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10 jogos que os modders mantêm vivos

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Conheça dez jogos clássicos e modernos que continuam relevantes graças à dedicação incansável dos modders, que criam conteúdos, melhorias gráficas e novas experiências para comunidades apaixonadas leais globais.

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Mods sempre fizeram parte da cultura dos PC gamers, mas houve um momento em que eles deixaram de ser apenas “pequenos complementos” e passaram a literalmente manter jogos vivos. E sejamos sinceros: em alguns casos, os fãs fizeram mais pelos games do que os próprios estúdios.

Enquanto algumas empresas abandonavam seus jogos poucos meses depois do lançamento, a comunidade ia lá e fazia o trabalho duro: corrigia bugs, melhorava performance, criava campanhas novas, adicionava multiplayer, refazia gráficos e até transformava completamente o gênero do jogo original.

E isso criou uma situação curiosa na indústria. Existem jogos hoje que continuam gigantescos décadas depois não porque receberam suporte oficial, mas porque os jogadores simplesmente se recusaram a deixá-los morrer.

Então, vamos falar sobre alguns dos jogos mais importantes quando o assunto é mods, preservação e comunidades apaixonadas e, se você tiver dúvidas, deixe um comentário.

Fallout: New Vegas

Fallout: New Vegas foi desenvolvido pela Obsidian e publicado pela Bethesda em 2010. Ele usava praticamente a mesma engine de Fallout 3, mas tinha uma pegada muito mais focada em RPG clássico, escolhas e consequências, com uma história bem mais desenvolvida e trabalhada, considerada uma das melhores até hoje.

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Você é o Courier, um mensageiro que sobrevive após levar um tiro na cabeça no meio do deserto de Mojave. A partir daí, ele acaba envolvido numa disputa enorme entre facções como a New California Republic, a Caesar’s Legion e o misterioso Mr. House.

O grande diferencial de New Vegas sempre foi a liberdade absurda. Quase toda missão tinha mais de uma solução, e o jogo realmente reagia às suas decisões. O problema é que ele saiu extremamente quebrado.

E quando digo quebrado, é verdadeiramente quebrado.

Travamentos constantes, saves corrompidos, bugs em quests importantes e problemas de performance transformavam a experiência numa loteria. Foi nesse momento que a comunidade entrou em cena.

O famoso Yukichigai Unofficial Patch tornou-se praticamente obrigatório no PC porque corrigia milhares de problemas deixados pela versão oficial.

Projetos como Project Nevada, New California e Tale of Two Wastelands praticamente transformaram o jogo. O Tale of Two Wastelands, por exemplo, une Fallout 3 e New Vegas num único game gigantesco. Já o New California adiciona uma campanha inteira feita pela comunidade, com dezenas de horas de conteúdo.

Até hoje há pessoas jogando Fallout: New Vegas com gráficos melhores, combate retrabalhado, clima dinâmico, IA aprimorada e sistemas modernos graças aos mods.

The Elder Scrolls V: Skyrim

Assim como Fallout, Skyrim é outro jogo que mostra como a Bethesda é receptiva a mods. E este se tornou um jogo que praticamente obrigou as gigantes do mundo dos games, como Microsoft e Sony, a aceitar mods em seus games. Lançado pela Bethesda em 2011, o game colocou os jogadores na pele do Dragonborn, alguém capaz de absorver almas de dragões e usar os famosos Thu’um. Mas convenhamos: quase ninguém lembra de Skyrim apenas pela história principal.

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Você podia ignorar completamente a campanha principal e passar centenas de horas explorando cavernas, entrando em guildas, roubando NPCs, tornando-se vampiro ou simplesmente andando pelo mapa admirando paisagens enquanto uma música ambiente tocava ao fundo.

Então a Bethesda tomou uma decisão que mudou tudo: liberou ferramentas oficiais para mods.

Resultado? A comunidade criou mods em profusão.

Há mods que melhoram combate, adicionam sobrevivência, criam cidades inteiras, inserem campanhas novas, mudam totalmente os gráficos e até transformam Skyrim em um soulslike. Outros adicionam física melhorada, necessidades básicas, novas animações e sistemas completos de magia.

O famoso Unofficial Skyrim Patch tornou-se obrigatório porque corrige uma quantidade absurda de bugs que ficaram na versão oficial. Já o Enderal é tão ambicioso que parece um RPG completamente novo usando a engine de Skyrim.

