Um problema que tem preocupado muitos gamers hoje é a questão da posse dos jogos. Cada vez mais as empresas tentam reforçar a ideia de que você não possui o jogo de verdade, mas apenas uma licença de uso. Isso aparece nos contratos de usuário que quase ninguém lê e acabam sendo usados como base para justificar decisões como a remoção de jogos das lojas, gostem os jogadores ou não. Na prática, isso significa que mesmo pagando por um jogo, não existe garantia de que você poderá jogar ele quando quiser no futuro.
Em geral, jogos desaparecem das lojas digitais principalmente por dois motivos: fim de licenças e vendas baixas. Muitas vezes as duas coisas acabam acontecendo juntas. Manter servidores ativos para jogos que venderam pouco e quase não têm jogadores online simplesmente não compensa para as empresas. Além disso, vários jogos dependem de contratos para usar músicas, marcas, carros, atores ou personagens licenciados, e esses contratos precisam ser renovados de tempos em tempos.
Quando um jogo já não gera dinheiro suficiente, renovar esse tipo de licença deixa de fazer sentido. Pagar para continuar usando músicas ou a imagem de pessoas e marcas em um jogo praticamente abandonado vira um custo que não se paga. Por isso, em muitos casos a solução mais simples para as empresas é retirar o jogo das lojas digitais e encerrar de vez os contratos.
Mesmo assim, muitos desses jogos eram bons e ainda têm fãs que queriam jogá-los hoje em dia. Então, vamos falar de jogos que você não pode mais comprar. E se você tiver alguma dúvida ou lembrar de outros jogos que também sumiram, é só deixar um comentário.
Marvel’s Guardians of the Galaxy: The Telltale Series (2017)
Marvel’s Guardians of the Galaxy: The Telltale Series foi lançado em 2017 pela Telltale Games para PC, PlayStation 4, Xbox One e também para celulares, e o jogo segue o mesmo estilo das aventuras que o estúdio ficou famoso por fazer, como The Walking Dead e The Wolf Among Us.
A história coloca o jogador no papel de Peter Quill, o Star-Lord, enquanto o grupo encontra um artefato antigo chamado Eternity Forge, capaz de trazer alguém de volta à vida ou mudar completamente o destino de uma pessoa. Esse poder atrai a atenção de muita gente poderosa universo Marvel, principalmente Hala, a líder do Império Kree, que quer usar o objeto para restaurar seu povo destruído.
A campanha é dividida em episódios e mistura exploração, diálogos com escolhas e cenas de ação com comandos rápidos, decisões que afetam os relacionamentos da equipe e mudam o rumo das coisas ao longo da história (aquela famosa frase “A pessoa vai lembrar disso”).
O jogo foi bem recebido pelos fãs, mas acabou sendo afetado pelo colapso financeiro da Telltale em 2018, o que levou vários títulos do estúdio a desaparecerem das lojas digitais no ano seguinte. Hoje ele só aparece em cópias físicas raras ou por meios alternativos.
Marvel’s Avengers (2020)
Marvel’s Avengers chegou em 2020 com a proposta de levar o absurdamente bem-sucedido MCU para os games, mas, já começou com dois problemas: Não contava com o rosto de seus atores famosos no jogo, como Chris Evans, Robert Downey Jr, Mark Ruffalo e etc, e a decisão de fazer do game um jogo como serviço.
A história começa no chamado A-Day, um evento em San Francisco em homenagem aos Vingadores, mas que termina com uma explosão que destrói parte da cidade e, supostamente, mata o Capitão América. Anos depois surge Kamala Khan, a Ms. Marvel, que descobre uma conspiração envolvendo a corporação AIM e acaba reunindo os Vingadores novamente para enfrentar a organização.
O jogo tinha uma história, mas o principal focava no modo cooperativo e no looter-shooter. As DLCs incluíram personagens como Kate Bishop, Hawkeye, Black Panther e Spider-Man. Mas, mesmo com um orçamento alto e a marca da Marvel, o jogo nunca conseguiu se manter popular por muito tempo. Em 2023 a Square Enix encerrou o suporte e tirou Marvel’s Avengers das lojas e quem não tem não pode comprar mais.
