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Review: Mouse: P.I. For Hire

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Mouse: P.I. for Hire. usa o mundo dos desenhos animados desenhados à mão para recriar a estética dos bracinhos de macarrão clássicos. É a estrela do show, mas só isso não segura o game.

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revisado por Romeu

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Os anos 20 estão voltando com tudo em games. Com o sucesso de Cuphead, não era de se estranhar que outros jogos com a estética de braços de macarrão, personagens que estão sempre se balançando e o jazz tocando para dar o ritmo das brigas, fugas e perseguições começassem a surgir. E vamos admitir: é fácil gostar de um jogo como esse. Ele é rápido, simples e a estética visualmente marcante, que lembra o clássico animado Steamboat Willie, com ratos correndo por toda a parte, faz com que Mouse: P.I. for Hire se destaque entre os FPS.

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A impressionante animação da década de 1920, a história de cerca de onze horas, com seu protagonista durão (com a voz de Jorel, de The Last of Us) e nada sentimental, suas reviravoltas através de camadas complicadas de corrupção e conspiração surge diretamente das raízes do cinema e da literatura noir – mais frequentemente associadas à década de 1940.

A jogabilidade hiperativa, de corrida e tiro, tece e explode tão freneticamente quanto qualquer boomer shooter da década de 1990, como DOOM, e, mesmo assim, uma série de recursos de qualidade de vida parecem ter origem nos anos 2000 e além. Agora, tudo isso faz valer a pena comprar este jogo? É o que vamos discutir aqui e, se você ficar com dúvidas, deixe um comentário.

Esta cidade é uma grande ratoeira

A narrativa segue o protagonista Jack Pepper, um investigador que é um clichê de todo detetive dos velhos tempos reunido em um só. A propósito, isso não é nada negativo. Ele combina perfeitamente com o clima do jogo. Você começa investigando o desaparecimento de um mágico e ex-amigo, com as coisas se ramificando em mais casos adiante.

Mouse: P.I. for Hire não vai ganhar nenhum prêmio por sua narrativa, mas isso não quer dizer que seja ruim. Ele faz um bom trabalho ao fornecer a jogabilidade e manter as coisas funcionando, e muitas vezes é o veículo perfeito para vários trocadilhos relacionados a queijo. Eu gostaria de ver uma mecânica de investigação mais profunda? Claro. Mas não é isso que o jogo propõe.

Um mundo que se sustenta sozinho

Ao entrar, todos sabiam como o jogo estava visualmente bom. A questão era: a jogabilidade poderia corresponder a isso? Tenho o prazer de informar que a resposta é um sonoro sim. O movimento é rápido e nítido, com um recurso de painel que realmente ajuda a manter o ritmo durante os tiroteios. Isso é complementado por movimentos adicionais que você aprende, como salto duplo e giro da cauda, que realmente adicionam variedade e verticalidade não apenas à plataforma, mas também ao combate. Às vezes parece que você está jogando uma versão cartoon de DOOM, embora com um pouco menos de profundidade.

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Antes de qualquer mecânica entrar em cena, Mouse: P.I. for Hire já mostra qual é a sua força. Não é pelo gameplay, nem pela história, mas pelo lugar onde tudo acontece. Mouseburg não parece apenas um cenário montado para o jogador passar; ele tem todo um charme em seus pequenos detalhes, com seus próprios problemas, suas próprias regras e algo para se ver em cada canto.

É um ratinho girando uma manivela para fazer alguma coisa elétrica funcionar, um ratinho dentro de uma rodinha, uma garrafa com o ‘XXX’ para indicar que se trata de bebida alcoólica. Tudo muito fiel ao que eram as animações antigas, como os desenhos da Betty Boop.

O jogo constrói esse ambiente de forma consistente. A estética inspirada em animações antigas não está ali apenas para chamar atenção; ela influencia tudo, desde o design dos personagens até a forma como os efeitos aparecem na tela, as onomatopeias e os personagens realizando ações, desde correr até morrer.

Não existe quebra de identidade. Você entra naquele mundo e ele se mantém coerente do começo ao fim. Essa consistência é o que sustenta as primeiras horas. Mesmo sem grandes acontecimentos, existe um interesse natural em explorar, observar e entender como aquele lugar funciona.

Combate rápido, mas com pouca evolução

Aqui não há segredo. É um FPS. Se você jogou um, jogou todos. Atire em tudo o que se move, e a fórmula funciona bem: é direta, responde rápido e mantém um ritmo constante. A movimentação é ágil, as armas são variadas, e existe um fluxo que incentiva o jogador a se manter sempre em movimento. Há um pequeno problema quando você acaba não identificando elementos na tela devido à paleta de cores em preto e branco.

