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Códigos, Segredos e Easter Eggs: As Mensagens Escondidas que Mudaram os Games

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Descubra como os segredos e Easter Eggs surgiram nos videogames e se tornaram parte indispensáv da experiência gamer. Do primeiro segredo escondido até os mistérios de grandes franquias, este artigo mostra desde a origem, a evolução e o impacto dessas mensagens ocultas que transformaram a indústria.

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revised by Romeu

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Quando os jogos começaram a esconder mais do que mostravam

Se hoje em dia a gente inicia um jogo esperando encontrar uma sala secreta, uma arma escondida, uma piada interna dos desenvolvedores ou até um final alternativo, é estranho pensar que nem sempre foi assim. Os segredos e easter eggs nasceram como uma forma de um programador se creditar em seu jogo e por um jogador curioso explorá-lo, mas com o tempo viraram uma das coisas mais queridas da indústria dos games.

Muito antes de vídeos no YouTube explicando “todos os segredos que você perdeu”, os easter eggs surgiram como mensagens escondidas, códigos secretos e referências internas que só jogadores mais curiosos descobriam. Eles criaram uma relação diferente entre quem faz o jogo e quem joga: uma espécie de conversa silenciosa, com desafios escondidos e recompensas para quem gosta de explorar além do convencional.

Neste artigo, voltaremos no tempo para conhecer como tudo começou, por que se espalhou tão rápido e como alguns jogos ajudaram a transformar easter eggs, códigos, segredos e referências em parte essencial da experiência de jogo.

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O primeiro Easter Egg da história dos videogames

Adventure, lançado em 1979 para o Atari 2600, é considerado o pai dos easter eggs. Na época, os programadores raramente recebiam crédito por seu trabalho. As empresas queriam que o foco fosse apenas no jogo e não em quem o criou.

Mas Warren Robinett, desenvolvedor de Adventure, não gostou nada disso. Sem que ninguém mais soubesse, Robinett, inspirado por rumores de que os Beatles haviam escondido mensagens em suas músicas, decidiu fazer algo ousado: escondeu seu nome dentro do seu jogo, em uma sala secreta praticamente impossível de encontrar sem ajuda. Ao acessar esse local oculto, o jogador via a mensagem:

Created by Warren Robinett}

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Robinett, em entrevista, lembrou que a mensagem era uma forma de autopromoção, já que a Atari lhe pagava cerca de US$ 22.000 por ano sem royalties, enquanto vendia um milhão de unidades do jogo a US$ 25 cada.

Isso foi revolucionário. Não só porque era uma assinatura escondida, mas porque abriu uma porta para a ideia de que jogos poderiam conter segredos intencionais, fora da progressão normal do jogo, uma forma de recompensar curiosidade e exploração.

Robinett manteve o segredo por mais de um ano, inclusive dos funcionários da Atari. Ele não tinha certeza se seria descoberto por outros funcionários antes do lançamento. O segredo não estava nem no manual do jogo, pois o autor do manual desconhecia o fato. Após o lançamento de Adventure, Adam Clayton, um jovem de quinze anos de Salt Lake City, descobriu o segredo e enviou uma carta explicando todo o processo de como achar a sala para a Atari.

Robinett já havia deixado a empresa, então a Atari encarregou alguns designers para encontrar e corrigir o código. O funcionário que o encontrou disse que, se o corrigisse, mudaria a mensagem para "Corrigido por Brad Stewart". Após perceber que o custo da correção, mais a criação de um novo chip da ROM, ficaria em torno de US$ 10.000, decidiram que essa alteração não valia a pena.

Steve Wright, diretor de desenvolvimento de software da Atari, decidiu manter o segredo acreditando que isso dava aos jogadores um incentivo para encontrá-lo e jogar mais. Ele sugeriu que isso seria como uma caça aos ovos de Páscoa para os jogadores encontrarem, então apelidaram de "Easter Eggs". Após o acontecido, a empresa pediu aos desenvolvedores que adicionassem mais segredos desse tipo aos jogos.