X-Men: Destiny (2011)
X-Men: Destiny foi lançado em 2011 para PlayStation 3, Xbox 360, Wii e Nintendo DS como um RPG de ação ambientado no universo dos X-Men, mas com uma proposta um pouco diferente de outros jogos da franquia. Em vez de controlar personagens famosos, o jogador cria um mutante original que descobre seus poderes em meio a um mundo dividido após a morte do Professor Xavier.
A história é basicamente uma luta entre dois lados: um que tenta seguir a visão pacífica de Xavier e outro que apoia a postura mais radical de Magneto. Durante a campanha é possível escolher entre três protagonistas diferentes e desenvolver habilidades mutantes ao longo da jornada, além de decidir qual lado apoiar no conflito. Apesar da ideia interessante, o jogo acabou recebendo muitas críticas por causa do combate repetitivo e da falta de profundidade.
Em 2014 ele desapareceu das lojas digitais junto com outros jogos da Marvel publicados pela Activision, e o estúdio Silicon Knights ainda enfrentou problemas judiciais envolvendo o uso do Unreal Engine.
Jump Force (2019)
Jump Force foi lançado em 2019 como a celebração dos 50 anos da revista Weekly Shonen Jump, reunindo personagens famosos de mangás como Dragon Ball, Naruto, One Piece, Cavaleiros do Zodíaco, Bleach e Hunter x Hunter. A história mostra uma invasão de vilões ao mundo real, obrigando heróis de vários universos a se unirem para enfrentar os inimigos.
O jogador cria seu próprio personagem e entra para a organização Jump Force, lutando ao lado de figuras conhecidas dessas séries. A jogabilidade segue o estilo de luta em arenas 3D, com batalhas em cenários inspirados em cidades do mundo real (como São Francisco e o México. Onde no México? Não importa. É o México) e você aprendia e combinava os poderes dos personagens, como o Kamehameha, o Rasengan, os Gomu Gomu do Luffy e outros.
Embora a ideia fosse boa, o jogo não chamou atenção como eles queriam e, principalmente por causa do fim dos contratos e licenciamento, Jump Force encerrou as atividades dos servers em 2022 e foi removido das lojas.
Project CARS 3 (2020)
Project CARS 3 chegou em 2020 para PC, PlayStation 4 e Xbox One como uma continuação de uma série que começou com foco forte em simulação de corrida e por tentar reproduzir o comportamento real dos carros nas pistas. Esse foi o principal triunfo da série por anos, mas o terceiro mudou a direção e adotou uma jogabilidade mais acessível.
O jogo traz mais de 200 carros e cerca de 140 circuitos espalhados pelo mundo, com um modo carreira baseado em eventos e desbloqueio de veículos ao longo do jogo. Também dá para personalizar carros e correr em diferentes climas com ciclos de dia e noite durante as corridas.
Porém, os fãs reclamaram da mudança do estilo, que adotou uma jogabilidade mais arcade em vez de manter o realismo que consolidou a franquia.
Em 2025 a Bandai Namco retirou Project CARS 3 das lojas em agosto daquele ano e os servers foram desligados neste ano. O motivo foi, provavelmente, por causa do fim de licenças envolvendo carros e músicas.
Deadpool (2013)
Deadpool foi lançado em 2013 com o mercenário tagarela em jogo de ação em terceira pessoa com humor sarcástico do personagem da Marvel. Desenvolvido pela High Moon Studios e publicado pela Activision, o jogo coloca o anti-herói quebrando tudo, matando inimigos das maneiras mais absurdas possíveis e conversando diretamente com o jogador e fazendo piadas sobre a própria indústria de videogames.
Na história, o próprio Deadpool decide que quer ter seu próprio jogo e simplesmente sequestra um estúdio para obrigá-lo a produzir a ideia. O jogo tem participações de personagens conhecidos dos X-Men, como Wolverine, Psylocke, Rogue e Cable. A jogabilidade mistura combate corpo a corpo com armas de fogo, espadas, pistolas e metralhadoras em combos exagerados e violentos.
Mesmo fazendo sucesso, o jogo sumiu das lojas em 2014, quando o contrato entre Marvel e Activision terminou. Ele voltou por tempo em 2015 e foi removido novamente em 2017. Hoje Deadpool é mais um daqueles jogos que simplesmente não dá mais para comprar nas lojas e quem tem só vende por altos valores.
