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Jogos Online que Marcaram Gerações

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Hoje, jogar online é algo tão comum que parece impossível imaginar videogames sem partidas multiplayer, eventos ao vivo, temporadas, crossplay ou comunidades gigantescas. Mas nem sempre foi assim.

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revisado por Romeu

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Houve uma época em que entrar em um mundo online era novidade, jogar com desconhecidos parecia mágica e passar a madrugada em uma lan house disputando uma partida de Counter-Strike era um evento quase ritualístico.

Dos primeiros MMORPGs em PCs modestos até fenômenos globais como Fortnite, League of Legends e Genshin Impact, os jogos online mudaram completamente a forma como as pessoas jogam, socializam e até acompanham entretenimento.

Alguns criaram gêneros inteiros, outros popularizaram ideias que hoje parecem básicas, e vários deles ultrapassaram a bolha gamer para se tornar parte da cultura pop. Vamos falar desses jogos online que marcaram a história dos jogos multiplayer e, se você ficar com dúvidas, é só deixar um comentário.

Ultima Online

Ultima Online é um MMO RPG inovador para a sua época e, em seu site oficial, era descrito como “um mundo sandbox expansivo, com crafting, construção de casas e liberdade para o jogador moldar a própria história”. Hoje, casas, crafting e mundo aberto são regras para um bom MMORPG, mas nem sempre foi assim. E Ultima Online foi um dos primeiros a trazer tudo isso junto a um jogo massivo.

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A sinopse dele é simples, mas enorme em consequência: você entra em Britannia e passa a existir dentro de um mundo medieval de fantasia em que a sua trajetória depende de exploração, comércio, combate e convivência com outros jogadores. Não é uma história fechada no estilo singleplayer; é uma fantasia de vida paralela, e foi exatamente isso que fez o jogo abrir caminho para o que viria depois.

Ele trouxe, lá no ano de 1997, um mundo persistente em que a vida do personagem continuava existindo mesmo quando o jogador se desconectava do game — algo que ainda hoje é a base de praticamente todo online de grande escala. O que torna Ultima Online um dos MMO mais relevantes da história foi a ideia de viver em um mundo compartilhado, com economia, casa, profissão e interação social como parte central da experiência.

Na prática, Ultima Online foi um dos nomes que ajudaram a definir o que o MMO moderno seria.

Tibia

Durante o final dos anos 1990 e o começo dos anos 2000, na época em que as lan houses eram a principal forma de a maior parte do público brasileiro acessar a internet e a velocidade não era tão alta como hoje, jogos online com gráficos simples que consumiam poucos dados eram a principal forma de os jogadores se divertirem online. E Tibia era um dos reis nesse quesito: a limitação gráfica era um dos fatores que mais davam uma identidade visual muito única ao game.

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Bonecos que pareciam estar deitados, gráficos simples e coloridos faziam de Tibia um MMO diferente de tudo que existia na época. Enquanto os jogos ficavam tridimensionais, aproveitando o surgimento de tecnologias cada vez mais avançadas, Tibia se mantinha fiel a seu estilo e com foco no conteúdo e nas coisas a serem descobertas.

A história de Tibia é a de um mundo de fantasia medieval em que o jogador cria seu personagem e ganha força por meio de exploração, caça e sobrevivência. Ele não depende de uma grande campanha cinematográfica; o enredo está no próprio mundo, nas cidades, nas criaturas e na sensação de existir em um lugar hostil, onde perder o personagem significa perder muito tempo e esforço. Foi isso que ajudou o jogo a criar uma relação quase ritual com sua base de jogadores.

League of Legends

Se existe um jogo online que marcou a história e popularizou um gênero amado por muitos e odiado por muitos outros, esse jogo é League of Legends, o famoso LoLzinho. O jogo não foi o primeiro MOBA da história, mas foi o grande responsável por transformar o gênero em um fenômeno mundial. Pergunte para alguém que nem acompanha tanto videogame assim se conhece algum MOBA, e provavelmente a resposta será LoL.

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Embora o gênero tenha outro gigante disputando espaço, Dota 2, a Riot Games conseguiu transformar League of Legends em algo muito maior do que apenas um jogo online. Hoje, a franquia tem jogo de luta, RPG isométrico, banda virtual, grupo de idols e até uma série de enorme sucesso na Netflix, Arcane.

Se você perguntar por aí, muita gente conhece personagens como Jinx, Vi ou Caitlyn — até mesmo pessoas que nunca jogaram LoL — enquanto apenas os jogadores mais hardcore de MOBA sabem o nome de alguém de Dota 2.

League of Legends também se tornou um dos maiores nomes dos esports e ajudou a popularizar campeonatos profissionais no mundo inteiro, criando para muita gente o sonho de viver dos jogos competitivos da mesma forma que gerações anteriores sonhavam em se tornar jogadores de futebol.

