The Rogue Prince of Persia surgiu como um experimento ousado: uma reimaginação da série Prince of Persia em formato roguelike 2D, desenvolvida pela Evil Empire, estúdio derivado dos criadores de Dead Cells e publicada pela Ubisoft. A abertura em acesso antecipado ocorreu em maio de 2024 no Steam, seguido por um ciclo de feedback intenso que resultou em mais de quinze atualizações antes do lançamento completo em 20 de agosto de 2025 para PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC.
O jogo também chegou em Day One ao Xbox Game Pass nessa data, com versões para Nintendo Switch e Switch 2 previstas para chegar ainda em 2025.
Essa estratégia de lançamento reforça o quanto a Ubisoft buscou testar novos territórios para a série, entregando uma proposta diferente e moderna, mas sem abrir mão da identidade que consolidou o legado do príncipe ao longo das décadas.
Estilo visual e sonoro
O estilo artístico do jogo se destaca de imediato. O visual cartunesco, que se assemelha a quadrinhos, é colorido e vibrante, mas também carrega uma sutileza elegante que dá vida à ambientação persa. Os cenários parecem pulsar com energia, quase como se fossem personagens dentro da narrativa. A fluidez do parkour é potencializada pelo estilo gráfico, criando uma harmonia entre arte e jogabilidade que deixa o título atrativo ao público.
A trilha sonora é outro destaque, a fusão de instrumentos tradicionais persas com batidas eletrônicas modernas cria uma atmosfera empolgante. A música se torna viciante, permanecendo na mente mesmo após desligar o console. É uma das trilhas mais marcantes da série, porque consegue equilibrar tradição cultural e modernidade, trazendo a imersão do universo do jogo.

Jogabilidade e mecânicas principais
O coração do jogo é sua jogabilidade. O príncipe corre pelas paredes, salta, escala, rola e ataca inimigos com uma fluidez impressionante. É impossível não comparar essa sensação com a liberdade de movimento encontrada em Dead Cells, mas aqui ela ganha uma roupagem única, marcada pelo parkour como elemento central da exploração. Esse sistema é o grande diferencial: onde outros roguelikes se apoiam na pura agilidade, The Rogue Prince of Persia exige criatividade para usar os cenários ao seu favor.
O combate é direto, mas profundo. O arsenal do príncipe é composto por armas primárias, como espadas, machados e garras, e secundárias, como arcos e projéteis. Essa variedade permite que o jogador escolha o estilo de luta que mais se adequa à sua abordagem. Além disso, há os medalhões, que funcionam como habilidades passivas. Com quatro slots disponíveis, é possível combiná-los e criar sinergias interessantes, algo que nos faz querer experimentar várias combinações.
A estrutura é de um rogue-lite clássico. Cada morte reinicia a jornada, mas o progresso não é perdido: o príncipe retorna ao hub chamado Oásis, onde pode comprar itens, desbloquear melhorias e interagir com personagens que ampliam o pano de fundo narrativo. Essa progressão lenta, mas constante, cria a sensação de que cada tentativa importa, mesmo quando não há vitória.
Os níveis são gerados proceduralmente, oferecendo biomas distintos e desafios variados. Cada cenário tem sua própria identidade visual e mecânica de obstáculos, o que evita a monotonia. Na versão inicial, havia apenas seis biomas e dois chefes, mas com as atualizações o conteúdo cresceu bastante, dobrando a quantidade de áreas, armas e inimigos. Essa constante evolução mostra o comprometimento do estúdio em manter o jogo fresco e desafiador ao longo do tempo.

Narrativa e ambientação
A história de The Rogue Prince of Persia é propositalmente simples, funcionando mais como pano de fundo para a ação do que como um enredo cinematográfico. Ctesiphon está sob invasão dos hunos, que utilizam uma magia sombria para subjugar a cidade. O príncipe, preso em um looping temporal, precisa encontrar uma forma de quebrar esse ciclo e salvar seu povo.
A narrativa é entregue por meio de diálogos escritos e interações com personagens no Oásis, o jogo não possui dublagem. Isso pode afastar alguns jogadores que buscam maior imersão, mas também reforça o foco central do jogo: o ciclo de tentativa e erro que guia tanto a jogabilidade quanto a trama. O enredo, portanto, se torna funcional, dando apenas o necessário para contextualizar a jornada e deixando o resto a cargo da ação.

