Ser um vilão? O que é o vilão dentro dos videogames? Aquele chefe final que enfrentamos? Aquela pessoa que é má? Já exploramos em nossos artigos anteriores Vilões que tinham Razão e, dentro dessa zona cinzenta, fica difícil definir quem é bom ou mau. Mas, e quando nós mesmos controlamos os vilões e podemos decidir se o que estamos fazendo é certo ou errado?
Em alguns casos, os vilões estão fazendo coisas erradas sem nem saber. Às vezes, não sabemos que somos os vilões até que seja revelado. Há jogos em que o vilão foi criado pelas circunstâncias, e em outros ele apenas tem atitudes realmente moralmente questionáveis. Seja como for, ser um vilão, jogar como um vilão, sempre é uma experiência diferente. Ser o destruidor em vez do salvador é ver as coisas de um novo ponto de vista e, às vezes, pode até nos fazer mudar de ideia sobre uma verdade que evitamos encarar: todos podemos ser vilões, dependendo de quem conta a história.
Rampage
Este jogo, lançado originalmente para arcade em 1986, Rampage, foi portado para vários consoles e até chegou a receber um filme com The Rock. Você controla três monstros gigantes (os famosos kaijus para quem é mais familiarizado com Godzilla): George, um gorila gigante; Lizzie, um lagarto gigante; e Ralph, um lobisomem gigante. O objetivo é simples: andar por vários estados do país e destruir tudo. Derrubar todos os prédios, destruir exércitos e devorar pessoas que estejam passando ou dentro dos prédios.

A parte interessante é que, quando os monstros ficam sem energia, eles retornam à forma humana e podem ser pisados ou devorados pelos colegas, o que dá uma quantidade maior de pontos. Aqui não há muito segredo ou profundidade. Você e seus amigos são monstros, destroem tudo e acumulam pontos. Podem atacar uns aos outros, disputar para ver quem destrói mais prédios e brigar pela maior pontuação. Mas era muito divertido jogar com os amigos, todos em uma mesma sala.
O game chegou a receber uma versão mais moderna na era 32 bits, Rampage World Tour, mas recebeu críticas duras por não aproveitar os recursos dos consoles da época e por ter controles duros. Nunca fez o mesmo sucesso de antes, sendo considerado apenas um aceno aos fãs nostálgicos. A franquia ficou engavetada até que tentou um retorno com o filme estrelado por Dwayne "The Rock" Johnson, mas também não obteve boa bilheteria, e os monstros voltaram para a gaveta de alguma empresa ou estúdio por aí.
Star Wars: Knights of the Old Republic
Em Star Wars: Knights of the Old Republic, você começa como um soldado desacordado e sem memória, já jogado na ação quando uma invasão começa na nave onde você está, e precisa abrir caminho para fugir disso lutando contra os invasores aliados aos Sith, os maiores inimigos dos Jedi. Com o tempo, você descobre sua afinidade com a Força, constrói seu sabre de luz e aprende novos poderes. E também descobre que tem afinidade com o lado sombrio da Força.

Você pode aprender poderes de ambos os lados. Descobre um plano do terrível Darth Malak. Desenvolve uma amizade forte com um Wookiee, uma Twi'lek, um droide psicopata e uma Jedi mal-humorada. Sua nave viaja por vários setores da galáxia. Você invade festas, leilões, covis de bandidos. Até que sua amiga Jedi é sequestrada e corrompida para o lado sombrio. Com esforço, você pode trazê-la de volta (ou não, se você quiser).
Até que a revelação final vem e atinge você como uma cacetada na cabeça: você era o vilão o tempo todo. Você é Darth Revan, um dos mais malignos Lordes Sith que já existiram, mas foi traído por seu aprendiz, Malak, e acabou preso, e sua memória foi apagada para te convencerem de que você era um dos mocinhos. Assim como vários outros games da "era de ouro" da BioWare, suas ações definem o final do jogo e como o mundo reage a você. Você era o vilão e pode voltar a ser.
Overlord
A forja sibila, a armadura brilha e um novo Senhor das Trevas surge: você. Você é o líder de lacaios gritando que veneram todas as ordens malignas. Marche para esmagar heróis, saquear reinos e reivindicar relíquias esquecidas em Overlord. Desenvolvido pela Codemasters Studios Guildford, o jogo mistura ação com gerenciamento de recursos e lacaios.

