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Review - Mixtape: música, (muito) drama adolescente e visual incrível

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Mixtape é um jogo sobre amizade, despedidas e todas as bobagens que parecem gigantes quando somos adolescentes. Confira nossa análise e veja se o jogo merece entrar na sua playlist!

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revisado por Romeu

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Sobre Mixtape

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Mixtape nos leva para o último dia juntos de um trio de adolescentes na cidadezinha de Blue Moon Lagoon, no norte da Califórnia. Confira nossa análise dos diferentes aspectos do jogo abaixo!

Ficha técnica

- Lançamento: 07 de maio de 2026

- Desenvolvedora: Beethoven and Dinosaur

- Distribuidora: Annapurna Interactive

- Gênero: Aventura, Narrativo, Indie

- Duração média: 3 horas

- Plataformas: PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2

Trailer oficial

Analisando o jogo

Personagens e narrativa

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A personagem principal, Stanford, tem uma relação especial com a música e elabora trilhas sonoras especiais para cada momento. Isso torna a trilha do jogo uma questão especial, e cada capítulo tem sua música principal.

O sistema episódico do jogo é interessante, pois mesmo que o foco seja o último dia de Stacey na cidade, acessamos outros momentos da vida do trio principal através de lembranças. E cada um deles também tem trilhas sonoras específicas.

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O conflito principal deveria ser a partida de Stacey, a meu ver, mas os conflitos entre Cassandra e o pai dela também chamam muita atenção com o desenrolar do jogo. Ela aparece ali, tímida, e a narrativa vai nos mostrando por que ela queria se rebelar e como ela vai lidar com o pai.

Embora Stacey seja aparentemente o foco, Cassandra rouba a cena. Talvez por conta de que quase todo adolescente um dia quis se rebelar contra os pais, ou não concordasse com eles, ou quisesse fazer coisas diferentes e não pudesse (e mesmo assim fugiu de casa escondido algumas vezes para fazê-lo).

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E temos Slater, que não chama tanta atenção durante o jogo. Slater é um aspirante a músico, mas não tem coragem de mostrar suas músicas ao mundo. Ele e Stacey têm uma ótima amizade (em alguns momentos fiquei em dúvida se eles se gostavam, ou se Slater escondia sentimentos mais acalorados por Stacey), mas acaba ficando um pouco apagado na história, seguindo as garotas e apoiando Stacey.

É interessante como cada um dos três tem gostos em comum, mas também alguns bem diferentes, com foco em coisas diferentes, e mesmo assim acabam se entendendo, conversando por aí e… fazendo coisas de adolescente. Claro.

Adolescente fazendo coisas de adolescente

O jogo acaba apelando para um sentimento mais presente em adultos por conta da nostalgia de ser um adolescente fazendo merda por aí, independentemente do motivo.

Quando, já adultos, lembramos dessa época, às vezes bate um sentimento de “aquela foi ou poderia ter sido a melhor época da minha vida e eu nem sabia disso”.

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Um dos exemplos é o próprio começo do jogo. Eles estão andando de skate por aí, e você controla Stacey… aí você bate num carro, sem querer, e o jogo rebobina para um momento em que você ainda está vivo. Ou tem o primeiro beijo.

Aí tem fugas da polícia em um carrinho de supermercado, com um toque de humor e uma arte incrível.

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E meu momento favorito: alugar filmes bêbado, derrubando tudo em seu caminho. Muita coisa de adolescente que agora é adulto! Agora nem existem mais lojas de aluguel de filmes, no máximo temos a Netflix, mesmo.

Juntando essas bobagens de jovem com a narrativa dramática, eu entendi a ideia do jogo. De verdade. Mas eu não consegui me envolver tanto com todo esse drama. A arte é incrível e os gráficos são lindos, a trilha sonora é maravilhosa, mas a história dos adolescentes conversando sobre pegação e querendo decepcionar os pais, para mim, ficou um pouco dramática demais no lugar errado.

