A Bungie é conhecida na indústria por ter nos entregado Halo e Destiny, duas franquias com universos muito bem construídos e um gameplay capaz de prender os jogadores por anos. Mas agora, um outro mundo surgiu: Marathon. Com o selo da PlayStation Studios, o game nos leva para Tau Ceti IV, um universo onde a sobrevivência virou uma arma, mas nem todos dão valor a ela.
Como assim não dão valor? Diferente das franquias citadas, a desenvolvedora agora aposta em um shooter de extração. Nele, você é um Runner (Corredor), e toda vez que falha ao tentar lutar contra as tropas da UESC, força militar do planeta Tau Ceti, pode ser ressuscitado por “impressoras biológicas super avançadas” capazes de fazer o download da sua mente de um servidor.
Isso mesmo, você escolhe o casco, e guia com o seu conhecimento. Uma realidade bem diferente, mas muito bem explicada. Esse looping de extrair, perder os loots, voltar para seu hub, descer em Tau Ceti de novo fica perfeito. Tudo isso casa muito bem com um gunplay que pode ser considerado um dos melhores do estúdio até aqui. Parece incrível, não é mesmo? Mas o jogo tem seus erros, sim.
A história de Tau Ceti IV e o legado da colônia
Para entender o universo de Marathon, é preciso voltar muitos séculos antes do início das partidas. Tau Ceti IV foi a primeira colônia humana fora do sistema solar. O planeta foi colonizado pela UESC quando a nave UESC Marathon chegou ao sistema Tau Ceti no ano de 2767.
A colônia recebeu o nome de New Cascadia e rapidamente se transformou em um projeto ambicioso da humanidade. Com biomas semelhantes aos da Terra, o planeta parecia ideal para a expansão humana. Durante seu auge, cerca de 24 mil pessoas viviam ali. Mas esse futuro promissor começou a se demonstrar não tão interessante (e safo) algumas décadas depois.

Em 2794, Tau Ceti IV sofreu um ataque devastador da raça alienígena conhecida como Pfhor. O confronto começou quando uma nave de reconhecimento detectou a presença humana no planeta. O ataque não foi apenas uma invasão convencional: o próprio sistema que sustentava a colônia começou a colapsar.
Parte desse desastre está ligada à inteligência artificial Durandal, que já demonstrava sinais de comportamento instável. Durante o ataque, forças humanas tentaram resistir utilizando soldados cibernéticos extremamente avançados. Esses combatentes conseguiram conter parte da invasão inicial, mas o dano já estava feito. A própria nave Marathon sofreu ataques no espaço, e seus destroços acabaram caindo sobre o planeta.
Mesmo após esse evento catastrófico, a colônia aparentemente conseguiu sobreviver por algum tempo. Registros indicam que Tau Ceti IV foi reconstruída e voltou a funcionar, ainda que de forma fragilizada. Esse período de reconstrução, no entanto, também terminou de forma misteriosa. Poucas respostas, não é? Talvez seja uma estratégia de nos manter interessados em fuçar os arquivos e áudios soltos pelo mundo do jogo. Tem funcionado.
Por volta de 2804, todo contato com a colônia foi perdido. Catástrofes e o desaparecimento da humanidade. Acabou? Nada disso. Décadas depois, novos registros apontam para acontecimentos ainda mais estranhos. Ciclos de esperança começam e terminam. Como está a colônia? Temos tecnologia para vermos de fato como tudo está se moldando por lá?
Em 2812, um ataque biológico ou químico atingiu a população humana restante em Tau Ceti IV. Outro incidente ocorreu em 2827, quando um evento inexplicável fez com que humanos simplesmente explodissem sem causa aparente. Essas catástrofes sucessivas transformaram o planeta em um lugar abandonado, repleto de tecnologia esquecida e ruínas de uma civilização que desapareceu.
O resultado de tudo isso foi o mesmo: Tau Ceti IV entrou em declínio. No final do século XXIX, o planeta já era considerado praticamente morto. Mesmo assim, a UESC decidiu retornar ao local com novas forças militares. Vai que tem alguma coisa por lá, não é mesmo? E tinha.
A missão oficial nunca foi totalmente esclarecida, mas tudo indica que o objetivo era recuperar tecnologia perdida e investigar os eventos que levaram ao colapso da colônia. É nesse momento que entram os Runners, ou Corredores, chame como quiser.
O papel dos Corredores no novo mundo
No ano de 2893, Tau Ceti IV já não é mais uma colônia humana. O planeta virou um campo de exploração perigoso, controlado por drones militares e sistemas automatizados da UESC. É nesse ambiente que os Runners passam a operar.
Esses mercenários são enviados ao planeta para explorar instalações abandonadas, coletar recursos e enfrentar qualquer ameaça que apareça no caminho. A diferença em relação a soldados comuns está na tecnologia que sustenta esses combatentes. E curiosamente, é daí que surge uma das mecânicas de gameplay capazes de justificar o seu retorno ao planeta.
Um Runner não depende de um único corpo.
Sua mente pode ser armazenada digitalmente e transferida para novos cascos biológicos sempre que necessário. Essa tecnologia permite que esses exploradores retornem à ação mesmo depois de morrerem em combate.
Essa mecânica não é apenas um detalhe narrativo. Ela também explica o próprio loop de gameplay do jogo. Cada incursão em Tau Ceti IV pode terminar em sucesso ou fracasso. Se o jogador morre durante a missão, o Runner simplesmente retorna em um novo corpo, pronto para tentar novamente.
Esse ciclo constante reforça a ideia de que os Corredores são ferramentas descartáveis em uma missão muito maior. O planeta guarda segredos que ainda não foram totalmente revelados, e cada nova incursão pode trazer pistas sobre o destino da colônia, dos humanos, das tecnologias — sim, é realmente muita coisa perdida, mas o jogo parece ter algo estilo Destiny guardado para ser liberado aos poucos.

