Sinopse de Mina the Hollower
Em Mina the Hollower assumimos o papel de Mina, uma ratinha inventora e habilidosa caçadora de monstros que pertence à renomada guilda dos Hollowers. A trama se passa num local envolto em uma atmosfera de terror gótico e tecnologia steampunk.
Após sobreviver a um naufrágio devastador provocado por um terrível Kraken, Mina desembarca na cidade principal de Ossex e descobre um cenário caótico: uma parte dos guardas locais se rebelou, aliando-se a monstros para espalhar a destruição.
Com uma arte 2D inspirada em The Legend of Zelda antigos e jogabilidade e sistemas com inspiração em Soulslikes e Castlevania, é nesse cenário que entramos em jogo!
Trailer Oficial
Sobre o Yacht Club Games
Formada em 2011, a Yacht Club Games conquistou os holofotes do mundo dos games em 2014 com Shovel Knight. Enquanto seu primeiro sucesso foi praticamente uma carta de amor direta aos clássicos de plataforma da era NES (8-bits), com Mina the Hollower o estúdio expande seus horizontes. A desenvolvedora prova mais uma vez sua maestria em capturar nostalgia, mas incluindo mecânicas modernas que trazem alma a seus jogos.
Após enfrentar sérias dificuldades financeiras nos últimos anos, a Yacht Club Games apostou seu próprio futuro no desenvolvimento de Mina. Foram quatro anos de dedicação total para entregar Mina the Hollower*.
Felizmente, o jogo provou ser um sucesso de crítica e público, faturando mais de 6 milhões de dólares e vendendo 300.000 cópias em apenas três dias. Um game que mostra todo o carinho dos devs e uma arte fabulosa, que conquistou o público logo de cara. Ainda bem!
Analisando Mina the Hollower
Gráficos e Trilha sonora
Visualmente, o jogo emula a resolução e a paleta de cores clássica do Game Boy Color. A direção de arte realiza uma mistura perfeita ao mesclar o terror gótico com personagens inspirados em animais fofinhos (começando pela própria Mina, uma ratinha cientista e caçadora de monstros).

No entanto, mesmo com a “simplicidade” gráfica, o jogo traz segredos, túneis e quebra-cabeças complexos. É um jogo visualmente encantador, e dá para perceber que foi pensado até nos mínimos detalhes. As cutscenes também são maravilhosas.
Já a trilha sonora é um espetáculo à parte. Ela me lembra composições com chips de áudio antigo e traz algumas músicas meio góticas e misteriosas, que nos deixam uma sensação de urgência nas batalhas e o medo do desconhecido durante a exploração das masmorras e da Ilha.
Jogabilidade e Combates
A jogabilidade de Mina the Hollower é centrada em combate e se mover pelo mapa (tentando não tomar dano). É um jogo em que nos movimentamos, corremos e pulamos o tempo todo, além de procurar segredos e tesouros escondidos.
Mina possui uma mecânica chamada Escavação, então podemos pular e nos enterrar no chão para correr por baixo da terra. Essa habilidade serve tanto para ultrapassar obstáculos do mapa quanto para se esquivar de projéteis e inimigos no combate. Além disso, quando Mina emerge, ela executa um salto com o dobro da altura normal, o que é útil em muitos casos.
Há uma curva de aprendizado desenvolvida com muito carinho pelos devs. Não há um “tutorial” do jogo no início, mas os acontecimentos vão nos mostrando e ensinando as mecânicas aos poucos, e quando percebemos, já aprendemos várias coisas que fazem parte do modo de jogar do jogo. Isso só mostra que houve muito planejamento e preocupação com o jogador.

Além disso, o mundo do jogo é estruturado em um formato de “mundo aberto”. Não existem caminhos bloqueados por habilidades específicas de progressão, por exemplo. O limite para acessar as masmorras iniciais em qualquer ordem é a sua própria habilidade de sobrevivência ou os itens que você foi escolhendo e encontrando para ter mais jogabilidade.
Se você morrer por dano ambiental, os ossos ficam presos em uma centelha no local do acidente; se morrer para um inimigo, ele absorve a sua energia. Caso você seja derrotado uma segunda vez antes de reaver esses pertences, eles serão perdidos permanentemente.
A cura também exige gerenciamento de risco: utilizamos frascos de plasma para recuperar a vida, mas a quantidade curada é baseada no quanto você atacou os inimigos após receber o dano (vida marcada em amarelo). Para piorar (ou melhorar a tensão), Mina precisa executar uma animação para abrir o frasco e beber; e se você for atingido durante esse processo, a cura é cancelada e o item é perdido.

