Desde seu anúncio em 2020 e subsequente adiamento em 2022, Pragmata se tornou um daqueles títulos de que ninguém tinha certeza de quando sairia, ou se acabaria por se tornar mais uma na longa lista de títulos promissores que nunca chegam às mãos dos jogadores. Agora, com lançamento marcado para 24 de abril de 2026, a Capcom liberou finalmente a demo para o PlayStation 5. Mesmo sendo breve, ela revela o suficiente para reacender o interesse de quem já o enxergava com ceticismo.
Pragmata parece um sopro de ar fresco vindo de uma equipe de desenvolvimento inteiramente nova no estúdio. Parece revigorante ver a Capcom investindo em uma IP original quando a aposta mais segura na última década tem sido apostar em franquias consolidadas e na nostalgia.
A demo é amostra no sentido mais literal. Levei vinte minutos para completar a primeira run e doze minutos na segunda — motivada pela inserção de dois novos equipamentos e uma roupa alternativa para Hugh. Se ignorarmos o entorno e soubermos para onde ir e como lidar com inimigos, é possível fechar a demo em dez minutos. Talvez menos.
É curto? Sim. Mas é o suficiente para entender a proposta da Capcom com sua nova IP.
Hugh, Diana e IA
Acompanhamos Hugh e a pequena andróide Diana enquanto tentam alcançar o centro de comunicação de uma estação lunar. Uma inteligência artificial os enxerga como invasores e lança robôs e automações para impedi-los. Somos introduzidos aos personagens com Diana exercendo o papel fundamental de uma criança — ela desenha enquanto Hugh tenta lidar, sozinho, com os robôs ao redor deles. Mas a pequena andróide é uma ferramenta essencial do gameplay.

Os visuais são exemplares: o pequeno escopo limitado que temos de ambientação faz um ótimo trabalho de comunicar perigo sem pesar demais o clima. Parte dessa leveza se dá pelos protagonistas também — apesar dos poucos diálogos, os diálogos entre Hugh e Diana ajudam a manter o ambiente leve durante a aventura. São trocas rápidas, quase casuais, que interagem com as informações encontradas na estação sobre os antigos tripulantes.
Não são conversas sérias, mas também não chegam ao nível de soarem como trocadilhos forçados. Além disso, o título aparenta ter sua dose de bobagens — de forma positiva. Por exemplo, ao completar a demo, os jogadores recebem uma roupa alternativa para Hugh cheia de desenhos feitos à canetinha e colagens.
Multitasking no Coração do Combate
O jogador está no controle simultâneo de ambos os personagens. Diana fica nas costas de Hugh e pode hackear terminais enquanto ele se movimenta, pula, flutua e interage com objetos. Para navegação, a tarefa parece simples, mas o combate transforma o multitasking com os dois personagens no maior diferencial de Pragmata até agora.
Se acostumar com o combate — um shooter em terceira pessoa — demanda manter-se atento ao ambiente enquanto utiliza os botões para hackear inimigos. Em outros casos, podemos completar quebra-cabeças mais complexos durante tiroteios e evitar cair em "armadilhas" no grid do inimigo; estar simultaneamente mirando, nos movendo e resolvendo um mini-puzzle de hacking enquanto tentamos desviar dos ataques requer concentração e desafia um conceito já engessado na maneira como as pessoas realizam tarefas no dia-a-dia hoje.

Com Diana no controle do hacking, sempre podemos seguir a rota fácil ou difícil no hacking: ir direto ao ponto e enfraquecer o inimigo por alguns segundos, ou alcançar um dos grids que oferecem bônus de itens consumíveis, como Multihacking ou Redução de Defesa.
Com Hugh, temos o combate de fato. Existem quatro tipos de armas distintas na demo: uma pistola que Hugh recarrega após cada munição com o tempo após seis tiros e armas de maior impacto com funções específicas, encontradas pelo cenário. Algumas imobilizam inimigos, outras causam mais dano à curta distância. Após completar a demo pela primeira vez, surge mais uma arma, feita para desferir golpes carregados eficazes à longa distância.
A velocidade de Hugh enquanto ele mira pode ser um problema em ambientes mais fechados. A câmera "fecha" no que está à sua frente quando apontamos a arma, e inimigos ao lado ou atrás de nós podem atacar desimpedidos e, por vezes, sem nem sequer serem percebidos antes.