Se a história cria o contexto, o gameplay é o que realmente sustenta Marathon. E nesse aspecto, o jogo entrega exatamente o que se espera de um estúdio como a Bungie, responsável por franquias como Halo e Destiny. O gunplay é simplesmente excepcional, um dos melhores do gênero em questão de satisfação ao acertar um alvo. Não é um exagero, ok?
Cada arma possui uma identidade muito clara. O peso dos disparos, o recuo, o impacto visual e sonoro — tudo contribui para criar uma sensação extremamente satisfatória durante os combates.
E essa qualidade não aparece apenas nas armas básicas. O sistema de attachments permite modificar profundamente o comportamento de cada equipamento. Alguns acessórios melhoram precisão, outros aumentam dano ou alteram o ritmo de disparo. Tamanha variedade cria um nível alto de personalização.
Além disso, o jogo separa diferentes tipos de munição para cada arma, o que adiciona uma camada estratégica durante as incursões. Gerenciar recursos se torna essencial, principalmente quando o jogador decide explorar áreas mais perigosas do mapa.
Essa combinação de armas bem construídas e sistemas de personalização reforça o principal ponto forte do jogo. Marathon pode até apresentar falhas estruturais, mas sua base de combate é extremamente sólida. Assim, como sua evolução, que é ligada às Facções e outros sistemas de personagem
Durante a progressão, os Runners podem trabalhar para diferentes organizações. Cada facção oferece vantagens específicas que impactam diretamente a forma como o jogador aborda as partidas. Algumas aumentam a quantidade de créditos obtidos nas missões. Outras oferecem melhorias físicas para o personagem, como maior resistência ou recuperação de energia.
Essa estrutura incentiva os jogadores a escolherem estilos de jogo diferentes. Quem prefere explorar o mapa com mais calma pode investir em recompensas econômicas. Já jogadores mais agressivos podem focar em benefícios voltados para combate. Com o tempo, completar contratos aumenta a reputação com cada facção, liberando novas recompensas.
Esse sistema cria um senso de progressão que vai além da simples coleta de equipamentos.
Com toda essa explicação, fica claro que a estrutura central de Marathon gira em torno de um loop relativamente simples.
Antes de cada partida, o jogador monta seu loadout no hub principal. Ali é possível selecionar armas, equipamentos e melhorias. Depois disso, o Runner desce até Tau Ceti IV para iniciar a incursão. Durante a missão, o objetivo é explorar o mapa, coletar recursos e completar contratos antes de escapar com vida.
Mas não é tão simples. Só parece. Tem uma coisa que é capaz de te deixar tenso toda vez que entra em uma instalação: a presença constante de outros jogadores e as forças da UESC.
Qualquer erro pode resultar na perda total dos itens coletados. Essa mecânica de risco é o que torna os shooters de extração tão intensos. Cada decisão dentro da partida importa. Continuar explorando pode gerar recompensas maiores, mas também aumenta o risco de perder tudo.
Por mais que enfrentar os da nossa raça traga um pouco de versatilidade, não descarte o poder da IA de Marathon! Os soldados da UESC demonstram comportamento extremamente avançado para um jogo de tiro em primeira pessoa. Eles utilizam cobertura de forma inteligente, pressionam posições estratégicas e respondem rapidamente às ações do jogador.
Em muitos casos, enfrentar esses inimigos controlados pela IA pode ser mais difícil do que lutar contra outros jogadores. Essa característica adiciona uma camada inesperada (e muito gostosa) de tensão. Além disso, o design sonoro do jogo ajuda a elevar a intensidade dos confrontos. A trilha sonora entra de forma dinâmica durante momentos críticos, aumentando a sensação de perigo.
Quando um combate começa e a música surge gradualmente, a experiência ganha uma atmosfera quase cinematográfica. Esses momentos representam o melhor que a Marathon tem a oferecer. Só que, infelizmente, nem tudo é perfeito.
Mapas pouco dinâmicos prejudicam o ritmo
Um dos problemas mais evidentes está no design dos mapas. Embora Tau Ceti IV apresente ambientes interessantes visualmente, muitos desses espaços parecem vazios durante grande parte das partidas.
O jogador frequentemente atravessa longas áreas sem encontrar eventos relevantes ou atividades secundárias.

