Sobre Castlevania: Belmont's CurseLançado recentemente após um jejum de quase duas décadas sem um título 2D totalmente inédito na franquia principal, Castlevania: Belmont's Curse marca o retorno triunfal da lendária série da Konami ao gênero que ela própria ajudou a criar.Desenvolvido pela Evil Empire (estúdio famoso por seu trabalho em Dead Cells e The Rogue Prince of Persia), o jogo combina a estrutura clássica de exploração no estilo "Igavania" com mecânicas modernas de combate dinâmico, plataforma acrobática e um inovador sistema de investigação por meio de cartas de tarot.Ficha técnicaData de Lançamento: 15 de outubro de 2026Dev: Evil Empire e Motion TwinPublicadora: KonamiPlataformas: PC, PlayStation 5, Xbox Series X/S, Nintendo SwitchTrailer oficialAnálise de Castlevania: Belmont's CurseEnredo, Atmosfera e ProtagonistaA trama de Belmont's Curse se passa em 1499, 23 anos após os eventos de Castlevania III: Dracula's Curse (e 20 anos após Curse of Darkness). A cidade de Paris está sendo assolada por uma noite eterna e hordas de demônios. Chamado para investigar o caos, o lendário caçador Trevor Belmont chega à cidade acompanhado de sua filha, Rose Belmont, fruto de seu casamento com a maga Sypha Belnades.Desta vez, no entanto, Trevor passa o bastão (na verdade, o chicote) para a jovem Rose, que assume o papel de protagonista principal. Além de tentar livrar Paris do mal e provar seu valor perante o legado da família, Rose lida também com a Maldição Carmim manifestada em seu braço, uma escuridão vinculada ao próprio Drácula que ameaça consumi-la caso perca o controle emocional.Um dos grandes acertos do enredo e das mudanças que vemos em relação aos jogos anteriores da franquia é a introdução do baralho de Tarot deixado por Sypha antes de falecer. Ao derrotar os chefes e servos do Drácula, Rose aprisiona suas almas em cartas chamadas Arcanos. Isso permite utilizar seus poderes em combate e interagir com esses vilões capturados (como a Joana d'Arc e a Medusa). Eles funcionam como "companheiros de viagem" na mente de Rose, comentando acontecimentos e expandindo a lore da série com diálogos, deixando o roteiro mais rico e interessante.A narrativa é estruturada em camadas e oferece múltiplos desfechos (finais Ruim, Normal e Verdadeiro), variando de quatro a 27 horas de jogo dependendo do nível de dedicação do jogador em solucionar os mistérios do castelo ou uso de assistências.Para completar o 100% pode demorar ainda mais, mas o próprio jogo ajuda ao mostrar a % de cada local.Arte, Animação e Direção VisualVisualmente, o jogo pode dividir opiniões entre os saudosistas e os entusiastas do estilo indie moderno, mas, de qualquer forma, traz muita personalidade.A Evil Empire apostou em cenários 2D pintados à mão e uma direção de arte estilizada, com fundos detalhados que retratam desde os monumentos de Paris em chamas até os elegantes salões do Castelo do Drácula.As animações da protagonista e dos chefes são bastante fluidas e expressivas. Inimigos clássicos da franquia, como os Axe Knights e o próprio Ceifador, receberam reinterpretações visuais muito bonitas.No entanto, o jogo recorre bastante a recolors (troca de cores) de inimigos normais em biomas mais avançados, o que é um pouco preguiçoso. Além disso, em telas que possuem zoom, o desempenho pode cair para 30 FPS com pequenos serrilhados, o que quebra a magia do jogo em alguns momentos.Som e Trilha SonoraA trilha sonora toma um caminho diferente dos jogos anteriores ao mesclar o gótico tradicional da franquia com arranjos modernos, percussão eletrônica e batidas lo-fi. Embora faixas clássicas como Bloody Tears apareçam na entrada do castelo, a composição geral se afasta um pouco do tom orquestral e eclesiástico (ou seja, com certa religiosidade) que marcou a era de ouro da série.Ainda assim, as composições das lutas contra chefes e áreas-chave são interessantes. Só é… diferente.O jogo também conta com uma excelente dublagem em inglês e uma localização ótima para o português do Brasil.Gameplay, Combate e AcessibilidadeO combate de Belmont's Curse traduz a maestria da Evil Empire em criar jogabilidade dinâmica. Distanciando-se um pouco da cadência clássica, o fluxo de Belmont's Curse é bem mais acrobático e focado no domínio de espaço e movimento, exigindo habilidade do jogador.Uma coisa interessante é a movimentação com o Chicote Arcana de Travessia: Rose pode usar o chicote em até oito direções para ter acesso a estruturas, pontos flutuantes ou aos próprios inimigos. Isso cria uma mecânica de mobilidade em que podemos "voar" pela tela.No arsenal ofensivo, temos sete famílias de armas equipáveis (com quatro variações de raridade cada):- Espadas Curtas: Focadas em combos rápidos e esquivas.