StarCraft

StarCraft não foi apenas um RTS popular. Ele foi um dos pilares da cultura competitiva online moderna. Lançado originalmente em 1998, o jogo se tornou gigantesco principalmente na Coreia do Sul, onde ajudou a moldar o nascimento dos esports profissionais como conhecemos hoje. Transmissões televisivas, jogadores celebridades, equipes patrocinadas e arenas lotadas começaram a ganhar força justamente durante a era StarCraft.

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O diferencial de StarCraft estava no equilíbrio quase absurdo entre as raças. Cada facção jogava de maneira completamente diferente, exigindo estilos próprios de estratégia, gerenciamento e execução. Isso transformou o jogo em um fenômeno competitivo, porque habilidade mecânica, leitura tática e velocidade de raciocínio faziam enorme diferença nas partidas.

O impacto histórico dele vai muito além do RTS. StarCraft ajudou a estabelecer conceitos que hoje fazem parte da estrutura dos esports modernos. A própria ideia de assistir a jogadores profissionais competindo em alto nível ganhou força gigantesca graças ao sucesso do jogo na Ásia. Além disso, Warcraft III, também da Blizzard, serviria de base para o mod Defense of the Ancients, origem do gênero MOBA. Ou seja, parte do DNA competitivo online moderno passa diretamente pela era dos RTS da Blizzard.

Fortnite

Fortnite é outro que não é o primeiro, mas um dos maiores e que mais se destacou no mundo dos jogos online multijogador, explodindo tanto na bolha de jogadores quanto na de não jogadores. A campanha original, Save the World, é uma experiência cooperativa PvE em que o jogador enfrenta hordas de monstros, constrói fortificações, coleta materiais e resgata heróis. Já o Battle Royale se tornou a face mais famosa do jogo.

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Fortnite é aquele tipo de jogo que, mesmo quem não joga, já ouviu falar, viu um vídeo ou ouviu falar de algum megaevento. E Fortnite é praticamente o Super Bowl dos games quando se trata de eventos e crossovers.

Pense em alguma grande franquia ou personagem da cultura pop. Ele provavelmente já esteve em Fortnite! Pense em alguma celebridade mundialmente conhecida, virtual ou real. Ela provavelmente já esteve — ou, pelo menos, especularam sobre ela — em Fortnite.

Os nomes que já estiveram envolvidos no jogo e o tornaram o grande fenômeno que é hoje vão de Sabrina Carpenter, Mariah Carey e Lady Gaga a Star Wars, God of War, Os Simpsons, Family Guy, Rick and Morty, Dragon Ball, Naruto, Marvel e DC, Hatsune Miku e muito mais. E se você pensou em cantores como os Beatles, Michael Jackson e Madonna: eles ainda não estiveram em Fortnite, mas não se surpreenda se um dia você os vir pulando do Ônibus de Batalha.

Overwatch

Outro da lista de “não foi o primeiro, mas é o maior”. A Blizzard novamente conseguiu pegar conceitos de vários games, como Team Fortress, misturar a lógica dos MOBA com FPS, criar um bando de personagens carismáticos com poderes únicos e ultimates, e dar uma cara tão nova a um gênero que essa cara se tornou o rosto oficial dos Hero Shooters. Mesmo com Marvel Rivals, Valorant, Paladins e outros, Overwatch ainda é um dos maiores e mais reconhecíveis jogos desse estilo.

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A história de Overwatch acontece em um futuro em que a humanidade enfrentou uma crise global causada por robôs conhecidos como Omnics. Para combater essa ameaça, foi criada a Overwatch, uma força internacional formada por soldados, cientistas, agentes especiais e aventureiros de diferentes partes do mundo. Mesmo depois do fim da guerra, conflitos políticos, terrorismo e disputas globais continuam ameaçando a paz, levando antigos membros da organização a retornarem à ativa.

O grande diferencial do jogo está nos heróis. Cada personagem possui habilidades próprias, função específica e estilo completamente diferente de gameplay. Alguns são focados em cura, outros em defesa, mobilidade, dano explosivo ou controle de área. Isso fez Overwatch se destacar porque ele não era apenas “um FPS”; ele misturava elementos de MOBA, jogos de equipe e shooters tradicionais em um formato mais acessível e visualmente marcante.

Mesmo que, com o lançamento de Overwatch 2 (que apenas pegou a base do primeiro e refinou alguns elementos, mesmo com certos ajustes que o público não aprovou), o jogo tenha perdido parte de sua popularidade, não dá para negar que ele ainda é um sinônimo de Hero Shooter.

Dragon Collection

Dragon Collection é importante porque ele não foi apenas “mais um jogo mobile”. Ele ajudou a transformar o gacha em modelo dominante. Antes dele, jogos sociais mobile existiam, mas ainda eram vistos como experiências simples e passageiras.

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O sucesso gigantesco do jogo mostrou que sistemas baseados em coleção aleatória, progressão contínua e eventos constantes podiam prender jogadores por anos e gerar uma economia absurda dentro do mercado mobile. Diversos estudos sobre monetização em jogos japoneses usam Dragon Collection como exemplo central da explosão do “kompu gacha”, sistema que acabou se tornando tão lucrativo e controverso que gerou até mudanças regulatórias no Japão.