Isso reduz o senso de urgência durante a exploração. Em jogos desse gênero, o ambiente precisa constantemente incentivar decisões estratégicas. Quando não há estímulos suficientes, a partida pode se tornar lenta. Essa limitação contrasta com experiências recentes como Helldivers 2, que utiliza eventos emergentes para manter o jogador sempre ocupado.
Em Marathon, essa sensação de dinamismo ainda parece incompleta. Mas outro problema de navegação é capaz de impactar ainda mais a sua experiência, só que ele está nos menus:
Interface e onboarding deixam a desejar
Outro ponto fraco aparece nos sistemas de interface. Os menus claramente foram projetados com mouse e teclado em mente. Nos consoles, a navegação depende de um cursor controlado pelo analógico, o que torna a experiência lenta e pouco intuitiva. Organizar equipamentos ou navegar pelo inventário acaba se transformando em um processo cansativo.
Além disso, o onboarding inicial falha em explicar várias mecânicas importantes do jogo. Novos jogadores podem demorar bastante tempo para entender sistemas básicos de interação, objetivos de missão ou funcionamento das facções. Em um gênero que já possui certa complexidade natural, essa falta de orientação pode afastar parte do público.
Conclusão: Marathon é incrível, tem um ótimo gunplay, mas precisa melhorar
Marathon é um jogo que demonstra claramente o talento da Bungie para criar mecânicas de combate excepcionais. O gunplay é um dos melhores já produzidos pelo estúdio, e a inteligência artificial dos inimigos adiciona uma camada impressionante de interesse, e a imersão com o design de som ao andar dentro das instalações é simplesmente absurda.
O jogo consegue ser bem tóxico com o jogador, para ser sincero. Te irrita, te faz querer pedir reembolso, chateia, mas os momentos bons são bons demais e valem a pena.
Por mais vazio que o mapa esteja em algumas situações — que a Bungie inclusive já tem trabalhando em maneiras de manter tudo “fresco” —, a sede por vencer os ciclos é grande. Vicia. Dá vontade de repetir. E a comunidade é muito legal, diga-se de passagem!

É possível indicar? Sim. Mas entre sabendo que é um jogo pago com um onboarding fraco, ou seja, você terá de se esforçar um pouquinho para se jogar de fato na experiência verdadeira. Principalmente com os mapas mais elaborados, como os Cryo Archives chegando. É um jogo como serviço, então, com o tempo, muita coisa mudará.












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