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Às vezes, inimigos se confundem com o cenário, e aquele “barril explosivo” clássico de todos os jogos, marcado em vermelho, pode passar despercebido se você estiver no frenesi dos tiros. Mas, fora isso, o combate flui bem, e você vai aproveitar a sensação dele. No começo, está tudo bem. Mas é apenas no começo.

Nas primeiras horas, isso é suficiente para manter tudo interessante. Você ainda está descobrindo as possibilidades, testando armas (e o arsenal do rato é bem variado) e entendendo como os inimigos se comportam. Só que essa fase de descoberta passa rápido.

Depois de algumas horas, o jogo praticamente já mostrou tudo o que tem nesse aspecto. A base continua funcionando, mas a falta de evolução começa a ficar evidente. Os encontros passam a ter uma estrutura muito parecida, e o jogador não precisa se adaptar tanto quanto poderia. Isso não torna o combate ruim, mas faz com que ele perca impacto com o tempo.

Ideias boas que não vão até o fim

O jogo não é limitado em quantidade de ideias. Pelo contrário, ele apresenta novas ferramentas, habilidades e variações ao longo da campanha. O problema é que nem tudo é aproveitado como deveria.

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Algumas dessas mecânicas aparecem, funcionam por um período curto e depois deixam de ter relevância. Não existe um desenvolvimento contínuo dessas ideias. Elas não se aprofundam nem se integram completamente ao restante da experiência.

Isso cria a sensação de que o jogo tem mais possibilidades do que realmente utiliza. Não falta conteúdo, mas falta consistência no uso desse conteúdo. Por exemplo, existe uma tentativa clara de trazer elementos de investigação para reforçar a proposta de detetive. Você coleta algumas pistas, conversa com personagens e segue informações que ajudam a avançar na história.

Na prática, porém, essa parte é mais limitada do que aparenta. O jogo conduz o processo quase o tempo todo, deixando pouco espaço para o jogador realmente montar as peças por conta própria. As conclusões não dependem tanto de raciocínio quanto de progressão. Isso não chega a atrapalhar diretamente, mas também não acrescenta a profundidade que poderia. A investigação funciona mais como um complemento narrativo do que como uma mecânica forte.

Ritmo que começa forte e vai perdendo força

O jogo começa com um ritmo bem ajustado. Existem novidades, variedade e uma sensação de progresso constante. Com o tempo, isso muda. A repetição do combate, somada à falta de evolução das mecânicas, começa a pesar. O jogo continua oferecendo conteúdo, mas esse conteúdo não traz mudanças suficientes para renovar a experiência.

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Como ele não é curto, esse desgaste fica mais evidente. O jogador passa a reconhecer padrões e antecipar situações, o que diminui o impacto das ações. Não é uma queda brusca de qualidade, mas uma perda gradual de interesse.

Mesmo com esses problemas, o jogo não desmorona. A ambientação continua sendo um ponto forte o tempo inteiro. O som, a direção de arte e a dublagem mantêm o mundo interessante, mesmo quando o gameplay começa a se repetir.

A história também cumpre seu papel dentro da proposta. Ela não é o principal atrativo, mas ajuda a manter o contexto e a dar continuidade à experiência. O resultado é um jogo que se sustenta mais pelo visual do que pelo conjunto da obra.

Conclusão

Prós

• Uma história envolvente que mistura leveza com as armadilhas familiares do filme noir.

• O combate é rápido e fluido, gerando alguns tiroteios cinematográficos.

• Armas variadas se destacam na violência pastelão.

• O estilo de arte desenhado à mão é um deleite constante, com reverência aos desenhos animados clássicos.

Contras

• O processo de investigação acontece sem que você faça nada.

• Algumas habilidades são subutilizadas.

Sim, principalmente para quem se interessa pela proposta. O jogo entrega uma identidade forte e consistente, algo que já o diferencia de muita coisa. Por outro lado, é importante saber que ele não evolui muito ao longo do tempo. O que ele tem de melhor aparece cedo, e o restante da experiência gira em torno disso.

Se a ambientação e o estilo forem suficientes para manter o interesse, ele funciona bem. Caso contrário, a repetição pode pesar antes do final. No fim, é um jogo que acerta bastante na construção do próprio mundo, mas que não acompanha esse mesmo nível quando o assunto é variedade e progressão.

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