"Temos que Pegar" é uma frase que ficou famosa entre o público jovem dos anos 1990 e seguiu com ele até os dias de hoje! Quem assistiu ao anime quando Pokémon estreou na TV Record provavelmente viu de perto toda a evolução da franquia, conheceu os monstrinhos originais e os viu aumentar de 150 para mais de mil!Foram 30 anos de sucesso, com jogos de cartas, spin-offs, filmes de cinema e muito mais. E é claro, ao longo de sua trajetória de sucesso, Pokémon também coleciona problemas que quase acabaram com a franquia antes dela chegar ao estrelato.Para você que não conhece ou para quem quer relembrar algumas das várias controvérsias que acompanharam Pikachu e seus amigos ao longo dos anos, nós vamos relembrar algumas das principais polêmicas, desde problemas jurídicos, censuras e muito mais. E, se você tiver alguma que ficou de fora, deixe nos comentários.Episódios cortadosPokémon sempre passou por adaptações antes de chegar ao Brasil. Primeiro a exibição original no Japão, depois a chegada aos Estados Unidos, depois o resto do mundo. Nesse caminho, muita coisa era alterada, cortada ou simplesmente ignorada. E quem assistia percebia que "ficou faltando alguma coisa" ali.Um dos casos mais clássicos é o episódio da "Lenda de Dratini", aquele em que Ash captura os 30 Tauros. Durante muito tempo isso não fazia sentido para quem acompanhava o treinador de Pallet desde o começo. Em um dia ele não tinha nenhum Tauros e, depois, ele tinha vários. Quando e como eles foram capturados? A resposta era: um episódio foi completamente cortado do anime.O motivo: havia armas de fogo envolvidas nele. Em um momento, um velho aponta uma espingarda para Ash, a Equipe Rocket aponta armas para o velho e outras cenas do tipo foram consideradas inadequadas. Veja abaixo um exemplo:Um momento em que o anime de Pokémon 'furou a bolha' do público otaku foi com o episódio do Porygon. "O Guerreiro Eletrônico Porygon" exibia uma sequência com luzes piscando de forma intensa e rápida, e isso acabou causando crises epiléticas em várias crianças no Japão. Algumas foram hospitalizadas e o assunto ganhou uma repercussão enorme.A partir daí, começaram a exibir avisos antes dos episódios, recomendando assistir em ambientes bem iluminados. O episódio não foi mais exibido em nenhum outro país e acabou sendo considerado um episódio perdido, mas hoje é até possível encontrá-lo na internet.Outro caso de "episódio perdido" foi o episódio do concurso de beleza na praia, quando James aparece usando um biquíni com seios exagerados. Embora ele apareça em vários momentos vestido de mulher durante o anime, como um disfarce, o exagero de deixá-lo com seios maiores do que os de Jessie acabou fazendo o episódio desaparecer da grade de exibição.Outro episódio que deixou de ser exibido é o "Natal da Jynx", em que os heróis ajudavam o Papai Noel a recuperar os brinquedos roubados pela Equipe Rocket.O Pokémon Jynx foi considerado problemático por sua aparência, de pele preta e lábios vermelhos carnudos, o que remete ao "blackface" (quando uma pessoa branca pinta o rosto para interpretar o papel de alguém negro de forma estereotipada). Essa associação a estereótipos racistas fez com que o design da Jynx mudasse completamente, tanto no anime quanto nos jogos, para uma pele roxa.O episódio 64, onde é apresentado o Pokémon Passimian em Pokémon the Series: Sun & Moon, também foi retirado da exibição por causa do "blackface". Ash pintava a cara para se passar por um Pokémon, mas as redes de TV nos Estados Unidos consideraram o episódio problemático, e ele ficou de fora da grade por muitos anos.Mudanças de DesignNos mangás, Pokémon também teve mudanças. Por exemplo, isso aconteceu no trabalho do autor Toshihiro Ono em "Electric Tales of Pikachu". O mangaká tem um estilo bastante próprio, enfatizando Pokémon fofos e garotas bonitas. Quando esse material foi publicado fora do Japão, ele passou por alterações feitas pela Editora Viz Media, que foi a responsável pela publicação fora do país.Em alguns casos, páginas inteiras foram modificadas ou removidas, alterando roupas, poses ou contexto das histórias. Em muitos casos, as mudanças eram mais sutis, mas ainda assim bem perceptíveis quando você compara a versão editada com a original.Também existe o caso da personagem Olivia, de Pokémon Sun and Moon, uma das "Kahunas de Aloha" (o equivalente à Elite Four). No original, seu visual é bastante típico para pessoas que vivem em regiões tropicais, com roupas mais leves e curtas. Ainda assim, na versão adaptada dela para o anime, fizeram mudanças como uma pele mais clara, as roupas foram modificadas e algumas características físicas foram reduzidas.Como dito antes, Jynx também foi alterada. A pele preta foi alterada para roxa, evitando a associação ao blackface e a estereótipos raciais.Um dos casos mais conhecidos de mudança de design foram as "ocidentalizações" que aconteceram ao longo dos anos, eliminando elementos culturais japoneses e substituindo-os por elementos tipicamente ocidentais. Como, por exemplo, Brock dizendo que gostava de "bolinhos recheados de geleia" enquanto segurava um tradicional onigiri, o famoso bolinho de arroz japonês. O episódio 118 de Pokémon the Series: Ruby and Sapphire também teve uma mudança de design, apagando um onigiri e substituindo o tradicional bolinho por um sanduíche