Dito isso, Mina é um jogo difícil. É preciso calcular cada passo e, principalmente, aprender o padrão de movimentação e ataque dos inimigos. Isso faz muita diferença e poupa muita vida da nossa ratinha. Essa curva de aprendizado pode ser muito frustrante para alguns jogadores, principalmente para quem não está acostumado com soulslike. Por conta disso, os devs deixaram disponível um menu de modificação para deixar a gameplay mais agradável, dependendo do jogador e suas necessidades e dificuldades.
A Polêmica da Acessibilidade e Dificuldade em Mina the Hollower
Pouco antes de seu lançamento oficial, Mina the Hollower acabou se tornando o centro de uma intensa discussão nas redes sociais e fóruns de jogos. O estopim da polêmica foi a divulgação, por parte dos desenvolvedores da Yacht Club Games, de que o título contaria com páginas e páginas de modificadores de dificuldade e acessibilidade.
Através desse menu, o jogador ganha o poder de ligar ou desligar recursos que alteram drasticamente o jogo, permitindo desde dobrar o dano causado e reduzir o recebido ou até mesmo ativar um "Modo Deus" com invulnerabilidade total.

Parte do público mais purista e fã de experiências estritamente punitivas criticou a decisão. O argumento de quem criticava girava em torno do medo de que o excesso de opções significasse que os desenvolvedores teriam sido "preguiçosos", deixando o trabalho de balancear o jogo nas mãos dos jogadores em vez de criarem um “desafio padrão” para todos os jogadores terem a mesma experiência.
No entanto, o lançamento do jogo provou que o ceticismo era infundado. A Yacht Club Games mostrou, como o próprio jogo, que o design-base é balanceado em um nível de dificuldade alto, mas recompensador.
As opções extras funcionam para acessibilidade para quem apenas relaxar ou não está acostumado ao estilo de jogo. Algum jogador hardcore pode ignorá-las para desfrutar da dificuldade padrão, enquanto jogadores que buscam apenas a exploração, a lore e a história ganham a liberdade de jogar da forma mais confortável para eles.
A discussão inflamada que cercou Mina the Hollower não é um caso isolado; ela reflete um dos debates mais complexos e duradouros da cultura pop atual: a relação entre acessibilidade, inclusão e dificuldade no design de jogos.
Por anos, a comunidade de jogadores e desenvolvedores tem se dividido em duas grandes correntes filosóficas sobre o tema.
Inclusão
É muito generalista pressupor que a dificuldade é única e assumir que todos os jogadores possuem as mesmas capacidades físicas, motoras, cognitivas e de tempo.
A acessibilidade vai muito além de “deixar o jogo mais fácil e bobo”. Ela envolve:
- Acessibilidade Motora: Permitir o remapeamento completo de botões, modos de clique duplo ou comandos contínuos, beneficiando pessoas com deficiências motoras, artrite ou lesões.
- Acessibilidade Visual e Auditiva: Modos para daltonismo, ajustes de tamanho e contraste de legendas, pistas visuais para elementos que dependem de som ajudam muito a ter uma experiência de jogo mais rica para quem sofre desses problemas.
- Acessibilidade cognitiva e de tempo: opções para diminuir a velocidade do jogo, desativar tremores de câmera ou proporcionar mais vida ou menos dano ajudam na gameplay de quem não consegue ter tanta precisão.
Talvez para você não faça sentido algum recurso de acessibilidade, mas para quem precisa e quer se divertir, isso faz toda a diferença. E é isso que acredito que os devs imaginaram ao nos dar diversas opções para deixar o jogo mais jogável e menos exigente.
Customização seletiva
Em vez de “estragar” o jogo, os modificadores permitem que o jogador ajuste apenas o que o impede de jogar.
Por exemplo, um jogador pode querer manter o combate difícil, mas deseja desativar a perda de moedas ao morrer porque não tem tempo para refazer o trajeto. Outro pode ter reflexos excelentes para atacar, mas precisa que o tempo de esquiva seja ligeiramente maior devido a uma limitação motora.
Essas e outras tantas nuances podem ser facilitadas com o carinho que os devs tiveram ao pensar na experiência de jogo para diferentes pessoas.
A evolução da indústria de games tem mostrado que incluir opções de acessibilidade não diminui o mérito de quem vence o jogo na dificuldade máxima. Um "Modo Deus" ou um menu de assistência em um jogo single-player não afetam a jogabilidade de ninguém além da pessoa que escolheu ativá-lo.
Pontos positivos
- Direção de arte fabulosa
- Trilha sonora incrível
- Mecânica diferentes mesmo tendo um aspecto de “jogo antigo”
- Menu de acessibilidade muito inclusivo
- Curva de aprendizado orgânica (mesmo que o jogo em si seja difícil)
Pontos Negativos
- Mecânica de cura arriscada por conta da animação
- O jogo acaba
Conclusão

Com uma campanha principal incrível que rende entre 20 e 30 horas de gameplay (tempo que aumenta bastante para quem busca os 100% ou alterações oferecidas pelo modo New Game Plus), Mina the Hollower é uma obra-prima em todo aspecto que eu possa olhar.
É um jogo que transborda muito carinho e respeito pelas suas inspirações, e para mim, já merece o título de Jogo do Ano!
Nota: 10 de 10.
Espero que você jogue Mina the Hollower porque vale muito a pena) e se divirta. Até a próxima!












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