Antigamente, poucos games davam espaço para romances ou casais. A maior parte deles estava preocupada com a ação, em andar da esquerda para a direita, pular buracos e derrotar inimigos. Mesmo quando o objetivo da aventura era salvar a pessoa amada, o jogo em si quase nunca explorava esse relacionamento. O romance existia, mas ficava sempre em segundo plano.Em alguns casos, ele aparecia rapidamente logo no começo da aventura, como em Alex Kidd in Shinobi World. Em outros, só voltávamos a ver a pessoa que nosso personagem amava no final do jogo, normalmente durante a última luta contra o chefe, como acontecia em Super Mario, onde a princesa estava sempre em outro castelo.Hoje a situação é bem diferente. Os jogos passaram a contar histórias muito mais complexas e os relacionamentos deixaram de ser apenas uma recompensa no fim da aventura para se tornarem parte importante da narrativa e, em alguns casos, o próprio foco da história. Então, seja em jogos antigos ou nos mais recentes, os casais sempre estiveram presentes nos videogames. Alguns marcaram época, outros ajudaram a quebrar tabus e alguns simplesmente conquistaram os jogadores pelo carisma. Vamos relembrar dez dos casais mais interessantes dos games e entender por que eles ficaram tão marcados.Jumpman e PaulineCriado em 1981, no arcade Donkey Kong, Mario, antes chamado de Jumpman, tinha uma namorada chamada Pauline e ela tinha que ser resgatada do gorila Donkey Kong. Essa foi a primeira história de um casal documentada nos games. Pena que não era necessariamente a mais original, afinal, Donkey Kong nasceu da tentativa de criar um jogo do Popeye que nunca deu certo.Mario terminando com a Pauline do canal DorklyQuando a Nintendo não conseguiu garantir os direitos do marinheiro para fazer o game, eles mudaram a estratégia e criaram novos personagens. Então trocaram alguns sprites e cores, transformaram Olivia Palito em Pauline e Brutus em Donkey Kong. Pauline, mais tarde, foi substituída e hoje ela é a prefeita de Donkey City e canta para seus cidadãos. Mario segue ajudando-a eventualmente, mas o relacionamento acabou.Chloe e MaxUm dos primeiros casais LGBTQIA+ que oficialmente apareceram em um jogo. Life is Strange, de 2015, publicado pela Square Enix, traz uma narrativa extremamente emocionante, cheia de reviravoltas e escolhas que fazem a diferença no final do jogo. Acompanhamos Max Caulfield, uma jovem estudante de fotografia que volta para sua cidade natal após anos e reencontra sua amiga de infância, Chloe Price, em meio a uma busca por alguém que desapareceu.Max tem um estranho poder de voltar no tempo por alguns segundos e ajuda Chloe em sua investigação, além de salvar a vida dela em vários momentos. No final, um furacão está prestes a destruir a cidade de Arcadia Bay e Max deve escolher salvar a cidade e todos lá ou sua amiga/namorada Chloe. Embora Max possa escolher ter um romance com um garoto, o romance com Chloe se tornou uma das mais famosas marcas da franquia, sendo revivido no jogo Life is Strange: Reunion.Sonic e Amy RoseEmbora eles nunca tenham sido oficializados pela SEGA como um casal, é evidente que Amy Rose gosta muito do ouriço e o Sonic, apesar de não ter sentimentos românticos por ela, gosta muito de Amy e se arrisca por ela. É o tipo de casal que já se consolidou na visão dos fãs, embora nunca tenha sido canonizado nos jogos. Amy Rose apareceu pela primeira vez em Sonic CD, lançado para o SEGA CD em 1992.Amy estava jogando cartas de tarô quando viu que teria boa sorte e encontraria Sonic naquele dia. E foi o que aconteceu. Sonic passou correndo em direção ao Little Planet, um satélite natural do planeta onde estão as Pedras do Tempo, que permite a alguém viajar no tempo. Robotnik vai ao Little Planet pegar as Pedras e sua