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As Maiores Premiações da História dos eSports

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Conheça os torneios de eSports que quebraram recordes financeiros globais e entenda a evolução das premiações que hoje podem superar esportes tradicionais.

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revisado por Romeu

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A evolução dos esportes eletrônicos pode ser medida por diversas métricas, mas nenhuma é tão clara e chocante quanto o dinheiro. Em pouco mais de uma década, as competições de videogames deixaram os fundos de lojas e lan houses para ocupar estádios olímpicos, distribuindo cheques que superam eventos tradicionais centenários. A busca pelo prêmio milionário tornou-se o motor central da indústria, atraindo investidores, patrocinadores globais e transformando jovens talentos em multimilionários muito rapidamente.

Nosso foco, no artigo de hoje, não está em ligas regulares que pagam salários mensais, e sim nos "super torneios" que funcionam como eventos de tudo ou nada. Neles, a performance de uma única semana pode garantir a aposentadoria de uma equipe inteira. Abaixo, exploramos os campeonatos que redefiniram o que significa ser bem pago no mundo digital.

Dota 2: The International

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Nenhum debate sobre dinheiro nos games pode começar sem mencionar o The International. O campeonato mundial de Dota 2 estabeleceu um padrão financeiro que dificilmente será superado no curto prazo por uma única modalidade. A Valve, desenvolvedora do jogo, criou um mecanismo de financiamento que injetou o dinheiro da própria comunidade diretamente no pote da premiação.

O ápice desse modelo ocorreu em 2021, durante a décima edição do evento, conhecida como TI10. O torneio distribuiu um total de 40 milhões de dólares. Para se ter uma ideia da dimensão desse valor, a equipe vencedora, Team Spirit, levou para casa 18,2 milhões de dólares. Esse montante superou a premiação paga ao vencedor de competições como a Copa Libertadores da América e até mesmo o Masters de Golfe de Augusta.

A mágica financeira do The International reside no "Passe de Batalha". A desenvolvedora coloca um valor base inicial, geralmente na casa de 1,6 milhão de dólares, e adiciona 25% de todas as vendas de itens cosméticos relacionados ao torneio no prêmio final. Isso transformou o evento em uma demonstração anual de poder econômico da base de jogadores de Dota 2, mantendo o recorde mundial de maior premiação única por vários anos consecutivos.

Gamers8

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Enquanto o Dota 2 cresceu organicamente com o dinheiro dos fãs, uma nova força surgiu no Oriente Médio disposta a comprar o topo da tabela com capital estatal. A Arábia Saudita entrou no cenário com o festival Gamers8, realizado em Riade, com o objetivo explícito de sediar o evento mais lucrativo do planeta.

Em 2023, o Gamers8 cumpriu sua promessa ao oferecer uma premiação total combinada de 45 milhões de dólares. Diferente do The International, que foca em um único jogo, o evento saudita distribuiu essa fortuna entre diversas modalidades: Fortnite, Tekken 7, FIFA 23, PUBG, PUBG Mobile, Rainbow Six, Dota 2, R1, StarCraft 2, Street Fighter 6, CS:GO e Rocket League. O destaque financeiro foi o torneio de Dota 2 dentro do festival, o Riyadh Masters, que sozinho ofereceu 15 milhões de dólares.

Essa injeção de capital faz parte de uma estratégia maior do país para se tornar um hub global de entretenimento e turismo. O sucesso do Gamers8 pavimentou o caminho para a criação da recém e famosa "Esports World Cup", garantindo que Riad continue sendo o destino final para quem busca os maiores cheques da indústria nos próximos anos.

Fortnite: World Cup

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A Fortnite World Cup de 2019 permanece como um dos momentos mais surreais da história financeira dos games. A Epic Games alocou 100 milhões de dólares para competições naquele ano, culminando em um evento final em Nova York com um pote de 30 milhões de dólares.

O diferencial aqui foi a distribuição individual. Kyle "Bugha" Giersdorf, o vencedor da categoria solo, faturou 3 milhões de dólares. Na época, esse valor era superior ao prêmio pago ao vencedor do torneio de Wimbledon, o mais tradicional do tênis no mundo. A Epic Games bancou o valor integralmente, sem depender de financiamento coletivo, como uma estratégia de marketing agressiva para consolidar o Fortnite no topo da cultura pop.

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Embora a Epic tenha mudado sua estratégia nos anos seguintes para dividir o dinheiro em várias competições regionais menores - a série FNCS -, o evento de 2019 ainda figura no topo das listas. Ele provou que um único fim de semana de competição poderia transformar um adolescente em uma das pessoas mais ricas do esporte, sem a necessidade de uma longa carreira prévia.

Honor of Kings: International Championship

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O ocidente subestima frequentemente o poder financeiro dos jogos de celular, mas os números do Honor of Kings International Championship (KIC) contam uma história diferente. O MOBA da TiMi Studio Group, imensamente popular na China, movimenta cifras que deixam a maioria dos jogos de PC para trás.

A edição de 2023 do KIC ofereceu uma premiação de aproximadamente 10 milhões de dólares - cerca de 69 milhões de yuans. A escala desse investimento reflete a base massiva de jogadores na Ásia. Enquanto no ocidente os eSports ainda lutam por rentabilidade em alguns setores, o ecossistema do Honor of Kings já opera com margens de lucro e investimentos publicitários que sustentam premiações de oito dígitos.

Esse torneio é a prova definitiva de que o hardware não dita mais o prestígio financeiro. As competições mobile alcançaram o topo da pirâmide econômica dos eSports, competindo de igual para igual com títulos tradicionais estabelecidos há décadas no mercado de computadores.

PUBG: Global Invitational.S

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O PlayerUnknown's Battlegrounds foi o pioneiro do gênero de Battle Royale e manteve sua relevância financeira por meio do PUBG Global Invitational.S (PGI.S). A edição de 2021 se destacou ao utilizar um modelo híbrido inteligente para inflar sua premiação.

A organização garantiu um valor mínimo, mas a venda de itens in-game disparou o total para mais de 7 milhões de dólares. O formato do torneio, que durou várias semanas, permitiu que o dinheiro se acumulasse progressivamente. A equipe vencedora, Susquehanna Soniqs, levou quase 1,3 milhão de dólares.

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Embora o jogo tenha perdido parte de sua popularidade midiática para concorrentes mais novos, sua estrutura competitiva continua sendo uma das mais rentáveis para os jogadores profissionais que se dedicam à modalidade.

Conclusão

O cenário das grandes premiações nos eSports mostra como desenvolvedoras, comunidades e até nações competem para ver quem consegue assinar o maior cheque em diferentes estratégias. O The International provou o poder do financiamento coletivo, a Fortnite World Cup mostrou a força do investimento corporativo direto e os eventos em Riade introduziram a era do capital estatal quase que ilimitado.

Esses torneios enriquecem os vencedores e validam a profissão de atleta digital perante o mundo. Enquanto houver interesse do público e disputas de mercado entre as grandes publishers, a tendência é que esses recordes continuem sendo desafiados, mantendo os eSports como uma das carreiras mais lucrativas do século XXI para a elite competitiva.