Metade da graça de Skyrim hoje é passar mais tempo instalando mods do que jogando. Sempre há aquele momento em que você instala “só mais um” e acha que o jogo vai travar na inicialização.

Minecraft

Minecraft já era gigantesco sozinho, mas os mods o transformaram numa coisa completamente fora da realidade. Criado originalmente por Markus “Notch” Persson e depois adquirido pela Microsoft, Minecraft tornou-se uma espécie de caixa de ferramentas infinita para a criatividade.

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E a comunidade aproveitou isso da forma mais criativa possível. Os jogadores criaram mods de magia, automação industrial, RPG, exploração espacial, Pokémon, sobrevivência hardcore, terror e tecnologia futurista.

E isso sem falar nos modpacks. Tekkit, Feed The Beast e RLCraft praticamente se tornaram jogos diferentes rodando dentro de Minecraft. Há pacotes de mods que transformam o game em algo parecido com Diablo, Terraria ou até simulador industrial.

Além disso, os shaders modernos deixaram Minecraft assustadoramente bonito. Hoje você consegue jogar com ray tracing, iluminação realista, água física e gráficos que parecem de outro jogo. E o mais curioso é perceber como vários recursos criados pela comunidade acabaram inspirando atualizações oficiais da Mojang depois.

Garry’s Mod

Garry’s Mod talvez seja um dos maiores símbolos da cultura de mods. O jogo nasceu originalmente como um mod de Half-Life 2 antes de se tornar um título independente em 2006. Só que, na prática, ele nunca deixou de ser uma plataforma comunitária, porque o foco nunca foi campanha. O objetivo era dar ferramentas para os jogadores criarem qualquer coisa.

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E a comunidade criou, de fato.

A Steam Workshop transformou o jogo numa verdadeira loucura. Existem servidores de roleplay, modos de terror, simuladores de vida, machinimas, mapas gigantescos, NPCs personalizados e até modos inspirados em jogos completamente diferentes. Durante anos, metade do YouTube gamer parecia ter saído de Garry’s Mod. Muitas séries famosas nasceram ali.

Além disso, o sistema em Lua fez com que muita gente aprendesse programação básica dentro do próprio jogo. E, sinceramente, poucos títulos tiveram um impacto tão grande na cultura da internet gamer quanto GMod.

GTA V

Claro, GTA Online ajudou bastante na longevidade de GTA V. Mas os mods criaram praticamente um segundo ecossistema dentro do jogo. E o maior responsável por isso foi o FiveM.

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Graças aos servidores de roleplay, GTA V deixou de ser apenas um jogo de ação em mundo aberto e se tornou quase uma rede social caótica. Nos servidores RP, os jogadores interpretam personagens e trabalham como policiais, médicos, taxistas, mecânicos, jornalistas ou criminosos.

Tudo funciona através de interpretação. E convenhamos: alguns servidores são tão complexos que parecem MMORPGs modernos. Há sistema econômico, facções, tribunais, empresas, organizações criminosas e até eleições em alguns casos.

Além disso, os mods gráficos deixaram GTA V extremamente realista. Há vídeos no YouTube que você olha e sinceramente não consegue distinguir de imagem real nos primeiros segundos.

E a comunidade ainda adicionou carros reais, física melhorada, campanhas novas, zumbis e cidades inteiras refeitas.

Stardew Valley

Stardew Valley já era viciante sozinho. Afinal, quem nunca entrou “apenas para regar algumas plantas” e percebeu que perdeu três horas da própria vida?

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Criado por Eric Barone, o jogo mistura agricultura, relacionamentos, mineração, pesca e exploração num pacote extremamente confortável. Só que a comunidade decidiu expandir isso ainda mais.

O gigantesco Stardew Valley Expanded adiciona NPCs novos, regiões inéditas, eventos extras e dezenas de horas adicionais de conteúdo. E isso sem contar mods que adicionam:

• automação agrícola (via link);

• culinária aprofundada;

• romance expandido;

• profissões novas;

• mapas enormes;

• melhorias de interface.

Há até mods que transformam Stardew Valley em um RPG medieval completo.

O mais legal é que o próprio criador começou a oferecer suporte melhor para mods nas atualizações oficiais, ajudando bastante a manter o jogo vivo por tantos anos.

