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Jogos de Terror: Como o gênero evoluiu ao longo dos anos

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O terror é definitivamente um gênero nichado dentro de qualquer tipo de mídia, mas nos games especialmente, ele junta uma fanbase fiel e muito dedicada. Acompanhe nesse artigo como esse gênero mudou e evoluiu ao longo dos anos!

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Os primeiros jogos de terror lançados datam das décadas de 70 e 80, com títulos como Haunted House de 1972, Mystery House de 1980, 3D Monster Maze em 1982 e Sweet Home, lançado em 1989 pela Capcom e dito como o precursor de Resident Evil. Em sua maioria, aventuras em primeira pessoa, todos tinham sustos, monstros e temáticas de terror, e focavam no combate direto com os inimigos.

3D Monster Maze, onde você tinha que fugir de um dinossauro dentro de um labirinto.
3D Monster Maze, onde você tinha que fugir de um dinossauro dentro de um labirinto.

À medida que o gênero foi se estabelecendo, e alguns jogos se destacando mais entre os fãs e, consequentemente, no mercado, algumas tendências começaram a aparecer, e formaram o que se pode chamar de “eras” da história dos jogos de terror, já que estamos falando de evolução. Vamos às maiores e mais marcantes delas:

As eras do terror

Survival Horror

Nos anos 90, um dos marcos da história dos games de terror foi lançado: Alone in The Dark, de 1992 (sim, o mesmo Alone in The Dark que teve um remake lançado ano passado, em 2024! Falaremos mais sobre isso mais para frente), é considerado o predecessor de todos os jogos de Survival Horror. Foi o primeiro jogo de terror em 3D, e tinha um foco grande na exploração dos seus ambientes pré-renderizados e, claro, em sobreviver.

Alone In The Dark, de 1992
Alone In The Dark, de 1992

Nessa “nova era”, os jogos do gênero pararam tanto de focar simplesmente no susto em si, em passar o medo de uma forma mais “crua”, através de combate direto e visuais assustadores, para tocar em um aspecto que mexe mais ainda com a mente humana do que o medo mais “simples”: O instinto de sobrevivência.

O Survival Horror é literalmente o que o nome diz: Horror de sobrevivência. Os exemplos mais famosos são nomes que qualquer um que goste do gênero com certeza reconhece, os clássicos Silent Hill e Resident Evil. Nesses games, mais especificamente nos primeiros títulos de cada série, muito além de simplesmente enfrentar as criaturas que te atacam, você precisa sobreviver. Saber quando lutar, e principalmente quando reconhecer que a ameaça é maior do que você e o melhor a se fazer é bater em retirada ou passar no stealth. E claro: saber gerenciar bem os seus recursos.

Saber gerenciar seus recursos e inventário é essencial para não ser obrigado a deixar nada para trás
Saber gerenciar seus recursos e inventário é essencial para não ser obrigado a deixar nada para trás

Armas corpo-a-corpo que quebram após um número pré-determinado de usos, munição escassa (isso quando temos armas de fogo à disposição), itens de cura mais escassos ainda, e um inventário limitado. Todos esses elementos podem ser encontrados em um Survival Horror clássico, e a tensão de ter que levar em conta tudo isso enquanto se explora um ambiente, solucionando puzzles e planejando cuidadosamente onde usar cada recurso, somada ainda a monstros e criaturas sedentos por sangue te perseguindo o tempo todo, é garantia de uma jogatina tensa, atmosférica e de gelar o sangue.

Silent Hill 2 é um dos exemplos mais aclamados do gênero
Silent Hill 2 é um dos exemplos mais aclamados do gênero

Outros jogos que se encaixam no gênero de Survival Horror são Alien: Isolation, um jogo que te coloca contra um Xenomorfo, ou seja, fugir é sua única opção, Fear & Hunger e o clássico Fatal Frame, ambos jogos onde saber cuidar dos seus recursos é extremamente importante. Recentemente, Resident Evil teve um retorno às origens de survival horror, com RE7: Biohazard e RE8: Villagelink outside website servindo como um renascimento da saga, novamente voltado bastante para esse estilo.

Alien: Isolation
Alien: Isolation

Action Horror

Se a regra para os jogos acima era se esconder, ir com calma, pensar bem e fugir sempre que possível, aqui é exatamente o contrário. No começo dos anos 2000, outra tendência começou a aparecer mais frequentemente no cenário dos games de terror, novamente impulsionada pela receptividade absurda de um dos gigantes do meio: Resident Evil 4.

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O novo RE era bem mais puxado para a ação, com várias sequências intensas de combate, e te encorajava a ir mais pra cima, a enfrentar os inimigos ao invés de apenas se esconder e passar despercebido. E assim o gênero do Action Horror foi sendo estabelecido, com essas características aparecendo cada vez mais nos títulos da época.

