Os Melhores jogos de terror feitos no RPG Maker

•0•0Comment iconComment iconComment iconComment icon

O final dos anos 2000 e início dos anos 2010 foram marcados por uma tendência que influenciou e influencia o cenário de jogos de terror até hoje: Os jogos de RPG Maker. Relembre ou conheça, nesse artigo, alguns dos melhores games do gênero!

Writer image

Revisado porRomeu

Editar artigo

Dentre várias engines, plataformas e programas que podem ser usados para criar um jogo, é quase estranho dizer que um programa com foco em criar jogos de RPG de turno acabou se tornando um ícone do gênero de terror. Porém, mesmo sendo o “berço” de jogos lindos e emocionantes como To The Moon, os developers independentes encontraram nele uma forma de criar jogos assustadores de forma imersiva, charmosa e, principalmente, simples. A plataforma não exige que o dev saiba programar da forma tradicional ou animar, por exemplo, o que facilitou muito a criação de jogos para aqueles que tinham uma história boa para contar.

To The Moon
To The Moon

Os games dessa era se caracterizam principalmente pela história. Por serem jogos mais curtos, muitas vezes feitos por uma pessoa apenas, os jogos de RPG Maker não têm muitas das questões que os jogadores reclamam dos games atuais do gênero, como trechos longos sem muito conteúdo, feitos para enrolar e aumentar o tempo de gameplay ou sustos e jumpscares “vazios”, apostando, ao invés disso, em construir uma atmosfera quase intimista. Um design de áudio imersivo, uma atmosfera que faz você se sentir dentro do game, abundância de detalhes visuais e de personagens que somam ao storytelling e jumpscares e puzzles que servem a um propósito dentro do contexto, somam-se para entregar uma experiência única e muito característica da “época de ouro” desses games.

E, claro, as histórias e temas com os quais esses jogos lidam. São histórias que conversam com temas de trauma, bullying, tragédias e perda, cheias de metáforas para sentimentos humanos como dor, sofrimento e luto, que inevitavelmente acabam sendo temas com os quais os jogadores entram em contato mais cedo ou mais tarde ao longo da vida e, principalmente dentro do contexto onde surgiram, de uma carência de jogos de terror com esse caráter mais “identificável” conversavam de forma muito próxima com essas pessoas.

Image content of the Website

Apesar de serem jogos antigos, eles ainda são extremamente interessantes, charmosos, e os temas foram se tornando cada vez mais relevantes, com a alta de jogos de terror psicológico que observamos atualmente. É claro que um jogo desses não vai entregar a mesma experiência de um Silent Hill 2, mas, dentro do escopo consideravelmente mais restrito, evoca tanta ou mais emoção no jogador. Vamos ver, então, alguns dos jogos mais célebres e renomados dessa época:

Ícones do RPG Maker

Corpse Party

Quando se menciona o título desse game, muita gente associa diretamente ao anime ou aos mangás da série, que deixam o terror muito de lado em prol de focar em aspectos +18 um tanto quanto problemáticos, considerando que os protagonistas são crianças e adolescentes, mas os jogos não são assim! Apenas o jogo original, de 1996, foi feito no RPG Maker, então é sobre ele que esse artigo vai falar.

Image content of the Website

O game conta a história de um grupo de amigos que, ao fazer de brincadeira um ritual de amizade, vai parar em uma realidade alternativa, uma escola chamada Heavenly Host que, sem dar muitos spoilers, foi criada como uma resposta aos traumas vividos por alguns estudantes, assassinados anos atrás. É um ambiente assustador, cheio de fantasmas cruéis e os corpos de suas incontáveis vítimas anteriores, alternando entre controlar alguns núcleos de personagens (do grupo maior separado ao serem transportados para esse local), precisamos dar um jeito de evitar a morte dos personagens e descobrir um jeito de “curar” os traumas das almas presas ali e, assim, evitar que isso continue acontecendo.

É um dos maiores jogos dessa lista, já que ele tem mais de uma storyline acompanhando os diferentes núcleos de personagens, e um dos que tem a história mais complexa, cheia de segredos para serem desvendados, reviravoltas e personagens ambíguos.