The Sims 4

The Sims 4 possui uma das maiores comunidades de mods da indústria. E boa parte disso aconteceu porque muitos jogadores achavam o conteúdo base limitado demais. Então os fãs resolveram fazê-los eles mesmos.

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Hoje existem mods que adicionam gravidez mais realista, doenças, emoções complexas, violência, sobrenatural, empregos inéditos e interações sociais muito mais profundas. Mas o maior fenômeno talvez seja o conteúdo customizado.

Há pessoas que passam mais tempo baixando roupas, móveis, penteados e decoração do que jogando propriamente dito. A cena de customização tornou-se praticamente um universo paralelo.

E, sinceramente, parte da identidade moderna de The Sims 4 existe graças à comunidade de modders.

Doom

Doom não é apenas um clássico. Ele é praticamente uma peça histórica da cultura gamer.

Lançado em 1993 pela id Software, o jogo ajudou a popularizar mods graças à facilidade de criar WADs, pacotes com conteúdo personalizado. E a comunidade nunca mais parou.

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Décadas depois, ainda surgem campanhas novas, armas, monstros, mapas completos e projetos extremamente ambiciosos. Mods como Brutal Doom transformaram o gameplay em algo muito mais violento e moderno.

Já Total Chaos praticamente se tornou um survival horror completo usando a base clássica de Doom.

Além disso, engines modernas como GZDoom permitiram iluminação dinâmica, suporte widescreen, scripts avançados e compatibilidade moderna.

Mesmo com as sequências que temos até os dias de hoje, como Doom: Dark Ages, o clássico de 1993 não foi esquecido pelos modders, que continuam explorando o inferno em grandes pixels 2D que eram movidos para dar a impressão de tridimensionalidade.

Sem contar todos os lugares onde Doom já rodou por meio de mods e programação. No fim das contas, Doom se tornou uma plataforma eterna de experimentação.

Half-Life

Half-Life revolucionou os shooters narrativos em 1998, mas talvez seu maior legado tenha vindo da comunidade, porque vários jogos gigantes começaram originalmente como mods de Half-Life. Os maiores exemplos são Counter-Strike, que dominava as lan-houses no final dos anos 1990, Team Fortress Classic e Day of Defeat. Basicamente, a Valve criou uma engine extremamente flexível… e a comunidade fez o resto.

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Além disso, os fãs produziram campanhas novas, melhorias gráficas e remakes completos. O projeto Black Mesa, por exemplo, refez Half-Life inteiro usando tecnologia moderna. E, sejamos sinceros: sem a cultura de mods de Half-Life, talvez a própria Steam nunca tivesse crescido da forma como cresceu, e nunca teríamos campeonatos de e-Sports como temos hoje.

OpenTTD

OpenTTD é um exemplo perfeito de comunidade salvando um jogo antigo da extinção.

O projeto surgiu como uma recriação open source de Transport Tycoon Deluxe, clássico lançado originalmente em 1994 por Chris Sawyer.

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O objetivo continua o mesmo: criar rotas de transporte, expandir a economia e construir impérios logísticos usando trens, ônibus, navios e aviões. Só que a comunidade expandiu isso de forma significativa.

Foram adicionados multiplayer online, mapas gigantescos, inteligência artificial avançada, veículos inéditos, gráficos reformulados e sistemas econômicos muito mais complexos. Os famosos NewGRFs praticamente multiplicaram a quantidade de conteúdo disponível de um jogo que, em outra circunstância, já estaria completamente abandonado.

E o mais impressionante: há pessoas jogando OpenTTD competitivamente até hoje, graças a esses mods e patches lançados pela comunidade.

Conclusão

Os mods mudaram completamente a história dos videogames.

Em muitos casos, as comunidades fizeram mais pela longevidade dos jogos do que os próprios estúdios. Alguns títulos sobreviveram graças a patches não oficiais. Outros se tornaram plataformas permanentes de criatividade.

E o mais interessante é perceber que isso atravessa gerações inteiras. Existe uma linha contínua ligando Doom nos anos 1990 até Minecraft e GTA V hoje. No fim das contas, os jogadores deixaram de ser apenas consumidores. Eles passaram a atuar como preservadores, programadores, designers, roteiristas e criadores de conteúdo.

Boa parte da indústria moderna dos games existe graças a essas comunidades.