O gênero de mundo aberto domina a indústria há anos, com gigantes como The Witcher 3, GTA V e Elden Ring sendo referências quase incontestáveis. Porém, além dos holofotes, existe um vasto catálogo de títulos que não alcançaram a mesma fama, mas oferecem experiências únicas, criativas e que merecem a atenção de qualquer jogador. Alguns pecaram no marketing, outros chegaram em momentos errados ou foram ofuscados por concorrentes mais badalados. Mas a verdade é que todos têm qualidades que podem surpreender, seja pela narrativa, gameplay inovador ou ambientação.
A seguir, selecionei dez jogos de mundo aberto pouco populares que valem a pena conhecer. Cada um carrega uma proposta distinta, indo desde ficção científica espacial até mundos de fantasia, passando por aventuras pós-apocalípticas e até experimentos mais artísticos. Talvez você descubra aqui seu próximo título favorito, aquele que passou despercebido, mas que tem potencial para prender você por dezenas de horas.
Star Overdrive
Star Overdrive é um daqueles jogos que pouca gente ouviu falar, mas que traz ideias incrivelmente ambiciosas. Ambientado em um universo futurista cheio de planetas colonizados, o título oferece a mistura de exploração espacial e combate terrestre. Diferente de muitos jogos que focam apenas em um aspecto, ele permite que você pilote naves, explore luas inóspitas e, ao mesmo tempo, viva aventuras em cidades futuristas cheias de intrigas políticas.
O ponto forte é a sensação de escala. A cada viagem entre sistemas, o jogador percebe como o universo do jogo é vasto, mas também cheio de detalhes. Apesar de não ter o polimento de produções maiores, o game compensa com liberdade criativa, permitindo que você siga a carreira de mercenário, comerciante, explorador ou até pirata intergaláctico.
A narrativa não é linear, mas sim moldada pelas escolhas, o que cria uma experiência personalizada. Os gráficos podem não impressionar tanto comparados a jogos AAA, mas a direção artística compensa, trazendo cenários que lembram ilustrações de ficção científica clássica.
Star Overdrive talvez não esteja no radar dos grandes portais, mas para quem gosta de RPGs e exploração espacial, é uma joia escondida que merece ser experimentada.

Sand Land
Sand Land nasceu do mangá de Akira Toriyama, criador de Dragon Ball. Mesmo com esse pedigree, o jogo passou meio batido. Situado em um deserto árido e devastado, ele mistura elementos de RPG com ação em mundo aberto. A proposta é colocar o jogador na pele de Beelzebub, um príncipe demoníaco carismático que se une a humanos para sobreviver em um mundo onde a água é um recurso escasso.
A ambientação é o grande diferencial: o deserto não é apenas cenário, mas um personagem vivo, repleto de perigos e mistérios. A exploração é feita tanto a pé quanto em veículos personalizados, que podem ser melhorados para enfrentar inimigos ou atravessar terrenos inóspitos. Esse sistema de veículos dá ao jogo uma identidade única, diferenciando-o de outros RPGs mais tradicionais.
A narrativa equilibra humor e crítica social, refletindo sobre desigualdade, poder e sobrevivência, mas sempre com o estilo leve e caricato de Toriyama. Apesar disso, a jogabilidade também oferece momentos desafiadores, principalmente nos combates contra inimigos maiores.
Embora não tenha atingido grande popularidade, Sand Land é uma experiência singular, especialmente para fãs do estilo artístico do mangaká. Ele mostra que mundos abertos podem ser criativos e compactos, sem precisar de centenas de horas para conquistar o jogador.

The Saboteur
Lançado em 2009, The Saboteur foi ofuscado por outros grandes títulos de sua época, mas é uma das experiências mais criativas dentro do gênero de mundo aberto. Ambientado na França ocupada pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, o jogo coloca o jogador no papel de Sean Devlin, um irlandês envolvido na resistência.
O diferencial do título está na sua direção artística. Regiões dominadas pelo inimigo aparecem em tons de preto e branco, com detalhes em vermelho e dourado, uma metáfora visual da opressão nazista. Conforme o jogador liberta áreas, as cores vibrantes retornam, criando um impacto emocional que vai além da jogabilidade.
No gameplay, The Saboteur mistura ação furtiva, tiroteios intensos e mecânicas de sabotagem. Você pode infiltrar bases, explodir instalações ou usar disfarces para enganar soldados. Essa liberdade faz cada missão parecer orgânica, oferecendo várias formas de cumprir objetivos.
Embora tenha recebido críticas por bugs e falta de polimento, o jogo é lembrado por sua ousadia estética e pelo charme de seu protagonista. Hoje, ele é quase um título cult, que merece ser redescoberto pelos fãs de narrativas históricas misturadas com ação em mundo aberto.

