Pokémon é um sucesso inegável. Fazendo aniversário de 30 anos, se você mostrar qualquer um dos monstrinhos para alguém mais velho, como sua mãe ou até avó, ela provavelmente vai dizer “é um Pikachu, não é?” se referindo ao mascote amarelo da franquia. Mesmo que ela não saiba o que são os Pokémon, onde se joga ou o nome de criaturas específicas, nesses trinta anos, a franquia se tornou um ícone mundial dos games ao lado de grandes astros como Mario e Sonic.
No Guinness Book, o Livro dos Recordes, você vai encontrar, entre outros, o recorde de Série de RPG mais vendida, com mais de 485 milhões de jogos vendidos até dezembro de 2024. Isso sem contar os produtos licenciados de Pokémon que vão de cartas colecionáveis a brinquedos, pelúcias e muito mais. Pokémon é uma febre. Mas você sabe como começou essa febre? Sabe sobre as origens que vieram dos insetos e dominaram o mundo? Vamos falar sobre os 30 anos de Pokémon e, se você ficar com dúvidas, é só deixar um comentário.
Um menino e seus insetos
Pokémon começou como uma ideia de Satoshi Tajiri. Ela foi inspirada por sua infância, quando se divertia caçando insetos e os colecionando em sua cidade natal, Setagaya, que fica nos arredores de Tóquio.

Junto do amigo Ken Sugimori, Satoshi criou o fanzine Game Freak nos anos 1980, onde escrevia sobre games de que gostava e dava dicas e detonados de jogos. Com Ken, que ilustrou os 151 primeiros Pokémon, Satoshi criou seu próprio estúdio de jogos e transformou aquela lembrança de infância em um jogo onde criaturas podiam ser capturadas, treinadas e trocadas entre jogadores.
Quando o portátil da Nintendo chegou ao mercado, Satoshi achou que o console era perfeito para o jogo, já que os Link Cable do console permitiam que os jogadores trocassem monstrinhos, e começou a trabalhar no game focado no hardware da Nintendo. Inicialmente, ele achava que a empresa não entenderia o projeto e o recusaria, mas ele estava enganado. Então, em 27 de fevereiro de 1996, chegaram ao Japão os jogos Pocket Monsters, em duas versões com monstrinhos exclusivos e que só poderiam ser conseguidos através da troca: Red e Green.
Este lançamento marcou o início de um fenômeno que cresceu muito além dos videogames. Pouco depois, versões como Pokémon Yellow ajudaram a expandir ainda mais o sucesso da série, acompanhando o crescimento da franquia ao longo das gerações e o sucesso do anime lançado em 1997.
No jogo, o jogador assume o papel de uma criança de dez anos na Vila Pallet, na região de Kanto, com o objetivo de se tornar campeão da Liga Pokémon. Chamado de “Satoshi”, o criador disse que aquele era basicamente “ele mesmo, só que pequeno”.
Você precisa capturar criaturas, enfrentar líderes de ginásio e derrotar a Equipe Rocket, um grupo que rouba Pokémon fortes de outros treinadores, tudo em batalhas por turnos que envolvem bastante estratégia e tipos elementais como Fogo, Água e Pedra. Também existe a Pokédex, uma biblioteca que armazena informações sobre as criaturas e incentiva os jogadores a buscarem todas.

As Gerações
Sendo um sucesso de vendas e público, criando uma enorme mania mundial que chegou a até aparecer na capa da revista Time, é claro que Pokémon teria sequências. Cada novo game introduziu uma série de novos monstrinhos que expandiu o mundo de Pokémon a níveis indispensáveis. Se você, GenOner (assim como eu) sabia de cor o nome de todos os 151 monstrinhos, hoje isso não cobre nem metade do total de Pokémon que existe por aí. Vamos falar de cada uma das gerações:
Geração 1 Kanto (Game Boy, 1996): Red/Green/Blue/Yellow
Aqui a mecânica era básica: capturar, treinar e batalhar. Você é um jovem treinador que atravessa a região de Kanto e enfrenta oito ginásios para ganhar as insígnias e ter o direito de desafiar a Elite Four e o Campeão pelo título de “Mestre Pokémon”, enquanto enfrenta a organização criminosa Equipe Rocket e completa a sua Pokédex. Anos mais tarde, foram lançados os remakes LeafGreen e FireRed.
Geração 2 Johto (Game Boy Color, 1999-2000): Gold/Silver/Crystal
Desenvolvidos por Game Freak para Game Boy Color. Introduziram cem novos Pokémon (levando o total a 251), o sistema de relógio interno (dia/noite, estações do ano), sistema de criação/breeding e novos Pokémon iniciais. Agora em Johto (inspirada no Japão rural), o novo protagonista viaja para se tornar Campeão e completar a Pokédex, enfrentando uma nova Equipe Rocket que surge dos remanescentes da anterior, além de ser possível explorar as áreas de Kanto após o jogo principal.
