Durante muitos anos, boa parte das ideias mais importantes da indústria dos videogames não nasceu em grandes estúdios, mas sim nas mãos de jogadores comuns que decidiram mexer nos arquivos dos seus jogos favoritos. Esses mods começaram como experiências de fãs, às vezes feitas por uma ou duas pessoas, sem intenção de lançar, seja por questões de valores ou até medo de tomar um processo do criador original.

Em vários casos, porém, a qualidade e a popularidade cresceram tanto que não fazia mais sentido ficar presos ao jogo original. Foi assim que alguns mods acabaram virando jogos completos, adquiridos por alguma grande publisher (em geral a mesma dona do jogo no qual o mod se originou), vendidos oficialmente e jogados por milhões de pessoas.
Mas você conhece esses games que se tornaram jogos independentes? Vamos falar de 10 desses games e, se você ficar na dúvida, é só deixar um comentário.
Counter-Strike (mod de Half-Life)
Counter-Strike começou de um jeito bem simples. Era um mod multiplayer de Half-Life criado por Minh Le e Jess Cliffe, lançado no ano 2000. A ideia era trocar o clima sci-fi de Half-Life por combates entre terroristas e forças especiais, com rodadas rápidas e foco em trabalho em equipe. O que parecia só mais um mod logo virou mania. Servidores pipocavam em todo canto, lan houses eram praticamente apenas Counter-Strike e Ragnarok Online, as comunidades começaram a organizar campeonatos por conta própria e atravessavam a madrugada jogando.
A força do mod foi tão grande que a Valve, criadora de Half-Life, comprou os direitos ainda em 2000 e transformou aquilo num produto oficial. O que mudou do mod para o jogo comercial foi a estrutura. Vieram atualizações regulares, sistema de servidores dedicado, suporte oficial e, com o tempo, uma base sólida para campeonatos profissionais, conversão para consoles e uma sequência. Counter-Strike deixou de ser só um mod divertido e virou um dos pilares dos jogos competitivos que se mantém até hoje.
Garry’s Mod (mod de Half-Life 2)
Garry’s Mod surgiu em 2004 como um mod de Half-Life 2 criado por Garry Newman. Não havia objetivo, nem história, nem fases. Era simplesmente um lugar onde você podia brincar com os objetos do jogo, mudar a gravidade, criar máquinas estranhas e fazer o mundo do jeito que quisesse. A proposta era tão aberta que os próprios jogadores começaram a inventar modos de jogo.
Em 2006, Garry’s Mod virou um jogo independente, mas a essência permaneceu a mesma e a versão vendida trouxe estabilidade, ferramentas melhores e integração com sistemas de criação de conteúdo. O resultado foi uma explosão de modos criados pela comunidade, desde mapas de terror até jogos de investigação e roleplay. O que começou como um mod sem rumo virou uma plataforma criativa que, anos depois, já tinha vendido dezenas de milhões de cópias.
Team Fortress (mod de Quake)
O mod Team Fortress nasceu ainda em 1996 dentro de Quake. A grande sacada era dividir os jogadores em classes com habilidades específicas, algo que praticamente não existia nos shooters da época. Esse conceito foi tão forte que chamou a atenção da Valve, que contratou os criadores e lançou Team Fortress Classic em 1999, já como jogo comercial dentro do ecossistema de Half-Life.
Anos depois, a Valve reinventou o conceito com Team Fortress 2, lançado em 2007. O visual cartunesco e a personalidade dos personagens deram nova vida à ideia original do mod. Mesmo com tantas mudanças, a base continuava lá, partidas em equipe, classes bem definidas e foco em cooperação. Um conceito criado por fãs acabou moldando um subgênero inteiro.
Dota 2 (mod de Warcraft)
Defense of the Ancients era um mapa de Warcraft III que mudava completamente a lógica do jogo. Em vez de controlar exércitos, cada jogador assumia um herói, com habilidades próprias, e precisava destruir a base inimiga. Esse mod ficou conhecido como DotA e se espalhou pelo mundo, gerando torneios, fóruns e uma comunidade gigantesca.
A Valve decidiu transformar essa experiência num jogo próprio e lançou Dota 2 em 2013. O conteúdo principal era praticamente o mesmo, mas com motor gráfico novo, servidores dedicados, sistema de partidas online e um suporte profissional que o mod nunca poderia ter sozinho. Hoje, Dota 2 é um dos principais nomes dos eSports e prova que um simples mapa de estratégia pode virar uma indústria inteira.