Sim, adolescentes são dramáticos. Mas ver eles fazendo essas bobagens por aí por três horas e sofrendo por coisas simples me deu um pouco de agonia. O jogo não deixa de ser lindo e as músicas incríveis, mas todo esse drama, sem ser uma história realmente envolvente e sim várias discussões e momentos da vida deles, me deixou um pouco frustrada. Talvez eu esperasse demais de um jogo feito para falar de um momento simples: o de partir de casa pela primeira vez, as incertezas sobre o futuro na juventude… pela narrativa dos adolescentes.

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Drama. Muito drama.

Jogabilidade

O jogo possui foco na narrativa e nas memórias, emoções e histórias do trio. A parte “jogável” é com algumas interações bastante simples, com uma interface limpa e com poucos comandos.

São vários “minigames” diferentes, como controlar Stacey andando de skate (o foco é não morrer atropelada), tirar fotos com uma câmera ou gravar vídeos, achar pistas pelo quarto, ou simplesmente andar um pouco pela floresta…

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E tem alguns momentos em que temos interações muuuuito simples, como andar e pular, que fazem parte da beleza do jogo, para você se sentir ali dentro daquele momento.

Pensando bem, a parte interativa do jogo é para isso: você manter o foco na história e não se desconectar dela, sentindo que faz um pouquinho de parte de tudo aquilo que está acontecendo. Nisso, creio que funciona bem.

Trilha sonora e gráficos

Cada música que compõe a seleção de Rockford é real e muito bem escolhida para cada momento (como a própria Rockford faria, afinal).

Há algumas bandas mais conhecidas, como The Cure e Smashing Pumpkins, mas as desconhecidas também cativam muito e trazem sentimentos e/ou combinam com os momentos narrativos do jogo. O marketing envolvendo trilha sonora e até mesmo o nome do jogo faz jus a uma promessa que foi cumprida!

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Além disso, a parte visual do jogo combina muito com a trilha sonora. O estilo de arte mais despojado e colorido, descontraído e com detalhes, ajuda demais a fazer com que o jogo se torne marcante e chame atenção.

Muitos momentos e cenas são construídos para deleite visual, com luzes dramáticas, cenas “mágicas” e fogos de artifício. E funciona bem. Principalmente se considerarmos que são lembranças e que adolescentes vivem tudo intensamente, toda a magia faz sentido.

Prós e Contras

Prós

- Narrativa bem construída sobre amizade

- Trilha sonora impecável

- Direção artística incrível, que combina com a proposta do jogo

- Abordagem emocional que pode gerar identificação com jogadores mais velhos e nostalgia

Contras

- Gameplay muito simples e pouco desafiador

- Duração curtíssima, com menos de três horas

- O impacto emocional pode não funcionar com todos, principalmente com quem é mais novo

- Adolescentes fazendo coisas de adolescente o tempo todo

Conclusão: vale a pena jogar Mixtape?

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Mixtape é um jogo que apela para a narrativa emocional sobre um momento incerto que todos passamos. Nisso, ele funciona muito bem, ainda mais com a trilha sonora perfeitamente alinhada ao estilo de arte.

Em alguns momentos, eu me incomodei com todo o drama adolescente, pois o foco está muito nisso. Mas a trilha sonora e a arte compensaram todo esse “drama”. Principalmente o deleite visual que o jogo proporciona em muitos momentos, que não deixa que a narrativa fique tediosa.

Se você procura jogos onde suas ações mudam a história, ou que você vai ter uma supergameplay, talvez você se decepcione. O foco aqui é puramente emoção e narrativa. Algo para você desligar um pouco o cérebro e viver a história do jogo com calma (até porque a duração é curta).

Se você procura algo mais descontraído e deleite visual, trilhas sonoras boas e algo para terminar em um dia, recomendo!

Nota: 8 de 10.