O mundo transborda cor e humor negro. Seus lacaios gargalham, lutam e bebem de barris quando você não está olhando. Cada missão segue um ritmo satisfatório: explore, comande, conquiste, colete. Queime vilarejos, saqueie. Afinal, você é um vilão tentando recuperar seu império do mal.
Envie seus lacaios para abrir caminho, coletar tesouros e subjugar inimigos enquanto você dirige o fluxo da batalha de trás das linhas. A emoção vem de deixar seu exército diminuto fazer o trabalho sujo enquanto você aprecia a carnificina. A desordem é a estratégia. Nem tudo funciona perfeitamente. Os controles podem falhar quando seu exército se aglomera, e a câmera às vezes se perde na ação. Mesmo assim, é difícil não sorrir enquanto seu exército invade mais uma vila indefesa.
Plague Inc: Evolved
Talvez aqui não possamos encaixar a ideia de vilania, afinal, não há maldade intencional nos vírus e bactérias que controlamos. Então não é um "jogo onde jogamos com o vilão". Aqui em Plague Inc: Evolved, VOCÊ é claramente o vilão controlando bactérias, vírus, fungos e outras doenças com o objetivo final de contaminar e eliminar toda a humanidade.

Você começa definindo um tipo de organismo que irá cultivar, como um vírus ou fungo, e cada um tem seu próprio funcionamento, vantagens e desvantagens. Também escolhe onde vai "soltá-lo" para começar: lugares mais populosos são bons para infectar mais gente e têm mais rotas marítimas e aéreas, porém a medicina pode ser mais avançada, facilitando a detecção e a criação de uma cura. Áreas menos populosas e rurais têm menos rotas de saída, mas são mais fáceis de infectar e menos desenvolvidas cientificamente.
Conforme você infecta mais pessoas, ganha pontos para ir desbloqueando novas mutações, aumentando a contaminação, a resistência e a letalidade. Conforme você infecta as pessoas, elas morrem, e os cientistas buscam uma cura. Então, o jogo depende de estratégia e pensamento rápido para que sua doença seja mortal o bastante e leve a humanidade à extinção.
Braid
Braid é um jogo que subverte as expectativas e tudo o que sabemos sobre jogos de plataforma desde o Donkey Kong original. Ele começa como um charmoso jogo de plataforma e quebra-cabeça, mas se transforma em algo muito mais sombrio. Você joga como Tim, em busca de redenção e de uma princesa misteriosa através de reinos coloridos. O que mais impressiona é a sensação de jogar um clássico dos jogos de plataforma em que o herói salva a princesa.

Os visuais pintados à mão envolvem você com uma sensação calorosa, a música é otimista, mas, conforme você avança no jogo, algo muda, e tudo parece mais com um lamento de pesar. Resolver uma fase parece algo pessoal, quase doloroso, à medida que a verdade por trás da obsessão de Tim começa a vir à tona. Você experimenta, falha e recomeça. O poder de voltar no tempo ajuda você a sempre corrigir uma falha e seguir avançando.
Mas você não está corrigindo erros, você está aperfeiçoando-os. Você não está tentando novamente um caminho diferente para salvar a princesa e salvar o mundo. Você está corrigindo os erros do seu plano inicial e mantendo a princesa como sua. Você é um vilão buscando uma forma de aprimorar sua maldade. Essa busca pela maestria é o diferencial que torna este um jogo indie imperdível. O tempo não perdoa; é uma ferida que você continua reabrindo.
Tyranny
Na maioria dos RPGs, você luta para impedir que um senhor sombrio domine o mundo. Em Tyranny, desenvolvido pela Obsidian Entertainment, você chegou tarde demais. A guerra já acabou. Kyros, um poderoso conquistador capaz de destruir cidades inteiras por meio de magia, venceu. Reinos foram esmagados, exércitos foram derrotados e os poucos focos de resistência que restam estão prestes a desaparecer. Você não é um herói tentando salvar ninguém. Você é um Fatebinder, uma autoridade a serviço do império responsável por fazer cumprir as leis do conquistador.

Sua missão leva você para as Terras Disputadas, uma região onde os exércitos de Kyros estão brigando entre si enquanto tentam eliminar os últimos rebeldes. Pelo caminho, você conhece soldados fanáticos, generais ambiciosos, magos poderosos e sobreviventes tentando se adaptar ao novo mundo. Cada conversa pode terminar em uma aliança, uma execução ou uma guerra aberta. As decisões que você toma alteram cidades inteiras, mudam o destino de facções e influenciam quem estará ao seu lado no final da campanha.
O combate segue o estilo clássico dos RPGs isométricos, com batalhas em tempo real e pausa estratégica para dar ordens ao grupo. Você desenvolve novas habilidades, aprende magias e conquista a lealdade ou o medo das pessoas ao seu redor. O diferencial é que praticamente todas as escolhas possuem consequências duradouras. Você pode agir como um tirano impiedoso, governar através do medo ou tentar tornar o império um lugar menos cruel, mesmo continuando a servi-lo.
Prototype e inFAMOUS
Nesta categoria, além dos dois games da franquia Prototype, podemos incluir os games da franquia inFAMOUS. Ambos são bem próximos um do outro. Você é uma pessoa que sobrevive a experimentos secretos e ganha poderes. Absorção, cópia de aparências, raios, armas orgânicas — enfim, o arsenal dos protagonistas é bem variado, mas a ideia é bem parecida: descobrir quem fez isso com você, o motivo e qual é o seu papel nessa história.