Por outro lado, isso faz parte do charme. Precisar tirar a mira, perder a oportunidade de causar mais dano após hackear porque tem um laser mirando em Hugh, utilizar o entorno para se cobrir de ataques à longa distância ou dificultar o alcance do inimigo — tudo isso colabora para tornar o gameplay menos trivial.
As opções de acessibilidade, em geral, ajudam a manter o controle do entorno e tornam Pragmata uma experiência para todos, mas algumas delas perdem um pouco da imersão do multitasking. Para quem é ruim de mira ou não tem experiência com jogos de shooter, existe a opção de "lockar" automaticamente nos inimigos.
No entanto, no que sobra em potencial, falta em profundidade. A demo foca demais em combate e não oferece exemplares de outros elementos importantes que Pragmata promete. Não há nenhum puzzle relevante, os inimigos não oferecem desafios e os combates são um passeio no parque.
Talvez seja a experiência que a Capcom deseja transmitir com a sua demonstração para fazer Pragmata parecer bem acessível, ou para limitar ao produto original, mas a ausência de qualquer sinal de desafio também levanta a dúvida se o jogo final entregará o suficiente para quem busca uma experiência menos relaxada.
Pragmata está longe de um wannabe Death Stranding

Talvez devido ao lançamento de Death Stranding 2, comentários nas mídias sociais comparando Pragmata ao título de Kojima cresceram no último ano. Enquanto algumas fórmulas estéticas parecem compartilhadas entre ambos, Pragmata parece propor uma experiência significativamente distinta da obra de Hideo Kojima.
Seu recheio — ao menos nas primeiras impressões — parece estar no desafio da experiência de multifunção para o jogador. Detalhes sobre o enredo ainda são muito vagos, mas o pouco diálogo e detalhes da trama na demo reafirmam que Hugh não é uma tentativa de replicar Sam Porter Bridges, e Diana está longe de ser a Lou.
A ambientação, tanto na demo quanto nos trailers, também não aparenta se encaixar tão bem nas comparações com Death Stranding. Sim, ambos possuem mundos desolados e um adulto com trajes e apetrechos de navegação acompanhados por uma criança com poderes como personagens centrais, mas as semelhanças podem terminar aí — Pragmata parece muito mais descontraído.
Vale a Pena Ficar de Olho?
Pragmata: The Sketchbook é uma demo promissora que funciona como aperitivo, deixa o gostinho de quero mais, mas apresenta pouca variedade. A proposta de combate multitasking é o grande atrativo e há um equilíbrio interessante entre ação e resolução de problemas que pode render frutos se bem explorado no produto final. Além disso, os visuais estão a par de outras grandes obras da Capcom.
Contudo, não se deve ignorar que a demo é superficial. Os puzzles são inexistentes, o combate é fácil demais, e ainda não sabemos se a Capcom vai conseguir sustentar essa fórmula por um jogo inteiro sem que se torne repetitiva ou tediosa.
É um dos títulos mais interessantes no horizonte de 2026. Uma aposta arriscada em algo novo, feito por uma equipe nova em um dos estúdios mais renomados da indústria, digna de atenção pelos diversos trailers e a longa espera de quatro anos desde a data de lançamento original — nem que seja pela curiosidade de ver se conseguirão entregar algo à altura do que prometeram lá em 2022.
Pragmata sai em 24 de abril para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC via Steam.
Obrigado pela leitura!









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