RPG

Review

Review: Early Access Solasta II - um começo que já dá para falar

, 0Comment Regular Solid icon0Comment iconComment iconComment iconComment icon

Confira nossas primeiras impressões de Solasta II: analisamos combates, exploração, narrativa e desempenho técnico neste início promissor, destacando acertos, desafios e o que esperar do acesso antecipado.

Writer image

revisado por Romeu

Edit Article

Solasta II tem uma missão complicada. Ser um RPG isométrico, com personagens, baseado em regras de uma mesa de RPG com os amigos e conquistar o público antes mesmo da campanha engrenar de verdade. Tudo isso em um mundo pós-Baldur's Gate 3!

Mas é claro, ele tem muito potencial e tem diferenciais que podem ajudá-lo a se destacar no meio dos RPGs como Pathfinder, Baldur's Gate e Divinity. Você percebe que ainda tem coisa sendo ajustada, algumas arestas aqui e ali, mas, ao mesmo tempo, já é possível sentir que tem algo de bom acontecendo.

O jogo não tenta esconder que ainda está em desenvolvimento, e talvez esse seja justamente um dos seus pontos mais honestos. Ele te convida a experimentar, a entender o que já funciona e a imaginar até onde aquilo pode chegar quando estiver completo.

Desde o começo, é possível notar que a proposta não é agradar todo mundo. Solasta II (site oficial)link outside website não corre atrás de ser rápido ou cheio de lutas. Ele quer que você pense, que você pare, que observe cada movimento antes de agir. E isso já diz muito sobre o tipo de experiência que ele quer entregar.

Vamos falar das primeiras impressões de Solasta II e, se você ficar com dúvidas, deixe um comentário.

Uma história que começa bem

A história coloca você no meio de um grupo de órfãos. Você e seus irmãos estão voltando para casa para o funeral da mãe adotiva.

Mas aí que entra um dos primeiros diferenciais de Solasta para outros jogos. Não há uma party definida. Não há um ladino como Astarion ou uma clériga como Shadowheart. Existem, é claro, personagens pré-definidos, mas eles não são o foco. Aqui, você pode construir todo o seu grupo do zero.

Image content of the Website

Você quer fazer uma party só de anões bardos? Recriar o grupo de Caverna do Dragão? Ou talvez um grupo só de personagens homens ou só de mulheres? Quer fazer a Sociedade do Anel? Quer refazer os personagens de Baldur's Gate ou de outro game e montar um grupo? Está tudo valendo. Você pode montar o grupo como quiser.

Definindo seu grupo, de personagens pré-prontos ou montando todos do zero, você e seus irmãos partem em viagem e no meio do caminho, você já vai aprendendo como o jogo funciona, seja explorando o mapa, lidando com armadilhas ou entrando nos primeiros combates, tudo de forma bem natural.

No meio do caminho, você encontra uma de suas outras irmãs e essa irmã perde a cabeça durante o funeral e começa um ritual meio para tentar trazer a mãe de volta e, como você já imagina, isso dá muito (mas muito) errado. Aparecem criaturas estranhas, o templo vira um caos e, no meio disso tudo, surge uma deusa basicamente exigindo que um “pacto” seja cumprido. A cena é caótica, mas funciona porque quebra qualquer expectativa de que seria só uma introdução tranquila.

No fim, o grupo acaba sendo jogado em outro continente, marcado por essa deusa e com a responsabilidade de entender e completar um tal pacto. Não é uma história superprofunda ainda, mas já tem aquele gancho que te deixa curioso. O jogo claramente ainda não desenvolveu tudo isso, e muito pode mudar, mas o começo já mostra que tem alguma coisa interessante sendo construída ali.

Ainda falta refino

Como dito antes, uma coisa que chama bastante atenção é a liberdade de montar seu próprio grupo inteiro. Você não fica preso a personagens prontos, pode criar todo mundo do jeito que quiser, misturar classes, inventar combinações e montar aquele grupo clássico de RPG ou fazer algo totalmente diferente. Isso é muito legal porque te dá aquela sensação de estar realmente montando sua própria aventura, mas falta aquele personagem que é o ‘Pikachu’ da franquia.

Image content of the Website

Só que nem tudo funciona tão bem assim. O criador de personagem, principalmente na parte visual, deixa a desejar. As opções são bem limitadas, poucas raças, poucas classes e quase nenhuma liberdade para mexer no corpo dos personagens. Até os cabelos são reaproveitados iguais para ambos os gêneros, o que dá uma sensação de algo feito com pouco empenho. É possível usar, funciona, mas está longe de empolgar.