Pontos Positivos e Negativos
Um dos maiores méritos do jogo é a jogabilidade. A fluidez do parkour combinada com combates ágeis gera uma sensação única de movimento e poder, algo que raramente é alcançado em roguelikes. Cada parede escalada, cada salto bem executado e cada esquiva no momento certo reforçam a ideia de que o jogador está realmente no controle do príncipe.
Outro ponto de destaque é o estilo artístico. Diferente de muitos títulos que buscam realismo ou minimalismo, aqui temos uma identidade visual vibrante, colorida e com personalidade própria. Essa direção artística não só diferencia o jogo dentro da franquia, mas também o coloca em posição de destaque no cenário indie e AA.
A trilha sonora é um espetáculo à parte. O Compositor Daniel Asadi conseguiu criar composições que unem tradição e modernidade, trazendo autenticidade cultural sem prescindir da intensidade que um jogo de ação exige. É uma das trilhas que mais se sobressaem nos últimos anos dentro do gênero.
O sistema de progressão também merece elogios. O loop de morte e retorno ao Oásis dá propósito a cada tentativa, enquanto os medalhões oferecem variedade e criatividade para criar estratégias. A cada run, o jogador sente que está evoluindo, seja em habilidades ou em conhecimento sobre os cenários e inimigos.
Por fim, o comprometimento da Evil Empire com a comunidade é notável. O jogo recebeu diversas atualizações significativas antes do lançamento completo, incorporando feedback de jogadores. Isso demonstra um cuidado raro em grandes franquias e mostra como a desenvolvedora respeita a base de fãs.
Pontos de melhoria
Apesar dos acertos, The Rogue Prince of Persia não é perfeito. O primeiro ponto a ser mencionado é a limitação de conteúdo inicial. Nos primeiros meses em acesso antecipado, os jogadores se depararam com pouca variedade de biomas e inimigos, o que levou à sensação de repetição. Embora isso tenha sido corrigido em parte com atualizações, ainda há espaço para mais diversidade.
Outro aspecto criticado foi a precisão dos controles. Em alguns momentos, o parkour parecia “grudar” demais nas paredes ou não responder com a suavidade esperada, prejudicando trechos que exigiam alta precisão. Esse tipo de detalhe, em um jogo onde movimento é tudo, pode gerar frustração.
A progressão de medalhões, embora divertida, também carece de maior profundidade. Muitas combinações ainda parecem superficiais e pouco impactantes, tornando algumas runs previsíveis. Uma expansão desse sistema pode ampliar ainda mais a rejogabilidade.
Também foram relatados problemas técnicos, como travamentos e bugs ocasionais em menus e fases mais avançadas. Nada que comprometa totalmente a experiência, mas suficiente para gerar desconforto em alguns jogadores.
Por fim, a ausência de dublagem diminui a imersão da narrativa. Embora não seja o foco do título, ouvir as vozes dos personagens poderia dar mais vida à trama e aproximar os jogadores da história.

Atualizações e Futuro do Jogo
O lançamento completo trouxe grandes melhorias em relação à versão de acesso antecipado. Novos biomas, chefes adicionais, conclusão do arco narrativo e ajustes no equilíbrio tornaram o pacote muito mais robusto. Além disso, as atualizações anteriores já haviam adicionado dezenas de armas, inimigos e refinamentos gráficos.
O estúdio já demonstrou disposição em continuar expandindo o jogo, dependendo da receptividade do público. Se o sucesso for mantido, é possível esperar novas áreas, inimigos, modos e até conteúdos temáticos que ampliem a longevidade do título. Essa estratégia pode consolidar The Rogue Prince of Persia como uma das experiências roguelike mais completas da atualidade.
Comparativo com a série e o legado
Este jogo representa uma quebra de paradigma dentro da série Prince of Persia. Enquanto títulos anteriores focavam em narrativas lineares, manipulação do tempo e combates em terceira pessoa, aqui temos um mergulho em um gênero que prioriza aleatoriedade, repetição e habilidade pura.
Ainda assim, ele preserva a essência da franquia. O parkour, a ambientação persa e o desafio baseado em destreza estão todos presentes. A grande diferença é que agora esses elementos são reorganizados em um formato mais moderno, inspirado pelo sucesso de roguelikes recentes.
De certa forma, The Rogue Prince of Persia funciona como um laboratório criativo para a Ubisoft, permitindo experimentar ideias ousadas sem comprometer as raízes da franquia. É um lembrete de que mesmo séries clássicas podem se reinventar de formas inesperadas, mantendo sua relevância no cenário atual.

Conclusão
The Rogue Prince of Persia é um ótimo jogo que combina tradição e inovação de maneira surpreendente. Sua jogabilidade fluida, estilo artístico e trilha sonora tornam a experiência única. Apesar das limitações iniciais de conteúdo e alguns problemas de precisão nos controles, o jogo demonstra enorme potencial e já se mostrou como uma das experiências roguelike mais interessantes da atualidade.
Para os veteranos da série, ele oferece uma nova perspectiva sobre o príncipe, sem abandonar o DNA que fez da franquia um clássico. Para fãs de roguelikes, entrega um sistema de movimentação criativo e um ciclo de progressão sólido que justifica horas de dedicação.
Mais do que apenas um spin-off, The Rogue Prince of Persia representa um passo para o futuro da série. Se a Ubisoft e a Evil Empire continuarem a investir em expansões e atualizações, este jogo pode não apenas marcar uma fase experimental, mas também se tornar um novo pilar dentro do universo do príncipe.
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