Geração 3 Hoenn (Game Boy Advance, 2002-2003): Ruby/Sapphire/Emerald
A Game Freak agora introduz 135 novos Pokémon (total 386). Ambientada em Hoenn (inspirada em regiões insulares tropicais do Japão), apresenta clima dinâmico, Pokémon selvagens com habilidades especiais passivas, e duas facções rivais (Equipe Magma/Aqua) que disputam dominar o clima do mundo. O personagem da vez percorre Hoenn, desafia ginásios, e tenta deter a Equipe Magma (que quer expandir a terra reduzindo o volume de água do mundo) e Equipe Aqua (que quer expandir os mares e alagar o mundo), e capturar os lendários Kyogre e Groudon. Vale destacar que nesta era também surgiu o spin-off; Pokémon Emerald foi uma versão especial de Ruby/Sapphire.
Geração 4 Sinnoh (Nintendo DS, 2006-2009): Diamond/Pearl/Platinum
Game Freak lançou estes jogos no Nintendo DS, introduzindo mais 107 Pokémon novos (total 493). As inovações incluíram gráficos 3D, conexão Wi-Fi para batalhas e trocas online em vez do cabo, além da Pokédex avançada. A história se expande com elementos mitológicos de Giratina, e o treinador enfrenta a Equipe Galactic, cujo líder quer recriar o universo usando os Pokémon lendários Dialga e Palkia, além das tradicionais lutas em ginásios. Depois dos créditos, você pode explorar a região de Kanto novamente, refeita com base nos remakes HeartGold/SoulSilver, de 2009, com gráficos 3D e conteúdo extra.
Geração 5 Unova (Nintendo DS, 2010-2012): Black/White/Black2/White2
Game Freak apresenta mais 156 novos Pokémon (total 649) e o primeiro arco totalmente narrativo da franquia. Em Black/White, você conhece a Equipe Plasma, que quer libertar os Pokémon dos humanos, acreditando que eles são tratados como escravos. O protagonista enfrenta a Equipe Plasma para mostrar que eles estão errados. Novamente, você vence ginásios em Unova (baseada em Nova York) e captura os lendários Reshiram e Zekrom. Os remakes Black 2/White 2, de 2012, são uma continuação direta, permitindo encontrar Pokémon inéditos e novos desafios.
Geração 6 Kalos (Nintendo 3DS, 2013-2014): X/Y
Game Freak lançou o jogo no Nintendo 3DS, dessa vez com gráficos totalmente em 3D, e adicionou mais 72 Pokémon (total 721) e introduziu as Mega Evoluções, transformações temporárias em batalha que aumentam muito os poderes dos monstrinhos. Ambientado em Kalos (inspirado na França), o treinador luta em ginásios e enfrenta a Equipe Flare, que busca usar o lendário Xerneas ou Yveltal para remodelar o mundo. O jogo enfatizou a personalização do avatar e teve a primeira Champions Cup multiplayer global.
Geração 7 Alola (Nintendo 3DS, 2016-2018): Sun/Moon/Ultra Sun/Ultra Moon
Desenvolvidos para 3DS, estes jogos foram sinônimo de inovação no design. Introduziram 81 novos Pokémon (total 802) e as variações regionais, exclusivas de Alola, que modificam aparência e poderes de antigos monstrinhos. Em Alola (baseada no Havaí), o jogador participa de desafios regionais em vez de ginásios tradicionais, enfrentando a Equipe Skull e o projeto Ultra (Ultra Beasts). Houve também uma releitura — Ultra Sun/Moon — com enredo expandido.
Geração 8 Galar (Nintendo Switch, 2019-2020): Sword/Shield
A Game Freak migrou a série para o Nintendo Switch e adicionou 81 novos Pokémon (total 898) e a mecânica Dynamax/Gigantamax (que aumenta temporariamente o tamanho das criaturas em batalha). Na região de Galar (inspirada no Reino Unido), o protagonista disputa a liga e enfrenta a Equipe Yell que protege sua “Rainha Pokémon”, que é a rival do jogador. Sword/Shield permitiu explorações na Área Selvagem (Wild Area) com mundo aberto parcial e multiplayer online.
Geração 9 Paldea (Nintendo Switch, 2022): Scarlet/Violet
No Switch, a Game Freak oferece o primeiro RPG de mundo aberto completo. Scarlet/Violet traz mais 113 novos Pokémon (total 1015) e a habilidade Terastal, além de Pokémon regionais de Paldea (Espanha) e histórias de escolas rivais. A história também se divide em três caminhos principais, incluindo a tradicional jornada pelos ginásios, conflitos com a Team Star e uma trama mais pessoal envolvendo a Área Zero.
Geração 10 (Nintendo Switch 2, prevista para 2027): Winds/Waves
A décima geração de Pokémon foi anunciada oficialmente em fevereiro de 2026 durante o evento de 30 anos da franquia. Os novos jogos se chamam Pokémon Winds e Pokémon Waves e estão previstos para 2027, sendo os primeiros títulos principais desenvolvidos para o sucessor do Switch, conhecido como Switch 2. A nova região será um arquipélago tropical inspirado no Sudeste Asiático, com várias ilhas e áreas submarinas exploráveis. Browt (o “Canarinho pistola” de planta), Pombon (o “cachorrinho de madame” de fogo) e Gecqua (a lagartixa de água) são os novos iniciais.