Ao Oni

Ao Oni talvez seja o mais famoso dos jogos de RPG Maker, principalmente por conta da sua popularidade entre YouTubers no auge dos vídeos de gameplay de jogos indies de terror. Ele foi um sucesso nos maiores canais da época, como PewDiePie, Markiplier, Jackscepticeye e outros, e foi o primeiro contato de muitos jogadores com esse gênero de games.

Image content of the Website

Nele, seguimos a história de quatro estudantes que vão investigar uma casa abandonada nos arredores da cidade onde moram, e todos os clássicos do terror, estereótipos por um motivo, acontecem: eles ficam presos na casa, acabam separados e são perseguidos por monstros enormes e azuis, os Onis. Controlando Hiroshi, temos que reunir nossos amigos e dar um jeito de fugir dali, resolvendo puzzles e evitando a morte certa na mão dos Onis.

Misao

Misao se diferencia dos outros jogos dessa lista, pois ele tem duas storylines canônicas. Para ter a história completa, o ideal é jogar ambas. A diferença entre elas é o personagem do player. Logo ao iniciar o jogo, você escolhe se joga com um personagem masculino ou feminino, e alguns aspectos da história, diálogos, situações, etc, são diferentes se você joga como homem ou como mulher. Isso tem ligação direta, inclusive, com o final, que não vou elaborar sobre para não dar spoilers, mas o gênero do personagem tem repercussões importantes.

Image content of the Website

O jogo explora temas de bullying e abuso. A escola onde o jogador estuda é transportada para uma realidade alternativa cheia de monstros e elementos aterrorizantes por conta da influência do espírito vingativo de Misao, uma colega de classe do jogador que desapareceu alguns meses antes. E agora, diante dessa nova realidade, temos que descobrir exatamente o que aconteceu com Misao e dar um jeito de acalmar seu espírito e voltar para a nossa realidade, desenterrando os terríveis acontecimentos pelos quais a pobre adolescente passou.

Mad Father

Esse é um dos jogos mais famosos do gênero “terror de RPG Maker”, e com toda a razão! Mad Father tem tudo: uma história envolvente e apavorante, drama familiar, romance, uma atmosfera muito bem construída e personagens incríveis. Ele conta a história de Aya, uma menina que mora com o pai, um cientista muito inteligente, e sua assistente Maria. A mãe dela morreu algum tempo atrás, e o jogo se inicia na noite anterior ao seu aniversário de morte.

Image content of the Website

Logo descobrimos, com a Aya, que o tipo de experimentos que seu pai faz seria fortemente repudiado pelas Convenções de Genebra. Ele se especializa em experimentos com humanos, pegando para isso as pessoas que estão à margem da sociedade, já que elas “não fariam falta”. Nessa noite fatídica, os experimentos falhos, corpos reanimados e espíritos vingativos que resultaram dessa verdadeira casa de horrores que é o laboratório escondido sob a mansão onde Aya e seus pais viviam conseguem se libertar, e agora cabe a Aya fugir deles e do seu pai, que é um verdadeiro cientista maluco. Mas será que ela consegue fugir de sua própria natureza?

Witch’s House

O jogo mais charmoso e cheio de puzzles dessa lista, Witch’s House, traz uma história envolvente, que te deixa emocionalmente investido, principalmente porque praticamente toda sala, todo puzzle, toda interação pode te matar de alguma forma, o que faz com que o jogador seja forçado a balancear a vontade de explorar e desvendar segredos com a cautela por conta da chance de encontrar mais uma morte criativa e inesperada.

Image content of the Website

Me aprofundar na história em qualquer aspecto seria estragar a experiência de jogo, pois a forma como cada ambiente, cada sprite conta um pouco da história das personagens para, no final, construir uma visão mais ampla, é muito interessante. Em linhas gerais, você se vê no lugar da Viola, uma garota de um vilarejo próximo que vai até uma casa no meio da floresta para brincar com sua amiga que mora ali, a Ellen, ignorando todos os avisos de que aquela casa é uma Witch’s House, a casa de uma bruxa.