última invenção, o Metal Sonic, sequestra Amy. No final, Amy e Sonic não são oficialmente um casal, mas um dia Sonic para de correr dela. Só esperamos que, quando isso acontecer, não seja tarde.Mario e PeachPor anos, Super Mario e seu irmão Luigi, salvaram a Princesa Peach e ganharam um pedaço de bolo e um beijo no nariz, até que a Nintendo, via um hyperlink{app de mensagens diárias} da empresa, declarou que eles não são um casal e sim muito bons amigos. Princesa Peach, ou Toadstool, é uma das mais famosas personagens femininas no papel de "donzela em perigo", sendo sequestrada pelo vilão rei dos Koopas, Bowser.Por anos, todos nós tratamos Mario e Peach como um casal e eles se tornaram um dos principais pares dos games, inclusive se casando no final de Super Mario World do Super Nintendo, o que torna essa declaração de Miyamoto bastante surpreendente (nem tanto se considerarmos que ela casa com o Luigi também se terminarmos o game com ele).Uma declaração surpreendente, como as outras que ele já deu e que desconstruíram tudo o que acreditávamos sobre o Mario, como o fato de que ele tem cerca de apenas 20 anos e que não é um encanador. Só falta ele dizer agora que o Mario não é italiano!Andy Bogard e Mai ShiranuiQuando pensamos nos jogos de luta clássicos, a última coisa que pensamos é em romance. Em geral, os jogos de luta são muito mais focados em combos, golpes, histórias de artistas marciais se provando constantemente em combates e violência. As garotas, quando têm alguma no jogo, estão ali muito mais para serem apreciadas pelos seus atributos físicos do que por seu background profundo ou habilidades de luta.E Mai Shiranui provavelmente foi criada para isso: ser apreciada fisicamente com sua roupa de ninja vermelha e "grandes volumes frontais balançantes". Porém, ela também ganhou algo que nenhuma outra personagem de luta tinha antes: um namorado.Andy e Mai são o primeiro casal de lutadores em um relacionamento romântico dentro de um jogo de luta que se tem registro na história conhecida dos games (se existe algum jogo muito obscuro lançado por aí antes, eu pelo menos não encontrei registros. Se tiver, deixe nos comentários), com ela se autoproclamando "A noiva de Andy".Até hoje, em Fatal Fury: City of Wolves, não se sabe se eles se casaram, mas Mai continua provocando Andy e Andy continua evitando demonstrações públicas de romance, o que torna esse casal divertido de acompanhar.Liu Kang e KitanaSe já era difícil imaginar relacionamento romântico em jogos de luta como Fatal Fury e Street Fighter, imagine achar romance em Mortal Kombat? Mas, apesar disso, existem sim alguns. Mileena e Rain, em MK 11, formaram uma aliança política. Mileena e Tanya, em Mortal Kombat 1 de 2023, é um romance proibido que desafia as leis dos Ungadi e as tradições reais. Johnny Cage e Sonya Blade se casaram e tiveram Cassie Cage. Mas o mais famoso é com certeza Liu Kang e Kitana.O campeão do Plano Terreno fez com que a Princesa Edeniana se rebelasse contra seu "pai", Shao Kahn, e desafiasse o tirano conquistador, acabando por se tornar uma das mais valiosas aliadas dos kombatentes de Earthrealm. Diversas reviravoltas aconteceram desde que ela foi introduzida em Mortal Kombat II, de 1993, mas desde o começo ficou estabelecido que Kitana e Liu Kang se gostam, se separaram pelo bem maior dos Reinos em MK 4 Gold até que se casaram no Submundo em Mortal Kombat 11 e se tornaram rei e rainha. O único problema aqui é: uma briga de casal sempre termina com um fatality.Tracer e EmilyEste casal gerou hyperlink{controvérsia} quando foi revelado e muito hate de jogadores de Overwatch. Como falamos acima, muitas vezes, personagens femininos não são feitos para serem jogados tecnicamente ou conhecidos por suas habilidades de combate ou