Killing Floor (mod de Unreal Tournament 2004)
Killing Floor começou como um mod cooperativo de Unreal Tournament 2004, focado em sobrevivência contra hordas de inimigos. O projeto se destacou tanto que venceu competições de modding e chamou a atenção de investidores. Em 2009, virou jogo independente.
O conteúdo foi expandido, os gráficos melhoraram e o sistema de progressão ganhou profundidade. O que era um mod de nicho virou um produto vendido no mundo inteiro, com versões para consoles e uma sequência anos depois. No ano passado, a terceira versão do game foi lançada, Killing Floor III, algo que mostra como um simples mod pode se tornar uma franquia!
Insurgency (mod de Half-Life 2)
Insurgency nasceu como mod de Half-Life 2, com a proposta de retratar combates modernos de forma mais realista. Não havia HUD exagerado, nem mecânicas facilitadas. Era tiro rápido, comunicação e posicionamento.
Em 2014, o projeto virou jogo independente. O que mudou foi a escala. Vieram mapas maiores, suporte oficial e uma base sólida de jogadores. Mesmo assim, a identidade do mod foi preservada. Insurgency continuou sendo um jogo para quem busca algo mais próximo de simulação do que de arcade.
DayZ (mod de Arma 2)
Criado como mod de Arma 2, DayZ colocou jogadores em um mapa enorme, quase sem recursos, cercados por mortos-vivos e por outros sobreviventes que podiam ser tanto aliados quanto inimigos. A tensão vinha da perda permanente de equipamentos ao morrer.
A popularidade foi tão absurda que o estúdio responsável decidiu fazer um DayZ standalone. A versão comercial passou anos em acesso antecipado, mas manteve o coração do mod. Hoje, DayZ é lembrado como um dos jogos que moldaram o gênero de sobrevivência em mundo aberto.
PUBG (mod de Arma)
Antes de PUBG existir, Brendan Greene criava mods de battle royale para jogos militares como Arma e até protótipos dentro de outros títulos. A ideia de colocar dezenas de jogadores numa ilha até restar apenas um se mostrou viciante. Em 2017, PUBG foi lançado como jogo independente e explodiu. O conceito, testado e refinado em mods, virou fenômeno global, com versões para consoles e celulares.
Praticamente nascia um novo gênero que infectou os games por uns bons anos, entre 2017 e 2020. Todos os dias era lançado um novo battle royale.O gênero battle royale, que hoje está em todo lugar, começou justamente nesse tipo de experimento comunitário.
Red Orchestra: Ostfront 41-45 (mod de Unreal Tournament 2004)
Red Orchestra: Ostfront 41-45 surgiu como mod de Unreal Tournament 2004, Red Orchestra: Combined Arms, mas com uma proposta totalmente diferente, focada em realismo e ambientação histórica da Segunda Guerra. O título manteve o ritmo lento, as armas letais e a ausência de elementos arcade, algo raro na época. Foi o início de uma franquia dedicada a esse estilo mais sério de shooter.
O projeto venceu concursos e virou jogo comercial em 2006 e hoje já tem um segundo game lançado, Red Orchestra 2: Heroes of Stalingrad, lançado em 2011, com muitos recursos novos, incluindo um novo sistema de cobertura em primeira pessoa combinado com disparo cego, aprimorando e melhorando o que foi entregue no primeiro game.
The Forgotten City, da história em Skyrim ao jogo próprio
Um dos poucos jogos baseados em mod que não veio de nenhum game de tiro FPS, mas também, com a massiva comunidade de mods para Elder Scrolls V: Skyrim que existem, seria difícil não ter, pelo menos, um na lista.
The Forgotten City começou como um mod de Skyrim em 2015, focado em narrativa, escolhas e consequências. O sucesso foi tanto que o criador decidiu transformar a história em um jogo independente lançado em 2021.
A versão standalone trouxe gráficos melhores, dublagem e novos sistemas, mas manteve a essência do mod, uma trama misteriosa baseada numa regra que ninguém pode quebrar. Um exemplo claro de como mods narrativos, e não apenas os de FPS, também podem virar produtos completos.









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