Jogos de corrida são um tipo de game de nicho, mas que fazem parte da história dos games de uma forma que muita gente nem imagina. Seja por inovações que surgiam em games de corrida e que depois influenciaram outros jogos, ou como eles influenciam a cultura pop até hoje.
Desde o primeiro jogo, Gran Trak 10, até o mais moderno F1 2026, sendo um fã do gênero ou não, é inegável que os jogos de corrida são parte da história dos games. E é de dez jogos que marcaram suas épocas que vamos falar hoje. Veja nossa lista e, se ficar com dúvidas, é só deixar um comentário.
Pole Position
Pole Position hoje pode parecer muito básico, mas em 1982 aquilo parecia algo de outro planeta. Lançado pela Namco nos arcades, o game colocava o jogador dentro de uma Fórmula 1 em uma visão traseira pseudo-3D que impressionava bastante para a época.

Antes da corrida principal, você precisava fazer uma volta classificatória contra o relógio e só depois encarava os outros carros na pista. Parece básico hoje em dia, mas várias dessas ideias simplesmente não existiam daquela forma nos videogames até então.
Outro detalhe interessante: a animação Pole Position de 1984, que tem aquela música marcante com sintetizadores na abertura, é baseada no jogo! E, por mais que não pareça, o desenho fala de espiões e agentes secretos, carros com computadores inteligentes e falantes. A inspiração inicial do desenho era, sim, o jogo da Namco.
Out Run
Out Run levava o jogador por um passeio de Ferrari por Malibu ao som de músicas ao estilo surf music. Lançado pela Sega em 1986 e desenvolvido por Yu Suzuki, o jogo colocava você dirigindo uma Ferrari Testarossa por praias, montanhas, desertos e estradas enormes, enquanto escolhia diferentes caminhos até chegar ao final da viagem.

E aí entra uma das coisas mais importantes dele: a sensação. Out Run não queria ser um simulador realista nem uma corrida fechada em circuito. Ele queria transmitir velocidade, liberdade e estilo. Você tinha que tentar chegar ao final do trajeto antes do tempo acabar.
A trilha sonora composta por Hiroshi "Hiro" Kawaguchi, os gráficos absurdos para a época e até o gabinete com movimento hidráulico ajudavam a transformar aquilo quase em uma atração de parque de diversões. Não por acaso, o jogo se tornou um dos maiores sucessos da Sega nos arcades.
F-Zero
Quando o Super Nintendo chegou ao mercado, F-Zero era um daqueles jogos que faziam as pessoas pararem na frente da TV só para entender o que estavam vendo. Lançado em 1990 pela Nintendo, o game apostava em corridas futuristas com veículos voadores em velocidades absurdas para a época.

O uso do famoso “Mode 7” criava uma sensação de profundidade e movimentação que parecia muito avançada dentro de um console doméstico. E isso fazia diferença. F-Zero tinha pistas difíceis, curvas agressivas e uma velocidade que exigia reação rápida o tempo inteiro.
O único problema de F-Zero na época foi a impossibilidade de fazer um modo de dois jogadores. A velocidade dos gráficos, as pistas, a necessidade de um processamento intenso e as limitações do cartucho foram o calcanhar de Aquiles do game, que só não ficou mais famoso por causa disso.
Super Mario Kart
A limitação de dois jogadores de F-Zero foi o responsável direto pela criação de Super Mario Kart, um dos jogos mais importantes do Super Nintendo, lançado em 1992. Inicialmente, um protótipo de F-Zero com dois jogadores, durante o desenvolvimento, colocaram o Mario na tela para teste, e o negócio ficou ainda melhor do que esperavam.