Por outro lado, na parte mecânica ele cumpre bem o papel. Dá para montar um grupo equilibrado, testar combinações e explorar as possibilidades, mesmo que ainda não tenha tanta variedade quanto deveria. Fica aquela sensação de que a base está certa, mas ainda precisa de mais conteúdo e capricho para realmente brilhar.

Tentando achar um caminho

Se tem um lugar onde Solasta 2 mostra que sabe o que está fazendo, é na jogabilidade. Ele abraça verdadeiramente as regras de D&D e não tenta simplificar tudo só para ficar mais fácil. Isso pode até assustar quem não está acostumado, mas, ao mesmo tempo, é o que faz o jogo ter personalidade.

Uma coisa bem interessante é como o jogo lida com detalhes que muitos jogos (e Mestres de RPG de mesa) ignoram: o uso de componentes metamágicos para lançar magia.

Aqui você realmente precisa ter os itens necessários no inventário, o que muda completamente a forma como você joga e faz compras. Não é possível simplesmente sair lançando feitiços; você precisa se preparar, comprar coisas, tê-las no inventário (e não no baú do acampamento), prestar atenção no que está carregando, e isso muda bastante a dinâmica.

Outra coisa que faz diferença é a opção de controle. Poder escolher entre usar o WASD ou ficar clicando o tempo todo parece algo simples, mas melhora muito a experiência, principalmente em momentos que requerem mais controle e um tempo de reação mais rápido.

Tem gente que prefere exatamente esse estilo mais organizado, mais próximo de jogos como Diablo. Então não chega a ser um erro claro, mas é aquele tipo de escolha que divide opinião. E o jogo não tenta agradar todo mundo nesse ponto; ele segue a ideia dele e pronto.

Mesmo com a comparação inevitável com Baldur's Gate 3, é possível perceber que Solasta 2 não quer ser só uma cópia. Ele tenta trazer ideias próprias, como o mapa em estilo hexagonal, que lembra bastante aqueles mapas de RPG de mesa.

Outra coisa interessante é o sistema de diálogo em grupo. Em vez de apenas um personagem falar, o grupo inteiro participa, com personalidades diferentes que podem até entrar em conflito. Isso deixa as conversas mais vivas e menos previsíveis, como se você estivesse realmente lidando com um grupo de pessoas diferentes e não apenas controlando tudo sozinho.

Esses detalhes mostram que o jogo tem identidade própria. Ele pode até ficar atrás em algumas áreas mais cinematográficas ou narrativas, mas compensa em outras coisas que acabam sendo até mais interessantes dependendo do que você procura.

Bugs já eram esperados

Na parte visual, o jogo melhorou em relação ao primeiro, mas ainda não chega a impressionar. Tem momentos em que tudo parece bem bonito, mas em outros surgem coisas estranhas, principalmente nos modelos dos personagens. Às vezes, o rosto parece meio quebrado, como se algo não estivesse funcionando direito por baixo da pele.

A dublagem também melhorou, mas ainda soa meio exagerada em alguns momentos, como se estivesse forçando emoção demais. Não chega a estragar a experiência, mas chama atenção. E, claro, como todo Early Access, os bugs aparecem. Nada absurdo, mas estão ali, lembrando o tempo todo que o jogo ainda não está finalizado.

Também falta algo importante, como o modo multiplayer, que ainda será adicionado posteriormente. Então, além de polimento, ainda tem bastante conteúdo a ser adicionado.

Vale a pena se empolgar?

No fim das contas, Solasta 2 já mostra que tem muito potencial. Ele acerta bastante na jogabilidade, traz ideias próprias interessantes e já entrega uma base sólida para quem gosta desse tipo de RPG. Mas também deixa claro que ainda falta bastante coisa, principalmente em conteúdo e acabamento.

Se você já estava interessado no jogo e gosta desse estilo mais fiel ao D&D, provavelmente vai se divertir mesmo agora. Mas se a ideia é adquirir algo mais completo, talvez seja melhor esperar um pouco. Porque, do jeito que está, ele é mais um “teaser” do que uma experiência totalmente pronta.

E, sinceramente, após jogar ou ver tudo isso, fica aquela sensação de que, se eles acertarem o resto, esse jogo pode crescer bastante ainda.