guerrilla Games tinha outros planos para isso e tratou de ampliar esse cenário.

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O problema? A história de Aloy ganhou urgência, ganhou tons dramáticos, mas ela ainda não teve o seu grande momento após a maturidade recebida em Zero Dawn. Após o final de Forbidden West, fica o questionamento: ela está na mesma prateleira em que Kratos, Ellie, Jin Sakai e outros personagens da PlayStation se encontram?

Ah, um aviso: spoilers abaixo!

Muita urgência rápido demais

Esse crescimento aconteceu com a própria ambição da franquia. Em Horizon Forbidden West, o universo se expandiu em todas as direções. O jogo entregou escala, tecnologia e complexidade. Ao mesmo tempo, abriu espaço para uma discussão que acompanha a personagem desde então: o quanto ainda falta para virar símbolo definitivo da marca.

A comparação com nomes como Kratos e Joel aparece com frequência. Não pela qualidade das histórias, mas pelo impacto. Esses personagens são lembrados por momentos específicos, decisões marcantes, conflitos que definem quem eles são. Aloy ainda constrói esse tipo de memória e acaba de perceber que o possível desfecho de sua história vem do espaço e se chama Nêmesis.

Ao longo do segundo jogo, entendemos como os humanos fugiram do planeta Terra e tentaram integrar as tecnologias daqui em um outro planeta para torná-lo habitável. Porém, algo deu errado e a IA responsável por cuidar disso tudo simplesmente se revoltou (esse resumo é bem direto; a ameaça é bem maior do que isso).

Em um dia, você é uma caçadora aclamada com um arco de redenção para com a sua tribo e seu mundo. No outro, sua essência é colocada à prova. Afinal, onde é o limite entre o “tribal”, que faz dela diferente das outras Sobeck, e o tecnológico, que, somados, não a tornam uma Beta — a “irmã” da protagonista, vinda de outro planeta como outro clone de Elisabeth?

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Parte disso vem da forma como a narrativa é conduzida. O mundo de Horizon sempre teve muito peso. Explicações, passado, tecnologia antiga. Tudo isso sustenta a história, mas também divide espaço com a protagonista. Em vários momentos, o universo fala mais alto do que a própria jornada pessoal dela.

Por esse motivo, o equilíbrio precisa mudar em Horizon 3. O novo capítulo carrega uma responsabilidade clara. Não basta ampliar a ameaça ou aumentar o espetáculo. A história precisa olhar para Aloy com mais atenção, explorar decisões, relações e consequências que definam a personagem de forma direta.

Nêmesis parece ser algo maior que Thanos em Vingadores: Ultimato

A situação fica ainda mais delicada por causa da escala atual. O final de Forbidden West aponta para um conflito muito maior do que qualquer coisa vista antes. Nêmesis parece ser maior que o Galactus, Thanos e outros vilões dos quadrinhos da Marvel. A franquia saiu de perigos regionais para algo com impacto global e intergalático. Esse salto aumenta a expectativa, mas também complica a execução.

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Histórias muito amplas tendem a afastar o foco humano. Quando tudo está em jogo, os detalhes pessoais podem perder espaço. Para Aloy, isso seria um problema. A força da personagem não está só na missão, mas na forma como ela reage ao mundo e às pessoas ao redor. Escolher salvar os seus é algo grande. Mas o grande questionamento é: como?

A Guerrilla Games chega ao terceiro jogo com uma base muito segura. O estúdio já provou domínio técnico e consistência na construção do universo. Falta dar o passo mais difícil: transformar essa estrutura em uma conclusão que marque.

Aloy se perderá em busca do épico?

Horizon 3 surge como esse ponto de virada. Um encerramento bem construído pode colocar Aloy no mesmo nível dos maiores nomes da PlayStation. Sem esse cuidado, o risco é outro. A personagem continua relevante, mas sem aquele momento que define sua posição na história. Tudo pode se perder buscando o épico. E o próximo passo promete ser desafiador em diversos quesitos.

Como Nêmesis será traduzido como inimigo? Ele terá um corpo? Uma forma? Em uma luta final, como Aloy cuidaria dele? Os últimos chefões pareciam os viltrumitas de Invencível, mas tinham a armadura sendo derretida pelo ácido como ponto fraco nisso tudo. Palpável. Faz sentido em questão de descoberta e jogatina. Mas e agora?

O panteão da PlayStation não é formado apenas por protagonistas fortes. Ele é construído por personagens que permanecem na memória. Aloy está perto. O próximo jogo decide se ela atravessa essa linha ou deixa a franquia ser maior que ela com os vários multiplayers sendo produzidos pela gigante japonesa.