Em inFAMOUS, a história gira em torno de Cole MacGrath, um simples entregador que vê sua vida mudar completamente quando uma encomenda misteriosa explode no coração de Empire City. A explosão destrói vários quarteirões, mata milhares de pessoas e mergulha a cidade no caos, mas também desperta em Cole a capacidade de controlar eletricidade. Considerado por muitos o responsável pela tragédia, ele passa a ser odiado pela população enquanto tenta entender o que realmente aconteceu naquele dia.
Já em Prototype, a história gira em torno da tentativa de descobrir a origem da infecção e o papel de Alex em toda a tragédia. Para isso, o jogador invade bases militares, infiltra-se em instalações secretas e caça pessoas ligadas à conspiração. Conforme absorve suas vítimas, Alex desbloqueia fragmentos de memória que ajudam a montar o quebra-cabeça. Aos poucos, ele percebe que existe muito mais por trás da epidemia do que imaginava, e que sua própria existência está ligada aos eventos que destruíram a cidade.
Ambos os games oferecem a escolha de ser um vilão ou um herói. Você pode jogar como alguém que evita a destruição e o caos, ou simplesmente destruir tudo no seu caminho com seus poderes, matar o máximo de pessoas possível e ser uma verdadeira ameaça ao mundo. "Vocês criaram um monstro? Então vocês vão ter um." Cada tipo de caminho que você toma muda um pouco o final do jogo, mostrando as consequências de suas atitudes, tanto para o bem quanto para o mal.
Destroy All Humans!
Os filmes de ficção científica dos anos 1950 costumavam contar histórias sobre alienígenas tentando invadir a Terra e heróis humanos lutando para impedir a catástrofe. Destroy All Humans!, desenvolvido pela Pandemic Studios, pega essa ideia e vira tudo de cabeça para baixo. Aqui você não é o soldado defendendo o planeta. Você é Crypto-137, um extraterrestre da raça Furon enviado para os Estados Unidos com a missão de espalhar o caos, coletar DNA humano e ajudar nos planos de conquista de sua espécie.

A campanha acompanha Crypto enquanto ele investiga uma conspiração envolvendo o governo americano e tenta descobrir por que os humanos possuem material genético importante para os Furons. Para cumprir seus objetivos, você visita fazendas, pequenas cidades, bases militares e áreas urbanas cada vez mais movimentadas. Conforme a história avança, o exército passa a responder com mais força, e novas ameaças surgem para atrapalhar a invasão.
A jogabilidade mistura ação, exploração e destruição em um mundo semiaberto. Crypto possui uma enorme variedade de armas futuristas capazes de desintegrar pessoas, eletrocutar multidões ou transformar humanos em simples pilhas de cinzas. Além disso, ele pode ler pensamentos, controlar mentes, lançar objetos pelo cenário usando telecinese e até se disfarçar assumindo a aparência de pessoas comuns. Quando a situação sai do controle, seu disco voador entra em cena equipado com armamentos ainda mais devastadores, capazes de destruir prédios inteiros e transformar ruas movimentadas em verdadeiras zonas de guerra.
The Dark Queen of Mortholme
Em The Dark Queen of Mortholme, desenvolvido pela Mosu, você controla o último chefe de um jogo ao estilo Soulslike. Você é o chefe final, o vilão final do game! Desta vez, você não controla o herói. Você é a Rainha Sombria, sentada em seu trono enquanto aguarda a chegada do aventureiro destinado a derrotá-la. E você o derrota.

O herói invade seu castelo, você usa seus poderes e o mata num golpe. Fácil, afinal, você é o último chefe e não teria problemas em derrotar o seu inimigo. O problema é que ele volta. E depois volta de novo. E de novo. A cada derrota, o herói aprende um pouco mais, fica mais forte e descobre novas maneiras de sobreviver aos seus ataques. Assim como um jogador de Soulslike, cada vez que morre, aprende um pouco mais sobre como evitar os ataques dos chefes até vencer.
A jogabilidade gira em torno dessa repetição. Você usa diferentes ataques da Rainha Sombria para matar o invasor e, enquanto isso, vê-lo ficando cada vez mais forte a cada luta. Você vai conhecendo mais da história da Rainha e do Herói a cada luta por meio de diálogos entre eles, e o papel de vilão do jogo vai sendo questionado, com dúvidas surgindo.









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