Então, os desenvolvedores Shigeru Miyamoto, Hideki Konno e a equipe resolveram misturar corrida com itens, personagens carismáticos, multiplayer caótico e uma pegada muito mais divertida e imprevisível. E funcionou extremamente bem. O jogo transformava uma simples corrida em uma guerra de cascos, bananas e estrelas enquanto dois amigos gritavam um com o outro na frente da TV.
Além disso, o modo batalha se tornou praticamente uma febre entre jogadores da época. Super Mario Kart não só criou o subgênero de kart racing como também mostrou que corrida podia ser divertida mesmo para quem não gostava muito de carros.
Ayrton Senna's Super Monaco GP II
No Brasil, Ayrton Senna's Super Monaco GP II se tornou muito mais do que apenas um jogo de Fórmula 1. Lançado pela Sega em 1992 para o Mega Drive, o game carregava o nome do maior ídolo do automobilismo brasileiro, e isso sozinho já chamava a atenção.

Mas o jogo também impressionava pela sensação de velocidade, pelos circuitos inspirados na temporada de 1991 e pelo envolvimento direto do próprio Senna durante o desenvolvimento, com dicas dele e com a voz digitalizada do piloto.
Senna chegou a sugerir mudanças para melhorar o realismo das curvas e da dirigibilidade, indicando, por exemplo, como dirigir na “zebrinha” afetava a velocidade do carro. Na época, aquilo fazia o jogo parecer ainda mais especial.
Além do campeonato principal, o modo “Senna GP” trazia pistas inéditas desenhadas pelo piloto, algo que ajudou a transformar o game em um dos maiores sucessos de corrida do Mega Drive e um dos jogos mais relevantes com destaque para brasileiros.
Need for Speed
A franquia Need for Speed mudou tantas vezes ao longo dos anos que praticamente se tornou várias séries diferentes dentro de uma só. O primeiro jogo apareceu em 1994, focado em supercarros e corridas mais sofisticadas, mas foi nos anos 2000 que a franquia explodiu de vez com Underground, Most Wanted e outros títulos focados em corridas de rua, tuning e perseguições policiais. E aí estava o grande diferencial da série: o estilo.

Need for Speed transformava corridas ilegais em um espetáculo cheio de neon, música eletrônica, carros tunados e polícia destruindo tudo atrás de você. Mesmo mudando bastante ao longo das gerações, a franquia sempre conseguiu manter essa sensação de velocidade exagerada e ação cinematográfica.
Não à toa, tornou-se uma das séries de corrida mais vendidas da história dos videogames e até virou filme, surfando a onda do sucesso de Velozes e Furiosos (sim, Need for Speed veio primeiro, mas ele não tinha essa “vibe” de Velozes e Furiosos que conhecemos hoje).
Gran Turismo
Gran Turismo apareceu no PlayStation em 1997, praticamente dizendo: “corrida também pode ser levada a sério nos consoles”. Enquanto muitos jogos apostavam em arcade puro, o título da Polyphony Digital queria simular a sensação real de dirigir carros licenciados em pistas inspiradas no automobilismo profissional.

E isso impressionou muita gente na época. O jogo exigia até licenças antes de liberar determinadas competições, algo que fazia tudo parecer muito mais próximo de um simulador de verdade. Além disso, os gráficos e a física estavam em um nível impressionante para o primeiro PlayStation.
A proposta não era apenas correr e ser o mais rápido; havia toda uma preparação técnica, com aspectos como a gasolina interferindo no peso do carro. Gran Turismo acabou se tornando referência para praticamente todos os simuladores posteriores e ajudou a consolidar a ideia de que jogos de corrida poderiam ser tão técnicos e detalhados quanto qualquer outro grande gênero da indústria.
Burnout 3: Takedown
Burnout 3 não queria saber de corrida como os outros. O objetivo ali eram velocidades absurdas, batidas e, quanto mais destruição, melhor! Tudo o que os outros jogos tratavam como erros, para Burnout era pontuação extra. Lançado em 2004 pela Criterion Games, o jogo pegou a fórmula arcade tradicional e transformou cada corrida em um caos completo, cheio de colisões violentas e carros sendo destruídos na pista.