Wright tornou essa política oficial na Atari liberando os designers para incluir easter eggs nos jogos. Geralmente, eles eram limitados às iniciais dos desenvolvedores, o que para eles era sua assinatura dentro de sua criação.

Nascia assim a cultura dos easter eggs em jogos de videogame.

A era dos códigos secretos e truques escondidos

Nos anos 80 e início dos 90, os easter eggs começaram a se misturar com outra prática: códigos secretos. Quem viveu a época dos cartuchos lembra de anotar combinações que viam em revistas ou por boatos no recreio da escola.

Kazuhisa Hashimoto estava desenvolvendo a versão para consoles de Gradius para o NES, e ele achava muito difícil terminar o jogo durante as fases de testes, então a solução que Hashimoto encontrou foi simples: criar um código que dava ao jogador vidas e power-ups. Nascia mais uma parte importante da história dos videogames — o lendário Konami Code (↑ ↑ ↓ ↓ ← → ← → B A Start). O código não era um easter egg, mas um segredo que mudava totalmente a experiência do jogo, tornando o impossível um pouco mais justo.

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Era para o código ser removido antes do lançamento, mas acabou esquecido e passou despercebido e só foi descoberto quando o jogo estava sendo produzido em massa. Os desenvolvedores decidiram manter, pois remover poderia resultar em novos bugs e falhas. A Konami gostou tanto da ideia que passou a repetir o código em outros jogos, transformando-o em um dos segredos mais famosos da indústria dos games.

Outro exemplo é Metroid, que escondia finais alternativos dependendo do tempo que o jogador levava para terminar. Quem terminava rápido descobria que Samus Aran era uma mulher, algo inovador e chocante para os jogadores da época que não estavam acostumados com uma personagem feminina como protagonista de um jogo. Não era somente um segredo técnico, era uma parte importante da narrativa escondida que só jogadores mais rápidos conseguiriam desvendar.

PC, FPS e segredos que quebravam a quarta parede

Ainda nos anos 90, com os jogos de PC ganhando força na comunidade gamer, os FPS trouxeram easter eggs mais criativos. Doom e Wolfenstein 3D transformaram salas secretas em algo definitivo para o gênero.

Em Doom, encontrar paredes falsas, áreas escondidas cheias de munição e até referências a outros jogos da id Software era comum. Em Wolfenstein 3D, havia salas secretas com tesouros, vidas extras e até retratos zombando dos inimigos.

Mas foi Duke Nukem 3D que elevou tudo isso a outro patamar. O jogo estava lotado de referências à cultura pop, piadas adultas, segredos bizarros e até interações inesperadas com o cenário, como banheiros funcionais e passagens secretas. Agora explorar era tão importante quanto jogar.

A partir daí, os jogos mostraram que easter eggs e segredos não precisavam ser só mensagens escondidas — eles podiam ser momentos marcantes, capazes de surpreender e divertir.

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A época das referências, personagens secretos e lendas urbanas

Com a popularização dos consoles de 16 e 32 bits, segredos, referências e easter eggs começaram a se tornar mais inovadores. Super Street Fighter II Turbo escondia Akuma como um personagem secreto, criando um verdadeiro mito de como desbloqueá-lo. Ninguém sabia ao certo se era real, e isso aumentava a atração pelo jogo.

Em Mortal Kombat, os segredos eram parte da experiência. Fatalities, personagens secretos como Reptile e cenários especiais ajudaram a criar uma aura de mistério que fez a franquia explodir em popularidade.

Em Pokémon Red & Blue, surgiram lendas urbanas como o famoso Mew escondido debaixo do caminhão. Mesmo sendo um segredo falso, o boato se espalhou pelo mundo inteiro, provando que segredos nos games iam além dos códigos: eles viviam também na imaginação dos jogadores.