Spin-Offs
Além dos jogos principais, a franquia produziu inúmeros spin-offs que aproveitam diferentes gêneros e plataformas.
Entre os mais famosos, destacam-se Pokémon Snap (Nintendo 64, 1999), um jogo de fotografia de Pokémon em seu habitat natural; Pokémon Stadium (N64, 1998/2000) que trouxe batalhas em 3D nos consoles domésticos e eram conectados aos jogos de portátil; e a série Pokémon Mystery Dungeon (GBA/DS), uma linha de roguelikes onde o jogador é transformado em Pokémon.
Essas experiências expandiram o universo e criaram pontes entre consoles: por exemplo, Stadium permitia ligar o Game Boy para usar os Pokémon treinados em Kanto/Johto em lutas 3D, estratégia que manteve jogadores envolvidos no ecossistema Pokémon.
O spin-off Legends: Arceus (2022, Switch) permite ao jogador viajar ao passado de Sinnoh (era Hisui) e montar a primeira Pokédex, com mecânica de captura emergente. Essas versões de nova geração reforçaram a tendência open world e deram início à era pós-3DS.
Além de games fora dessas plataformas, Pokémon Trading Card Game é um sucesso entre os amantes de jogos de cartas colecionáveis, com campeonatos mundiais que dão prêmios em dinheiro com valores que superam os milhares de dólares. Outro spin-off de sucesso mundial é Pokémon Go, que usou a tecnologia de realidade aumentada para trazer os Pokémon para o mundo real através da tela do celular. O sucesso de Pokémon GO ultrapassou um bilhão de downloads, levando a marca para ainda mais gente.
Durante a oitava geração, também foram lançados Pokémon Let’s Go, Pikachu/Eevee para Switch em 2018, remakes de Red/Blue voltados para iniciantes, integrados a Pokémon GO. Não havia batalhas contra Pokémon selvagens, apenas capturas e lutas nos ginásios e contra players online.
Anime, Filmes e Mangá
O anime foi essencial para espalhar Pokémon pelo mundo. A série começou em abril de 1997 no Japão, acompanhando Ash Ketchum e seu Pikachu desde Pallet Town, e virou um sucesso enorme, com mais de 1.200 episódios exibidos em dezenas de países. Ao longo dos anos, a história acompanhou as regiões dos jogos e apresentou personagens marcantes como Misty, Brock, May, Serena e outros, além de novos rivais e vilões, mas sempre mantendo os clássicos Jessie, James e um Meowth falante da Equipe Rocket. Em 2023, após décadas, Ash finalmente venceu um campeonato mundial, fechando um ciclo importante.
Os filmes também ajudaram a manter o ritmo da franquia, começando com Mewtwo Strikes Back em 1998, que foi um grande sucesso nos cinemas. Depois vieram outras produções com aventuras envolvendo os Pokémon lendários de cada jogo, e em 2019 saiu Detective Pikachu, um filme com atores reais, com Justice Smith, Kathryn Newton e Ryan Reynolds nos papéis principais, que fez muito sucesso e chamou atenção até de quem não acompanhava a série.
Nos mangás, Pokémon Adventures, ilustrado por Satoshi Yamamoto, ganhou destaque por adaptar as histórias dos jogos de forma mais próxima da ideia original, contando com diversos volumes adaptando as histórias em várias gerações do game e trazendo um panteão de Pokémon para os mangás. O criador dos games já declarou que esse mangá é o mais próximo do que ele imaginou originalmente para a franquia.

Outro mangá de destaque, que chegou a ser publicado no Brasil, foi Pokémon: The Electric Tale of Pikachu. Desenhado por Toshihiro Ono, este mangá se destaca pelo traço do autor. Roupas provocantes dividiam as páginas com incríveis batalhas e até um pouquinho de sangue, para mostrar que mesmo no mundo Pokémon ferimentos graves aconteciam. Os quatro volumes publicados no Brasil foram alterados para deixar o mangá mais “amigável” para as crianças pequenas.
Legado Cultural e Comercial
Ao longo de três décadas, Pokémon deixou de ser um jogo simples de Game Boy para se tornar uma das maiores franquias do entretenimento. Hoje, já passou de US$ 100 bilhões em faturamento, com centenas de milhões de jogos vendidos e um número gigantesco de cartas circulando pelo mundo.
O impacto cultural é enorme. Pikachu virou um símbolo reconhecido no mundo inteiro, e a franquia influenciou vários outros jogos ao longo dos anos. Até na ciência Pokémon já apareceu, inspirando nomes de espécies descobertas recentemente. Por trás disso tudo, existe um sistema bem organizado que conecta jogos, anime, cartas e produtos, fazendo um alimentar o outro o tempo todo.
Mesmo após tantos anos, Pokémon continua forte. A série mistura novidades com elementos clássicos, mantendo a base de sempre enquanto testa ideias novas. Em 2026, a franquia chega aos 30 anos ainda relevante, mostrando como conseguiu atravessar gerações sem perder espaço.
E você? Qual é o seu jogo preferido de Pokémon? Qual seu filme preferido? Qual o seu monstrinho preferido? Deixe aí nos comentários.









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