genérico.ReligiãoPor se tratar de uma cultura bastante diferente da cultura ocidental, é normal que animes retratem espíritos ou mesmo entidades sobrenaturais como personagens ou coadjuvantes. Ouvir um anime falando sobre "demônios" é algo bastante comum. Isso porque, no Japão, eles encaram essa palavra de forma diferente de como o termo é tratado em religiões cristãs.Então, quando temos Pokémon fantasmas, um Pokémon como Giratina, que é o "Senhor do Mundo Distorcido", é comum haver atrito com religiões que consideram o anime inadequado para crianças e associam-no à magia e ao ocultismo.Phil Arms, um pastor protestante norte-americano, foi um dos críticos mais conhecidos de Pokémon, com alegações de que o anime promovia ocultismo, a evolução como substituto da criação divina que as criaturas tinham "poderes espirituais". No Brasil, religiosos como Marco Feliciano e Valdomiro Santiago também foram vozes que associavam os animes ao ocultismo.Por outro lado, nem todas as entidades religiosas eram contrárias aos monstrinhos de bolso. Com o lançamento de Pokémon GO, algumas igrejas no Brasil perceberam que eram pontos importantes, como PokéStops e Ginásios, dentro do jogo e passaram a usar isso como forma de atrair pessoas.Placas convidando os jogadores a entrar, conhecer, ver as obras dentro das igrejas ou simplesmente aproveitar um minuto de reflexão eram vistas e incentivavam a visitação. Claro, sempre pedindo respeito ao ambiente e às missas, mas esses locais incentivavam o público a conhecer e apreciar o lugar em vez de rejeitar o possível jogador em busca de Pokémon.Problemas JurídicosA Nintendo é famosa no quesito processos judiciais contra outros jogos ou empresas quando tem algo que se parece com as suas propriedades e marcas, como foram os casos dos processos contra Palworld e até contra um supermercado na Costa Rica chamado Super Mario. Porém, outras empresas e pessoas também acionam a Nintendo na justiça.Um dos casos mais famosos é o da ONG de proteção aos animais, a PETA. A organização criticou Pokémon, dizendo que o jogo incentivava maus-tratos aos animais e, para reforçar essa ideia, criaram versões próprias parodiando os jogos, mostrando os Pokémon machucados e sendo explorados.A campanha buscava criticar o tratamento dado aos Pokémon e como isso poderia influenciar pessoas no mundo real, mas a forma como foi feita fez com que o público ficasse contra a PETA e a favor da Nintendo. A ONG também declarou seu prédio como um "santuário seguro" para Pokémon de Pokémon GO, dizendo que lá eles não poderiam ser capturados.Outra história curiosa envolve o médium Uri Geller, que ficou conhecido principalmente nos anos 1980 e 1990 por dizer que tinha poderes psíquicos e por entortar colheres. Famoso em programas de TV, era frequentemente visto entortando metal ou fazendo alguma outra coisa com seus poderes paranormais.Em determinado momento, ele decidiu processar a Nintendo alegando que o Pokémon Kadabra era baseado nele. A semelhança do Pokémon segurando uma colher e até com o nome original do personagem, "Yungerer" no japonês, entrou na discussão. Isso acabou resultando em anos sem novas cartas de Kadabra sendo lançadas para o jogo de cartas colecionáveis. Só muito tempo depois a situação foi resolvida, quando o próprio Geller voltou atrás e desistiu do processo.Mais recentemente, o jogo Pokémon GO mostrou um tipo diferente de problema. O jogo trouxe o universo Pokémon para o mundo real e, com isso, surgiram situações que ninguém estava esperando.Houve pessoas atravessando a rua sem prestar atenção, pessoas jogando enquanto dirigiam e até casos de invasão de propriedade que terminaram em tragédias. Em algumas situações, criminosos usaram o próprio jogo para atrair vítimas. Além disso, certos locais começaram a receber grandes concentrações de pessoas, o que gerou preocupação. A empresa precisou intervir com avisos e ajustes para tentar controlar a situação. Foi um momento que deixou claro que o impacto de Pokémon já não estava mais limitado à tela.Outro caso, famoso nas redes sociais no ano de 2016, envolveu Pokémon GO e o Museu do Holocausto nos EUA. Pessoas iam lá jogar e capturar Pokémon, já que o lugar havia virado um PokéStop, e isso obrigou a organização do Museu a pedir que a Niantic removesse os pontos de interesse do jogo do museu. Porém, o que mais chamou a atenção desse caso foi a suposta aparição de Koffing e Weezing no local. Os Pokémon do tipo venenoso, que atacam com fumaça, causaram indignação do público ao aparecerem lá.Contudo, isso nunca foi confirmado. Havia sim um PokéStop no museu, e a organização solicitou sim a retirada dos pontos virtuais para a desenvolvedora, mas nunca foi confirmado que os Pokémon venenosos apareciam por lá. Portanto, a parte mais polêmica da história nunca foi oficialmente confirmada.ConclusãoPokémon sempre manteve a imagem de algo leve, simples e acessível. Mas, olhando com mais atenção, é possível ver que a história da franquia é cheia de ajustes, conflitos e decisões que nem sempre foram tão simples assim.E talvez seja exatamente isso que faz com que ela tenha durado tanto tempo. Essa capacidade de se adaptar, mesmo quando isso significa passar por algumas polêmicas no caminho, acabou sendo parte do que manteve Pokémon relevante por tantos anos.
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