Red Faction: Guerrilla
Red Faction: Guerrilla trouxe uma proposta inovadora que ainda hoje se destaca: a destruição totalmente dinâmica de cenários. Ambientado em Marte, o jogo coloca o jogador como parte de um grupo rebelde que luta contra uma corporação opressora.
O que mais impressiona é a física. Cada prédio, torre ou estrutura pode ser destruído peça por peça, permitindo que você derrube bases inimigas de maneiras criativas. Isso adiciona uma camada estratégica rara em jogos de mundo aberto. Ao invés de simplesmente atirar, você pode derrubar uma ponte inteira sobre um comboio inimigo ou explodir colunas de sustentação para demolir prédios.
Além disso, o jogo oferece um vasto mapa de Marte, com regiões variadas, que vão desde desertos vermelhos até instalações industriais. A campanha mistura ação explosiva com momentos de guerrilha, dando ao jogador a sensação de ser parte de um movimento revolucionário.
Embora não tenha alcançado o sucesso de outros jogos de tiro em terceira pessoa, Red Faction: Guerrilla conquistou uma base fiel justamente por sua inovação. Hoje, é lembrado como um clássico cult que ainda inspira debates sobre física e destruição em jogos digitais.

Rage 2
Rage 2 nasceu da colaboração entre id Software e Avalanche Studios, trazendo um mundo aberto caótico e colorido. Apesar disso, acabou recebendo pouca atenção e críticas mistas no lançamento. No entanto, para quem gosta de ação frenética, é uma experiência que vale muito a pena.
O jogo se passa em um futuro pós-apocalíptico, onde facções violentas disputam poder. A jogabilidade é seu ponto forte: os combates são intensos, rápidos e repletos de habilidades especiais. Misturando tiroteios clássicos da id Software com exploração em veículos do estúdio Avalanche, o game entrega momentos de pura adrenalina.
O mundo, apesar de irregular em densidade de conteúdo, é divertido de explorar. Há mutantes grotescos, ruínas de cidades e bases inimigas espalhadas pelo mapa. A sensação de liberdade para causar caos é grande, especialmente com armas criativas e poderes que deixam os combates mais variados.
Embora tenha falhado em apresentar uma narrativa envolvente, Rage 2 compensa com gameplay sólido e estilizado. Se você procura um jogo de mundo aberto que privilegie ação insana e diversão imediata, ele é uma escolha certeira.

Blacktail
Blacktail é um dos jogos mais recentes da lista, mas ainda é pouco conhecido. Ele mergulha o jogador em uma releitura sombria do folclore eslavo, colocando-o no papel de Yaga, uma jovem que pode se tornar a lendária Baba Yaga.
O mundo aberto é mágico e assustador ao mesmo tempo, repleto de florestas misteriosas, criaturas fantásticas e uma atmosfera que mistura conto de fadas e terror psicológico. A direção artística é impressionante, com visuais estilizados que criam uma experiência quase onírica.
A jogabilidade mistura exploração, combate com arco e feitiçaria, além de escolhas morais que moldam a jornada de Yaga. O sistema de karma faz com que cada decisão influencie como o mundo reage a você, reforçando o dilema entre luz e escuridão.
Embora seja um título indie, Blacktail demonstra um nível de cuidado artístico e narrativo que rivaliza com produções maiores. É um jogo que pede para ser explorado com calma, apreciando cada detalhe do ambiente e da história. Para quem busca algo diferente dos mundos abertos tradicionais, é uma experiência memorável.

