O Console Que Mudou Uma Geração
A história do Super Nintendo, é uma daquelas que todo fã de videogame viveu ou conhece pelo menos um pouco. Foi com esse console que a Nintendo sobreviveu à guerra de consoles dos anos 90 e mostrou que sabia se reinventar e continuar como a primeira do mercado. O sucessor do NES foi o console que garantiu a liderança da empresa numa das décadas mais disputadas da história dos games.
Quando o Reinado do Nintendinho Começou a Ser Ameaçado
No final dos anos 80, a Nintendo estava em uma posição confortável no mercado de videogames. O Famicom (no Japão) e NES (no Ocidente) tinham dominado o mercado e ressuscitado a indústria depois do grande crash de 1983. Mario já era um ícone dos jogos, a franquia Zelda crescia em popularidade e tudo parecia sob controle. Mas o mundo dos videogames estava mudando rápido.
Os arcades estavam cada vez mais avançados, computadores ganhavam força e a Sega, que já tinha experiência com fliperamas, começou a agir de forma agressiva. Em 1988, ela lançou no Japão o Mega Drive, um console mais poderoso que o Famicon/NES que foi pensado para uma nova geração de jogadores.
Hiroshi Yamauchi, presidente da Nintendo na época, sabia que não dava para viver de um único sucesso. O NES já estava ficando tecnologicamente obsoleto, e se a Nintendo quisesse se manter na liderança do mercado, precisava dar o próximo passo. Foi aí que começou o desenvolvimento do sucessor do Famicom.

O Nascimento do Super Famicom no Japão
O projeto do novo console começou em 1987, a ideia da Nintendo era criar um videogame mais moderno, sem perder o foco em jogos acessíveis e de qualidade. Enquanto a Sega apostava em velocidade e marketing agressivo, a Nintendo preferiu um caminho mais equilibrado, não era característica da empresa usar markting de guerrilha.
O Super Famicom não tinha o processador mais rápido da geração, mas compensava com um conjunto bem pensado. O sistema gráfico era capaz de exibir mais cores, criar efeitos como rotação e escala de cenários (o famoso Mode 7) com visuais impressionantes para a época. Mas um dos maiores destaques estava no som.
O chip de áudio do console foi desenvolvido pela Sony, com liderança de Ken Kutaragi (o criador do Playstation). Graças a isso, o Super Nintendo tinha músicas com efeitos sonoros digitalizados e trilhas que soavam muito mais limpas quando comparadas ao concorrente. A parceria com a Sony, ironicamente, acabaria mais tarde dando origem ao PlayStation, mas naquele momento ela foi essencial para o sucesso da Nintendo.
O Super Famicom foi lançado no Japão em novembro de 1990, chegando às lojas com um enorme sucesso. Jogos como Super Mario World e F-Zero (usando o Mode 7) deixaram os jogadores impressionados, além disso, outros títulos incluíram Pilotwings, SimCity e Gradius III, que mostravam a capacidade do novo console. Em poucos dias, os estoques se esgotaram, e o novo videogame virou febre entre crianças, adolescentes e até adultos.
A Chegada ao Ocidente e Um Cenário Bem Diferente
Enquanto o Super Famicom dominava o Japão, a situação no Ocidente não era tão simples. Nos Estados Unidos e na Europa, a Sega saiu na frente. O Mega Drive, chamado de Genesis nos EUA, já estava nas lojas desde 1989 e crescia rápido graças a campanhas de marketing e uma imagem mais “adulta e radical” para a época.
O famoso slogan “Genesis does what Nintendon’t” deixava claro que a Sega queria uma disputa de frente com a Nintendo, algo impensável alguns anos antes. Quando o Super Nintendo chegou aos Estados Unidos, em agosto de 1991, já tinha um rival forte e bem estabelecido.
Mesmo assim, a Nintendo apostou na força dos seus jogos. O console chegou com um bundle de Super Mario World, um jogo tão completo que muita gente comprou o videogame só por causa dele. Além disso, o design do aparelho foi adaptado para o público ocidental, com um visual mais robusto e menos colorido que o modelo japonês.
Aos poucos, o Super Nintendo começou a ganhar espaço. A marca Nintendo ainda era muito forte, quem jogava percebia rapidamente que o console entregava algo diferenciado.