- Espadas Pesadas / Duas Mãos: Golpes carregados de alto dano.- Espadas Duplas: Exigem ritmo preciso entre os botões para estender o combo.- Lanças: Ideais para manter o alcance e arremessos.- Manoplas / Socos: Ataques corpo a corpo ultrarrápidos que lançam inimigos ao ar.- Espada & Escudo: Oferecem bloqueio frontal contra projéteis e golpes.- Chicotes de Combate: Causam dano massivo quando a ponta acerta o alvo no limite da distância.As magias ativas, como arremessar a clássica Cruz Bumerangue ou erguer paredes de fogo, são concedidas pelas cartas de Arcano. Para equilibrar, o jogo não utiliza os tradicionais corações caindo de candelabros e remove os frames de invencibilidade padrão das esquivas, exigindo posicionamento físico para não levar dano. A cura também adota o formato mais soulslike, com frascos que se recarregam nas salas de salvamento.Para agradar tanto novatos quanto veteranos, o menu traz o "Modo Customizado" com opções de acessibilidade em que é possível ajustar o dano recebido ou causado, ativar imortalidade ou simplesmente optar por renascer na porta da sala do chefe após morrer, poupando tempo. O bom é que utilizar esse modo não impossibilita as Conquistas do jogo.Exploração, Sistema Investigativo e Level DesignA estrutura de Belmont's Curse se divide em dois momentos distintos: o prólogo nas ruas de Paris (cerca de três horas) é bastante linear e serve como um "grande tutorial" das mecânicas avançadas. Contudo, assim que o Castelo do Drácula surge, o jogo se mostra um Metroidvania mais expansivo, com segredos e bastante exploração.Para a exploração, temos também o Sistema Investigativo das Cartas de Tarot. As cartas contêm pistas em texto e ilustrações encontradas no cenário que revelam a localização de chefes ocultos e passagens secretas. O jogo proporciona momentos de descobertas muito interessantes, em que a informação aprendida ressignifica o cenário e abre novos caminhos sem a necessidade imediata de uma habilidade física nova (mas às vezes é necessário adquirir alguma nova habilidade e voltar futuramente, claro).O level design traz os Challenge Rooms, ou seja, Salas de Desafio, onde itens valiosos como relíquias, upgrades de HP/Mana e armas lendárias estão guardados após desafios e plataformas de difícil acesso. Isso é um ponto bem característico da Evil Empire, que fez um trabalho muito bom.Entretanto, o que me incomodou foi o jogo ter poucos pontos de Viagem Rápida. As poucas salas de espelhos e os Barqueiros ficam muito distantes dos caminhos principais, tornando o caminho bem cansativo em alguns momentos.Prós- Sistema de combate dinâmico e variado;- A mecânica do Chicote Arcana é ágil e traz novidades na exploração;- Sistema investigativo das cartas de Tarot deixa o roteiro mais interessante;- Arte muito bonita;- Opções de acessibilidade úteis.Contras- As primeiras três horas de jogo em Paris são muito lineares e lentas;- Pontos de Viagem Rápida mal distribuídos;- Falta da atmosfera mais "gótica" dos jogos anteriores, tanto na arte quanto na trilha sonora;- Quedas de FPS em transições de diálogo.ConclusãoCastlevania: Belmont's Curse é um retorno corajoso, que traz muitas mudanças. Embora possa causar certo estranhamento por deixar de lado as trilhas sonoras e artes mais góticas em prol de um ritmo acrobático parecido com Dead Cells e Prince of Persia: The Lost Crown, o resultado final é um Metroidvania muito divertido e bem executado.Era de se esperar mudanças, até mesmo porque a Evil Empire tem suas características ao desenvolver jogos, mas executou muito bem e tentou manter um equilíbrio entre o Castlevania e as novas mecânicas e artes.Com cerca de 15 a 20 horas de campanha principal, o jogo entrega combates muito bons, um sistema investigativo interessante e novas mecânicas, mostrando que a franquia Castlevania também pode mudar um pouco e conquistar novas gerações que talvez nunca tenham jogado a franquia.Nota: 9 de 10.Até a próxima!
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