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GTA, Metal Gear e a era dos Easter Eggs como identidade

Se existe uma franquia que transformou easter eggs em marca registrada, é Grand Theft Auto. Desde GTA III, os jogos da Rockstar ficaram conhecidos por esconder referências bizarras, mistérios não explicados e piadas internas espalhadas pelo mapa.

Em GTA: San Andreas, os jogadores descobriram fantasmas, teorias sobre alienígenas, mensagens criptografadas e locais misteriosos que geram até hoje discussão e curiosidade. Mas foi GTA V que definiu totalmente essa cultura, ultrapassando os limites do impensável, com tantos easter eggs, referências e segredos que jogadores passavam centenas de horas procurando e divulgando os achados. A Rockstar entendeu que deixar algumas perguntas sem resposta faz parte da diversão.

Outro criador que popularizou os easter eggs é Hideo Kojima. A série Metal Gear Solid brinca com o jogador o tempo todo, quebrando a quarta parede e escondendo segredos que exigem criatividade, como derrotar um chefe desligando o controle ou esperando dias reais para o inimigo morrer de velhice.

Esses jogos ajudaram a cultura dos easter eggs a deixarem de ser apenas algo extra no jogo, passando a ser parte da experiência e até do discurso do jogo.

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A explosão da internet e a caça aos segredos

Com a chegada da internet, segredos, referências e easter eggs ganharam um novo papel em fóruns, vídeos do YouTube e redes sociais. Descobrir um segredo sozinho é legal, mas descobrir algo com milhões de pessoas parecia mais legal ainda.

Jogos como Five Nights at Freddy’s, Dark Souls, The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Red Dead Redemption trouxeram segredos obscuros, fragmentos de lores e detalhes praticamente invisíveis. A comunidade se unia para criar teorias, investigar e montar os quebra-cabeças.

Em Dark Souls, paredes ilusórias, NPCs secretos e finais alternativos transformaram a exploração em um jogo à parte. Breath of the Wild espalhou referências, homenagens e pequenos segredos por todo o mapa.

Red Dead Redemption tem tantos segredos, detalhes, referências e easter eggs que tornam o jogo algo único, podendo ser explorado por centenas de horas e, mesmo após anos de seu lançamento, ainda encontram algo novo.

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Fan service, nostalgia e metalinguagem

Atualmente, segredos e easter eggs são quase obrigatórios. Jogos escondem referências a títulos antigos, memes da internet, filmes, séries e até erros da indústria, tudo acaba sendo um motivo para colocar algo a mais no jogo e fomentar a curiosidade dos jogadores.

The Last of Us Part II trouxe referências sutis ao primeiro jogo e até ao próprio Playstation. Cyberpunk 2077 está entupido de homenagens a filmes, animes e cultura pop. God of War (2018) esconde câmaras secretas e diálogos ocultos.

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Easter eggs são mais do que segredos, eles viraram uma forma de fan service e também como uma conexão direta com os jogadores. Seja em jogos AAA ou indies, os segredos nos jogos aumentam a cada dia, transformando o simples ato de jogar em uma jornada de descoberta que faz dos jogos algo tão espetacular que muitos jogadores se perdem por horas jogando além da história principal.

E tudo isso começou com um programador de jogos que queria se imortalizar dentro de sua própria criação.

Conclusão – Por que a gente nunca vai parar de procurar segredos?

Os easter eggs começaram como um simples protesto silencioso de um programador que não recebia créditos, cresceram e viraram um dos elementos mais amados dos videogames. Eles estimulam curiosidade, criam mistério, trazem conversa e fazem cada jogador sentir que encontrou algo especial.

Mesmo em uma era em que tudo é rapidamente descoberto e documentado, o prazer de achar um segredo ainda é único. É aquela sensação de que o jogo está conversando diretamente com você.

Enquanto existirem desenvolvedores criativos e jogadores curiosos, os segredos nos games nunca vão desaparecer. Eles fazem parte da magia — aquela que nos faz explorar só mais um cantinho do mapa, só para ver se não tem algo escondido ali.