O terror nesses jogos fica mais por conta da adrenalina de sempre estar sendo perseguido ou em uma sequência de luta, atacado por todos os lados, e menos por conta de uma tensão cuidadosamente construída com o ambiente. O foco na exploração é bem menor, e comparando com qualquer Survival Horror, esses games praticamente jogam munição e recursos na sua cara.

The Evil Within
The Evil Within

Os Resident Evil 4, 5 e 6 se enquadram nesse subgênero, assim como outros jogos como Bioshock, que alguns mal e mal consideram terror, The Evil Within, que teve um começo excelente com o primeiro jogo, e vale muito a pena ser jogado, mas infelizmente deixaram a peteca cair com a continuação, e clássicos como Dead Space, a franquia F.E.A.R. e Left 4 Dead*.

Psychological Horror

Em 2010, outro título mudou completamente o panorama de jogos de terror como conhecíamos. Talvez nem tanto o jogo em si, já que, apesar de ser um jogo excelente dentro de sua proposta, não trazia exatamente nada de tão inovador. Mas o que fez com que Amnesia: The Dark Descent ganhasse seu lugar no hall da fama dos jogos de terror foi sua repercussão.

Nomes que qualquer um que esteja minimamente inserido no mundo de Let’s Plays e gameplays no Youtube já escutou, como PewDiePie, Markiplier ou Jacksepticeye, foram responsáveis por espalhar a palavra desse jogo de forma, com o perdão do trocadilho, assustadora. Cada vídeo de um deles jogando o game por meia hora, tomando sustos teatrais e fazendo piadas com os objetos, chegava a milhões e milhões de visualizações em questão de horas, e teve um efeito duplo: nos fãs, despertou o desejo de jogar ou ver seus youtubers preferidos jogando mais jogos desse estilo, de terror “psicológico”, e, para os devs, mostrou que havia um mercado para jogos mais simples e curtos, feitos de forma independente, com foco nesse tipo de terror.

Com certeza você já viu pelo menos um homem nos seus vinte e tantos anos jogando isso aqui no YouTube e gritando
Com certeza você já viu pelo menos um homem nos seus vinte e tantos anos jogando isso aqui no YouTube e gritando

O subgênero é chamado de terror psicológico pois não se utiliza necessariamente dos artifícios mais comuns para causar medo, como monstros horríveis ou perseguições constantes, e sim tenta trazer esse sentimento através do psicológico dos jogadores. Traumas, medos, ansiedade, paranóias e o subconsciente são temas muito explorados no gênero, e frequentemente o terror presente é usado como metáfora para alguma questão mental ou pessoal dos personagens.

Silent Hill é um excelente exemplo, já que desde o primeiro jogo da série, questões mentais sempre foram temas centrais, e até mesmo no jogo mais recente, Silent Hill f, existe uma forte ambiguidade sobre se tudo aquilo realmente acontece no mundo real ou apenas na cabeça dos personagens. O jogo curto lançado logo antes, Silent Hill: A Short Message, traz suicídio e depressão como os vilões principais, personalizados nos monstros e no terror já clássico da série.

O vilão principal de Silent Hill: A Shot Message, “Sakura Head”, design original de Masahiro Ito para representar esses temas
O vilão principal de Silent Hill: A Shot Message, “Sakura Head”, design original de Masahiro Ito para representar esses temas

E falando em Silent Hill e terror psicológico, não podemos deixar de mencionar outra das bases desse tipo de terror, um jogo tão único e que impressionou tanto as pessoas que o luto pelo seu cancelamento é assunto até os dias de hoje, 12 anos depois. P.T., o Playable Teaser do que seria o Silent Hills, um novo título na série que voltaria com tudo, dirigido por duas lendas vivas, Hideo Kojima e Guillermo Del Toro. Infelizmente, como consequência do divórcio entre Kojima e a Konami, o projeto foi cancelado, retirado das plataformas digitais, e consoles que tenham o teaser baixado e instalado são tratados como relíquias.

Saudade daquilo que a gente nunca viveu…
Saudade daquilo que a gente nunca viveu…

Desde então, inclusive por conta do sucesso que P.T. teve no YouTube, semelhante ao que aconteceu com Amnesia quatro anos antes, muitos jogos tentam recriar a “fórmula” do jogo de terror psicológico com um loop temporal, com vários níveis de sucesso. Vale mencionar Layers of Fear, de 2016, que tem uma atmosfera muito bem construída, visuais impecáveis, mas infelizmente falha no quesito de entregar um terror tão certeiro quanto sua inspiração e deixa a desejar nos sustos, e Visage, de 2020, que já vai por um caminho mais diretamente assustador e acerta em cheio na atmosfera e inimigos semelhantes a P.T., sendo considerado por muitos o mais próximo que jamais teremos do sonhado Silent Hills.