Outward
Outward é um RPG de mundo aberto que aposta na imersão e no realismo. Diferente de jogos onde o jogador é um herói predestinado, aqui você é apenas uma pessoa comum tentando sobreviver em um mundo hostil.
O grande destaque é o foco na sobrevivência: você precisa gerenciar fome, sede, temperatura e até doenças. Viagens longas exigem preparo, com mochilas carregadas de suprimentos, tendas e equipamentos. Essa abordagem torna cada jornada uma verdadeira expedição, cheia de riscos e recompensas.
O sistema de combate é mais cadenciado e exige estratégia, lembrando jogos soulslike. Além disso, o título pode ser jogado em cooperativo, online ou em tela dividida, o que intensifica a sensação de aventura compartilhada.
Apesar de não ter gráficos impressionantes, Outward se destaca pela profundidade e pela sensação única de estar realmente vivendo naquele mundo. Não é um jogo para todos, mas para quem gosta de desafios e realismo, é uma das experiências mais autênticas no gênero.

Osiris: New Dawn
Entre os jogos de sobrevivência espacial, Osiris: New Dawn é um dos menos comentados, mas que oferece ideias fascinantes. Nele, o jogador assume o papel de um explorador tentando colonizar um planeta alienígena hostil.
A exploração é o coração do jogo. Você precisa coletar recursos, construir bases, enfrentar criaturas alienígenas e lidar com o ambiente inóspito. A sensação de isolamento é palpável, reforçada pela vastidão das paisagens e pelo perigo constante.
O sistema de construção é robusto, permitindo criar abrigos, veículos e até colônias inteiras. Há também elementos de RPG, com progressão de habilidades e especializações. Jogar em grupo amplia ainda mais as possibilidades, já que o trabalho em equipe é essencial para sobreviver.
Embora tenha enfrentado críticas por problemas técnicos e falta de polimento, Osiris: New Dawn oferece uma experiência única para fãs de exploração espacial. É um jogo que recompensa a paciência e o planejamento, criando a sensação de realmente estar colonizando outro mundo.

Elex 2
Da mesma desenvolvedora de Gothic e Risen, Elex 2 dá continuidade ao seu universo de ficção científica e fantasia. Apesar de não ter alcançado grande repercussão, é um RPG de mundo aberto ambicioso, com escolhas complexas e liberdade de exploração.
O jogo mistura elementos de tecnologia futurista e magia, criando um cenário único. O protagonista Jax precisa unir facções rivais contra uma ameaça alienígena, e cada decisão do jogador influencia nas alianças e nos rumos da história.
A exploração é vertical e dinâmica, graças ao jetpack, que permite alcançar lugares de forma criativa. O combate, embora criticado por alguns, tem profundidade e recompensa quem aprende suas nuances.
Assim como outros jogos da Piranha Bytes, Elex 2 exige paciência, mas oferece uma sensação de progressão gratificante. É o tipo de jogo que não segura a mão do jogador, mas entrega liberdade real.
Para fãs de RPGs que valorizam escolhas e mundos densos, Elex 2 é um título que merece mais reconhecimento.

Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning
Kingdoms of Amalur foi originalmente lançado em 2012, mas só ganhou nova vida com o remaster Re-Reckoning. Mesmo assim, continua sendo um título subestimado no gênero de RPGs em mundo aberto.
O destaque é o sistema de combate, considerado um dos mais dinâmicos e satisfatórios já feitos em RPGs ocidentais. Ele mistura fluidez de jogos de ação com profundidade de customização de habilidades, permitindo criar estilos únicos de personagem.
O mundo de Amalur é vasto e colorido, cheio de reinos, masmorras e histórias secundárias bem construídas. A lore foi criada por R.A. Salvatore, renomado autor de fantasia, e isso se reflete na riqueza dos detalhes narrativos.
Mesmo não tendo alcançado o sucesso de títulos como Skyrim, Kingdoms of Amalur oferece centenas de horas de conteúdo de qualidade. O remaster trouxe melhorias gráficas e ajustes de jogabilidade, tornando-o mais acessível para novos jogadores.
Se você gosta de RPGs de mundo aberto, mas procura algo fora do circuito tradicional, Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning é uma escolha certeira.

Conclusão
Os jogos de mundo aberto mais populares costumam ocupar todo o espaço nas discussões, mas essa lista mostra como existem pérolas escondidas que valem a atenção. Cada um desses títulos traz ideias originais, sejam narrativas ousadas, sistemas de gameplay diferenciados ou mundos únicos para explorar.
Explorar além do mainstream pode render experiências inesperadas e, muitas vezes, memoráveis. Afinal, o prazer dos games está também em descobrir aquilo que passou despercebido, mas que pode se tornar inesquecível.
— Comentários 0
, Reações 1
Seja o primeiro a comentar