A mecânica de “Takedown”, que exigia bater nos adversários agressivamente durante as corridas, tornou-se a alma do jogo. E isso deixava tudo muito mais divertido. Além das corridas normais, o famoso modo Crash praticamente transformava acidentes de trânsito em vantagem durante a corrida.
Burnout 3 se tornou um dos jogos de corrida arcade mais elogiados da geração PlayStation 2 justamente porque entendia perfeitamente o que queria ser: rápido, exagerado e extremamente divertido. Ele não tentava ser um simulador. Você corria, batia e chegava ao final. Simples assim.
The Crew
Quando The Crew apareceu em 2014, uma das coisas que mais chamava a atenção era o tamanho do mapa. A Ubisoft basicamente pegou os Estados Unidos e transformou tudo em um enorme mundo aberto para corridas, viagens e exploração online. E isso criava uma sensação muito diferente dos jogos tradicionais do gênero.

Você podia simplesmente sair dirigindo entre cidades, desertos, estradas e montanhas enquanto encontrava desafios ou outros jogadores pelo caminho. Claro, o jogo teve problemas técnicos, e muita gente criticou a necessidade de conexão constante, mas, ainda assim, ele conseguiu marcar aquele começo de geração do PS4 e Xbox One.
Porém, The Crew entra na lista não por sua qualidade técnica ou gráfica, mas sim pelo fato de ter sido um dos jogos que escancarou como as empresas tratam a questão da propriedade dos jogos. Quando a Ubisoft desligou oficialmente os servidores em 2024, o jogo deixou de funcionar até para quem comprou legalmente.
O jogo dependia tanto da infraestrutura online que praticamente morreu por completo. Isso gerou uma reação enorme da comunidade e ajudou a transformar o caso no exemplo mais famoso do movimento Stop Killing Games.
Clássicos do Arcade
Historicamente conhecido como o primeiro jogo de corrida, Gran Trak 10 é um game de corrida arcade lançado em 1974 pela Atari. É amplamente reconhecido como o primeiro do gênero em arcade. Ele tinha visão aérea e controles analógicos que simulavam um carro real, marcando um avanço técnico e de design na indústria dos games ao tentar recriar a sensação de dirigir com volantes e pedais.

Speed Race é um jogo eletrônico de corrida lançado em 1974 pela Taito, considerado um dos primeiros títulos de corrida em arcade. Foi projetado por Tomohiro Nishikado, também criador de Space Invaders. Ele foi pioneiro ao usar rolagem vertical contínua para simular movimento e velocidade. Também apresentou uma sensação de aceleração dinâmica, já que a velocidade aumenta progressivamente, exigindo reflexos rápidos.
Nos anos 1990, os fliperamas viveram uma verdadeira febre de jogos de corrida, com máquinas enormes coladas umas ao lado das outras, volantes, pedais, câmbio de marchas e gráficos impressionantes para a época, que ajudavam a lotar os arcades. Entre os maiores símbolos dessa era estão Daytona USA e Cruis'n USA.
Daytona USA se tornou um dos maiores sucessos da Sega nos fliperamas graças aos gráficos 3D avançados, à sensação absurda de velocidade e ao multiplayer competitivo, que transformava qualquer partida em disputa séria entre amigos. Além disso, a trilha sonora exagerada e o estilo arcade rápido ajudaram o jogo a se tornar um dos títulos mais lembrados da história dos arcades.

Já Cruis'n USA apostava numa proposta diferente, colocando os jogadores em viagens cheias de exagero por cidades, desertos e pontos turísticos dos Estados Unidos. O jogo ficou conhecido pelo clima de road trip, pelas pistas longas e pelo visual chamativo, que ajudou a transformar o título em uma das vitrines mais famosas do início da era Nintendo 64.
Mesmo seguindo caminhos diferentes, esses jogos ajudaram a definir a era de ouro dos jogos de corrida nos fliperamas e marcaram uma geração inteira de jogadores.










— Comentarios 0
, Reacciones 1
Se el primero en comentar