Spider-Man: Edge of Time (2011)
Assim como Deadpool e outros jogos da Marvel publicados pela Activision, Spider-Man: Edge of Time acabou saindo das lojas em 2014 por causa dos contratos de licenciamento entre as empresas chegou ao fim.
Spider-Man: Edge of Time foi lançado em 2011 pela Beenox e também publicado pela Activision para várias plataformas da época, como PlayStation 3, Xbox 360, Wii, Nintendo DS e 3DS. O jogo era um tipo de continuação de Spider-Man: Shattered Dimensions e vem com dois Homens-Aranha de épocas diferentes na mesma história: Peter Parker, o clássico, e Miguel O’Hara, o Aranha do ano de 2099.
Tudo começa quando Peter Parker morre em um evento que altera a linha do tempo, obrigando Miguel a tentar impedir que isso aconteça.
A narrativa alterna entre os dois heróis, conectando as ações de cada um em momentos diferentes do tempo enquanto enfrentam inimigos e usam suas habilidades especiais diferentes. O combate segue o estilo acrobático típico dos jogos do Homem-Aranha, com bastante uso de teias para explorar os cenários e lutar.
Soulcalibur IV (2008)
Soulcalibur IV foi lançado em 2008 para PlayStation 3 e Xbox 360 sendo o quarto game da franquia de lutas com espadas da Bandai Namco. A história continua girando em torno de duas espadas lendárias, Soul Edge e Soul Calibur, armas que representam forças opostas do bem e mal no jogo.
Enquanto a Soul Edge corrompe a alma de quem a empunha, a Soul Calibur é a única forma de enfrentá-la. Você tem a mesma jogabilidade dos personagens baseadas em um estilo de luta e uma arma, além da possibilidade de derrubar o inimigo das arenas. A maior novidade desse jogo foram os personagens convidados, com Darth Vader e Yoda, da franquia Star Wars, aparecendo como lutadores nas versões de Playstation e Xbox, respectivamente.
Porém, sem avisar ninguém, sem nenhum anuncio formal, Soul Calibur IV sumiu das lojas digitais. Não houve uma explicação de porque o jogo deixou de ser vendido, mas o mais provável seja por causa do fim do licenciamento dos personagens convidados.
Driver: San Francisco (2011)
Driver: San Francisco foi lançado em 2011 para PC, PlayStation 3, Xbox 360 e Wii como uma tentativa da Ubisoft de dar nova vida a uma série que já vinha perdendo força depois de alguns jogos mal recebidos.
A história acompanha o detetive John Tanner perseguindo um criminoso chamado Charles Jericho, mas um acidente o deixa em coma. Nesse estado ele começa a experimentar uma habilidade estranha chamada Shift, que permite assumir o controle de qualquer carro que esteja circulando pela cidade. Com isso você pode mudar de um veículo para outro em segundos durante as missões.
A cidade de San Francisco foi recriada em grande escala, cheia de carros e atividades espalhadas pelo mapa. Mesmo sendo bastante elogiado pela ideia do sistema Shift, o jogo acabou desaparecendo das lojas digitais anos depois, algo que muita gente liga ao fim de licenças de carros e músicas usadas no jogo.
The Crew (2014)
The Crew chegou em 2014 para PC, PlayStation 4, Xbox One e Xbox 360 com uma proposta ambiciosa de jogo de corrida em mundo aberto que recriava os Estados Unidos em versão reduzida. No jogo era possível dirigir de uma cidade a outra atravessando o país inteiro, algo que chamava bastante atenção na época.
A campanha mistura progressão narrativa com corridas multiplayer espalhadas pelo enorme mapa do jogo. Mas, como muitos jogos da época: The Crew exigia conexão constante com a internet, mesmo para quem queria jogar sozinho. Era uma medida antipirataria que forçava o jogador a ficar conectado o tempo todo para validação constante da cópia.
Anos depois isso virou um problema sério, porque quando a Ubisoft desligou os servidores o jogo simplesmente parou de funcionar. Mesmo tendo campanha solo, The Crew se tornou impossível de jogar após o encerramento dessa infraestrutura online. Há, atualmente, projetos que querem colocar o jogo online novamente, mas mesmo assim, não é possível comprar mais o jogo.









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