A história do jogo gira em torno de aventureiros que exploram ruínas, enfrentam monstros e colecionam criaturas lendárias para fortalecer suas equipes. O foco, porém, nunca foi a narrativa cinematográfica. O verdadeiro coração do jogo era o loop de progressão social e coleção. O jogador passava o tempo reunindo cartas raras, evoluindo monstros, participando de eventos temporários e enfrentando outros usuários em batalhas automáticas. Parece simples hoje, mas esse formato se tornou a espinha dorsal de uma indústria inteira.

O impacto histórico dele é enorme porque praticamente estabeleceu várias das bases do gacha moderno: banners de sorteio, raridade de personagens, eventos limitados, incentivo à coleção completa e monetização baseada em chances aleatórias. Mesmo jogos gigantes atuais ainda seguem estruturas muito parecidas com as que Dragon Collection ajudou a consolidar.

Genshin Impact

Embora o gênero gacha já fosse relativamente popular no Ocidente, Genshin Impact certamente transformou o gacha em fenômeno mainstream fora do nicho mobile. O game contou com vários fatores de lançamento típicos de um AAA: crossplay entre plataformas mobile, PC e console, uma estrutura gigantesca por trás do jogo, lançamento global simultâneo e uma produção e qualidade técnica que, até então, não eram vistas em games desse gênero.

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Genshin Impact é tão impressionante para um game gacha que, em seu lançamento, foi comparado fortemente a The Legend of Zelda: Breath of the Wild. Tanto que Sonyistas chegaram a quebrar seus PlayStation 4 na frente do estande da Hoyoverse em protesto por conta dessas semelhanças. Porém, com protesto ou sem, Genshin Impact é um sucesso e já ganhou diversos prêmios no The Game Awards em categorias como Melhor Jogo Mobile ou o Player’s Voice, sem contar as várias indicações.

Com quase seis anos de seu lançamento, o jogo continua expandindo o mundo de Teyvat, recebendo novos personagens e eventos, modos de jogo e um universo dinâmico e vivo. A jornada de Lumine, Aether e Paimon e dos outros mais de oitenta personagens já lançados pode estar chegando ao fim, mas é improvável que a Hoyoverse deixe esse universo morrer tão cedo.

Counter-Strike

Outro que foi uma febre sem tamanho durante a era das lan houses no Brasil. Os chamados “corujões” que reuniam jogadores para virar a madrugada jogando CS eram os embriões do que viriam a ser os campeonatos de esports no Brasil, com a criação de clãs, cenário competitivo, rivalidade e times.

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A premissa é simples: terroristas e contra-terroristas se enfrentam em objetivos como plantação de bomba ou resgate de reféns. Não existe campanha narrativa elaborada; a história acontece dentro das próprias partidas. Ainda assim, o jogo construiu uma identidade gigantesca por meio dos mapas, da tensão das rodadas e do foco extremo em habilidade.

O que fez Counter-Strike marcar geração foi a combinação de simplicidade com profundidade absurda. O jogador aprende rápido o básico, mas dominar movimentação, recuo, posicionamento, economia e leitura de mapa exige centenas ou milhares de horas. Isso ajudou o jogo a criar uma cena competitiva extremamente forte, tanto profissional quanto casual.

O impacto cultural dele foi gigantesco. Counter-Strike ajudou a consolidar a cultura de clãs, campeonatos locais, cyber cafés e esports no Ocidente. Muita gente teve o primeiro contato com multiplayer competitivo por meio do CS.

Quake III Arena

Aqui, vamos fazer uma observação importante: embora Quake III Arena tenha sido lançado originalmente em 1999 para PC, a versão de Dreamcast lançada nos anos 2000 foi a primeira experiência multiplayer em um console doméstico parecida com o que temos hoje, com lobby, chat de texto e combate PvP em tempo real com pessoas do mundo inteiro.

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Antes do Dreamcast, a Sega e a Nintendo já tinham tentado fazer experiências de conectar seus consoles à internet, como o Mega Net, um cartucho que permitia aos jogadores usar a internet para acessar e-mails e até acessar a conta no banco do Bradesco. E o Famicom, o console 8 bits da Nintendo, teve no Japão, exclusivamente, uma função online que permitia baixar jogos em um cartucho reutilizável (tanto que existem jogos que hoje estão inacessíveis porque foram feitos exclusivamente para esse modelo).

Depois disso, Phantasy Star Online, também no Dreamcast, foi uma das primeiras experiências de multiplayer em um jogo no estilo MMORPG parecida com a que temos hoje em dia em um console. Então, se hoje você tem um modo online para jogar no seu console, foi o Dreamcast — o console mais audacioso da Sega — quem engatinhou para que seu PlayStation 5 pudesse correr.