mentais. Eles são feitos para serem "apreciados" por seus atributos físicos. E por isso, há muitos jogadores que se "apropriam" da personagem como se ela fosse uma coisa exclusiva deles e eles a colocam em um "molde" que não pode ser quebrado.Tracer é, para todos os efeitos, muito bonita e desejável. Aparência jovial, atitude descontraída, roupa laranja colada e as poses de vitória em que ela fica de costas com o bumbum em destaque criaram no imaginário do jogador uma personagem construída para agradar o olhar masculino, e retirar isso deles foi, na época, um "grande crime", para esses jogadores, cometido pela Blizzard com o lançamento da hyperlink{HQ Reflections}, um especial de natal que revela que Tracer é lésbica e tem uma namorada chamada Emily.Na HQ, Tracer está correndo contra o tempo para encontrar um presente ideal e corre por lojas, em busca de Winston para ajudá-la, e no fim encontra um cachecol que entrega à sua namorada Emily.Com o tempo, outros personagens de Overwatch, como Soldier 76, também foram revelados como LGBTQIA+, mas foi Tracer quem engatinhou primeiro para que eles pudessem correr depois.Nathan e ElenaA série Uncharted é construída tanto em torno de seu relacionamento central quanto de sua ação. Nathan Drake e Elena Fisher são um daqueles casais famosos de videogame cuja dinâmica molda cada aventura, desde as ruínas de Drake's Fortune até os desafios emocionais de A Thief's End.O que os faz se destacar entre os casais nos videogames é a naturalidade com que o vínculo deles evolui ao longo da série. Não apenas pelas cenas, mas pela maneira como eles falam no meio da perseguição, discutem após um quase acidente e, por fim, escolhem um ao outro repetidas vezes.Elena desafia a imprudência de Nathan com inteligência e convicção, responsabilizando-o de uma forma que faz com que ambos os personagens pareçam reais. A lealdade e o humor de Nathan mantêm seu vínculo vivo mesmo quando suas escolhas o prejudicam, e sua história em vários jogos dá a cada reunião e conflito um peso emocional genuíno.Os jogadores se conectam com Nathan e Elena porque o relacionamento deles evolui naturalmente com o tempo, adicionando riscos emocionais a cada fuga, luta e decisão final. Casais em videogames raramente se sentem tão fundamentados ou tão humanos.Ellie e DinaEm The Last of Us Part II, Ellie e Dina representam uma das histórias de amor menos convencionais dos jogos, e é exatamente por isso que são importantes. O relacionamento delas se desenrola em meio à dor, raiva e violência, não em segurança. Quando elas dançam em Jackson ou brincam durante a patrulha, esses momentos ficam mais difíceis porque o mundo ao seu redor quase não oferece suavidade.O que as torna um dos casais mais emocionantes dos games é o quão comum é sua conexão. Dina provoca Ellie por causa de seu diário. Ellie tenta, sem jeito, expressar o que está sentindo. Elas falam sobre música, sobre medo, sobre como seria o futuro se a sobrevivência não fosse a única prioridade. São conversas pequenas, mas que constroem algo real.Suas cenas de fazenda mais tarde na história são calmas e domésticas, quase frágeis, e essa fragilidade impossibilita ignorar a tensão subjacente. Muitos jogadores comparam seu peso emocional às melhores narrativas de jogos de RPG de ação, embora sua estrutura permaneça firmemente voltada para a ação.O relacionamento de Ellie e Dina oferece raros momentos de carinho neste ambiente difícil. Dina fornece base emocional, humor e apoio, o que faz com que as escolhas de Ellie pareçam mais pesadas e pessoais. Ellie e Dina são um dos casais mais emocionalmente honestos dos videogames. A ternura delas bate com mais força justamente porque tudo ao seu redor tenta tirá-la.
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