Visage
Visage

Outros títulos que exploram esse tipo de horror extremamente bem são Alan Wake, o relativamente recente Still Wakes the Deep, que mistura terror psicológico com horror cósmico com maestria, Soma, dos mesmos criadores de Amnesia: The Dark Descent, e até mesmo Doki Doki Literature Club. Outro sucesso estrondoso é Outlast, famoso por ser um jogo onde você é totalmente indefeso, e só te resta fugir e se esconder dos muitos, muitos perigos.

O Momento Atual

Para onde vai a tendência agora?

Bom, para falar disso, precisamos voltar de novo até 2014, mas dessa vez para olhar para outro lançamento da época, que fez parte do “boom” de jogos de terror indie no Youtube, mas levou o gênero por outro caminho. Se você é fã de jogos de terror e acompanha os lançamentos e títulos mais populares do gênero, deve ter notado a ausência até aqui de um nome amado por muitos e igualmente odiado: Five Nights At Freddy’s.

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Ame-o ou odeie-o, é impossível negar que FNAF tem seus méritos, e não são poucos. Da história do seu criador, que foi de prestes a desistir do seu sonho de criar jogos para um dos nomes mais famosos do meio indie de terror, até o fato de que a gameplay do primeiro jogo, uma combinação de point-and-click com survival horror, era algo bastante novo, a série deixou seu marco na história do gênero, e, para o bem ou para o mal, influenciou muito duas tendências do horror atual: O gênero de Mascot Horror, com inimigos e personagens basicamente feitos para se tornarem “mascotes” dos jogos, numa tentativa de emular o que aconteceu organicamente com FNAF, e os jogos com histórias escondidas que incentivam a rejogabilidade e exploração.

Atualmente, um dos males que a popularização do Youtube e dos gameplays trouxe é o fato de alguns devs focarem mais em fazer seus jogos atraentes para espectadores ou para Youtubers de “teorias sobre jogos” do que realmente divertidos de jogar, e como resultado, encontrar os títulos bons em meio a tantos outros feitos primeiro para vender pelúcia para crianças e segundo para ser um bom jogo tem se tornado mais e mais difícil. Mas eles ainda estão aí!

O já mencionado anteriormente Still Wakes the Deep de 2024 é um excelente exemplo, assim como Mouthwashing, do mesmo ano (é só ignorar a fanbase, prometo que o jogo em si é muito bom) que constrói uma atmosfera impecável por meio do storytelling não-linear e te deixa verdadeiramente desesperado com os personagens.

No, I’m Not a Human
No, I’m Not a Human

No, I’m Not a Human de 2025, é um jogo que executa perfeitamente bem a ideia de vários finais secretos, opções, ações que influenciam toda a gameplay e a necessidade de re-jogar várias e várias vezes, toda vez vivendo uma história levemente diferente, se você quiser descobrir cada detalhezinho para depois poder teorizar sobre. Já Crow Country, de 2024, é um jogo com um visual charmoso e uma atmosfera sombria, trazendo um clima perfeito de survival horror cheio de puzzles e mistérios a serem desvendados.

Mas e as grandes franquias?

Se no lado dos indies tem jogo novo sendo lançado todo dia, do lado dos AAAs é um pouco diferente. Ainda existem alguns jogos novos sendo anunciados e lançados, claro, como REANIMAL, dos mesmos Devs de LIttle Nightmares, o sucessor espiritual do Soma, da Frictional Games, Ontos, e o aguardadíssimo OD, do Kojima, mas muito do que está fazendo sucesso e sendo anunciado atualmente é a boa e velha nostalgia.

REANIMAL
REANIMAL

Resident Evil e Silent Hill já têm um bom número de remakes, e os próximos estão sendo confirmados aos montes. O Remake de Fatal Frame 2: Crimson Butterfly, lançado recentemente em março desse ano, era um dos jogos mais aguardados pelos fãs de terror, e também nessa lista estão nomes já conhecidos, como o jogo de Hellraiser, uma franquia aclamada, o novo Resident Evil 9: Requiem e Silent Hill: Townfall. Aqui que entra novamente o remake de 2024 de Alone in the Dark também. E, em sua grande maioria, os remakes não têm desapontado, agradando os fãs que sempre sonharam em viver as mesmas histórias, mas com gráficos atuais.

E você, qual é seu tipo preferido de jogo de terror? Ficou faltando mencionar algum aqui? Conta para a gente nos comentários!

Obrigada pela leitura, e até a próxima!

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