Ib

Mais um na tendência de jogos com personagens indo parar em universos alternativos, que era bem forte nesse gênero, Ib é talvez o jogo mais diferente e bonito dessa lista, pois ele acontece em um universo criado por um artista, e as interpretações e traduções de obras de arte para ambientes, puzzles e o próprio estilo de arte do game são muito bem feitas.

Image content of the Website

Nele, vivemos a história de Ib, uma criança que foi visitar uma galeria de arte com seus pais, e acaba indo parar em um mundo aterrorizante e bizarro, uma versão distorcida da galeria que existe “dentro” e sob a influência das obras do artista Guertena. Ela conhece outras duas pessoas também presas lá dentro, Garry e Mary, e os três se juntam para tentar achar um jeito de voltar para o mundo real.

The Crooked Man

De todos os vários jogos de terror de RPG Maker que eu já joguei, esse é o que mais se aproxima de uma experiência como a de um Silent Hill 2. Um protagonista com um passado obscuro até para si mesmo e um caminhão de traumas indo de lugar a lugar (como um hospital, um hotel e um complexo de apartamentos) atrás de fragmentos da vida de uma pessoa, conhecendo personagens aparentemente aleatórios, mas que estão ligados à sua história de algum jeito e, no processo, encontrando monstros e uma verdade profunda a respeito de si próprio.

Image content of the Website

É justamente tudo isso que fazemos, controlando David, que acabou de se mudar e encontra no apartamento novo algumas notas que pertenciam ao morador anterior, bem como algumas ocorrências estranhas e barulhos na noite, e decide sair investigando para entender como tudo se conecta com ele, enquanto é assombrado pelo titular Crooked Man, oriundo de uma rima infantil lá de fora com o mesmo nome, que aqui no Brasil é conhecido como Homenzinho Torto.

Yume Nikki

Para finalizar essa lista, o jogo mais controverso já feito no RPG Maker, provavelmente. Yume Nikki é amado por uns, odiado por outros, e não existe sequer um consenso se é um jogo de terror ou não. Ele não tem jumpscares, mas a atmosfera, ambientes, personagens e principalmente o design de áudio deste jogo qualificam ele como, no mínimo, uma experiência inquietante e surrealista.

Image content of the Website

Ele não tem diálogos, batalhas, quests, nada disso. Yume Nikki simplesmente consiste em: Você é uma garota extremamente reclusa chamada Madotsuki, que se recusa a sair de sua casa. Tudo que você faz no jogo enquanto está acordada é ir dormir, e quando você dorme, você pode explorar um mundo completamente surreal, que tem 12 portas para lugares igualmente bizarros. E seu objetivo é simplesmente explorar tudo, em busca de 24 efeitos. Esse game é amplamente considerado como sendo uma grande metáfora para isolamento e depressão, mas a forma como se interpreta e se sente ele é simplesmente impossível de descrever, sendo realmente uma experiência que tem que ser vivida, não contada.

Conclusão

A influência desses jogos de RPG Maker pode ser sentida ao longo de toda a história dos jogos de terror nos últimos 30 anos, não faltaram jogos indies e até mesmo AAA que tentam emular a experiência e atmosfera que esses jogos criaram. Mas jogos criados com o próprio RPG Maker continuam existindo e fazendo muito sucesso, como o famoso Fear & Hunger, de 2018, e sua continuação de 2022, dungeon crawlers notoriamente assustadores e difíceis, ou Omori, de 2020, um jogo de terror psicológico que faz muito sucesso até hoje. Vários dos jogos mencionados aqui, como Ao Oni e Mad Father, também tiveram remakes e relançamentos, em versões melhoradas e mais completas.

Fear & Hunger
Fear & Hunger

O RPG Maker é uma ferramenta muito interessante, e a forma como os devs de jogos de terror exploram todas as possibilidades dela para contar histórias emocionantes e envolventes, entregues junto a experiências de gameplay que prendem o jogador e te fazem ficar realmente imerso naquele mundo por algumas horas, é incrível e merece muito mais reconhecimento do que tem no meio do gênero “terror” de forma mais abrangente. Se você gosta de um bom susto, vale a pena dar uma chance para os títulos dessa lista!

Obrigada pela leitura e até a próxima!

O que você achou deste artigo?

0%
Nota dos usuários (0)

Compartilhe este artigo!