A Guerra dos Consoles nos Anos 90
A disputa entre Super Nintendo e Mega Drive virou um espetáculo. A famosa “guerra dos consoles” ficou marcada por propagandas provocativas, comparações técnicas e fãs apaixonados. Pela primeira vez, a Nintendo não reinava sozinha.
A Sega apostava em atitude, velocidade e rebeldia. Sonic the Hedgehog virou o mascote perfeito para essa proposta, enquanto a Nintendo mantinha sua imagem mais familiar, com personagens como Mario, Link e Samus. Cada empresa tinha sua identidade bem definida.
A parceria com a Capcom trouxe os ports de Final Fight e Street Fighter 2 para o Super Nintendo sendo os dois jogos sucessos imediatos, trazendo muitos fãs de arcades para o lado da Nintendo.
Tecnicamente, os consoles eram bem diferentes. O Mega Drive tinha um processador mais rápido, que ajudava em jogos mais ágeis e cheios de ação. Já o Super Nintendo se destacava pelo visual mais colorido, efeitos gráficos avançados e um som superior.
A Nintendo encontrou uma solução criativa para manter o console competitivo: os chips especiais nos cartuchos. O mais famoso deles foi o Super FX, que permitiu gráficos em 3D básicos em jogos como Star Fox. Isso fez com que o Super Nintendo continuasse evoluindo mesmo anos depois do lançamento.
Os Jogos Que Fizeram História
Se existe um motivo definitivo para o Super Nintendo ser tão lembrado, são os jogos. O console recebeu uma quantidade absurda de ótimos títulos, muitos deles considerados obras-primas até hoje.
The Legend of Zelda: A Link to the Past levou a franquia de Zelda a outro nível, com um mundo enorme, dungeons inteligentes e uma história mais complexa e envolvente. Super Metroid criou uma atmosfera única nos jogos, misturando exploração e ação de um jeito que poucos jogos conseguiram repetir.
Quando Donkey Kong Country chegou, muita gente achou que aquilo não era em um console de 16 bits. Os gráficos pré-renderizados impressionaram tanto que o interesse pelo Super Nintendo cresceu em um momento em que a concorrência já falava em próxima geração.
O console virou praticamente imbatível nos RPGs. Final Fantasy VI, Chrono Trigger, Secret of Mana e outros títulos mostraram que videogames também podiam contar histórias emocionantes, com personagens marcantes e trilhas sonoras inesquecíveis. No Japão, isso ajudou o Super Famicon a se tornar o console definitivo desse gênero.

O Reinado da Nintendo
Com o passar dos anos, ficava claro que a Nintendo tinha conseguido seu objetivo. Mesmo com a Sega oferecendo uma forte concorrência, o Super Nintendo conseguiu se manter em primeiro lugar. Sua biblioteca e a qualidade dos jogos fizeram toda a diferença.
No total, o console vendeu mais de 49 milhões de unidades mundialmente, um número impressionante para uma geração tão disputada. O Super Nintendo ajudou o mercado a ter outra visão sobre jogos. Os jogadores que cresceram com o NES agora queriam experiências mais profundas, e a Nintendo soube entregar isso.
A empresa também reestruturou sua imagem. Sem abandonar o público mais jovem, passou a lançar jogos mais complexos, desafiadores e com histórias mais maduras, acompanhando a evolução de quem jogava desde os anos 80.
Conclusão: A Herança do Super Nintendo
Quando os gráficos 3D começaram a dominar a indústria e consoles como PlayStation e Nintendo 64 surgiram, o Super Nintendo já tinha garantido seu lugar na história. Ele não foi apenas um console de sucesso, mas um marco histórico dos videogames.
Até hoje, muitos jogadores consideram essa a melhor fase da Nintendo. Uma época em que as limitações técnicas forçavam a criatividade, e cada jogo parecia feito com extremo cuidado. O Super Nintendo mostrou que não era preciso ser o mais poderoso para ser o melhor.
O Super Nintendo foi o console que manteve a Nintendo no topo durante os anos 90. Um videogame que definiu uma geração, deixando um legado que continua vivo em relançamentos, coleções e na memória afetiva de milhões de jogadores.












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