Desde o início dos videogames, os jogadores buscam formas de driblar o código, tornar o jogo mais fácil ou descobrir coisas que não deveriam ou, o mais comum dos casos, jogar sem possuir o jogo (hoje em dia estamos pagando e não temos mais a posse do jogo, mas é uma conversa para outra hora).
Essa eterna luta entre desenvolvedores e empresas contra jogadores e piratas já teve momentos calmos e produtivos (como quando a Steam era uma alternativa melhor e mais eficaz do que a pirataria), momentos complicados com processos na justiça ou, o mais legal de todos, momentos em que as empresas decidem trolar os piratas ou jogadores espertões.
E é desses momentos que vamos falar. Vamos falar de dez medidas que os jogos implementaram para barrar pirataria ou trapaças de formas mais criativas do que simplesmente impedir o jogo de rodar no console ou PC e, se você tiver dúvidas, é só deixar um comentário.
EarthBound (SNES, 1994)
EarthBound, ou Mother como é conhecido no Japão, é um dos mais famosos RPGs do Super Nintendo e segue um menino chamado Ness, um garoto de Onett, e seus amigos Paula, Jeff e Poo. Depois que um meteoro cai perto de sua casa, Ness descobre que precisa coletar oito melodias mágicas para enfrentar o alien Giygas, uma entidade que corrompe seu mundo. O jogo tem um tom que combina humor surreal com referências à cultura pop e os desafios dos RPG tradicionais, com batalhas por turno, por exemplo. Mas o título tem suas proteções contra pirataria.

Se a ROM do game roda em um console PAL (configuração tradicional de consoles da Europa, Oceania e partes da África/Ásia) ou com memória SRAM extra, o jogo exibe uma tela de bloqueio. Essas proteções foram criadas porque o game foi feito para rodar em configurações específicas que são compatíveis apenas com os consoles NTSC e não foi planejado para o PAL, o que desconfiguraria o jogo por diferenças no frame rate e quebraria scripts.
Mas, se alguém contornasse essas barreiras, o jogo aumentava o número de inimigos na tela, o que o deixava frustrante e, antes da luta final contra Giygas, o jogo travava e, quando você recarregava o save, ele apagava todos os dados. Ou seja, rodá-lo no console errado ou pirata o deixava ainda mais difícil e, se por acaso você fosse bom o bastante para chegar ao final, perdia tudo antes da luta final.
The Sims 4 (PC/PS4/Xbox One, 2014)
The Sims 4 é um simulador de vida em que você cria e controla um Sim ou uma família. Você define suas rotinas, carreiras e relacionamentos tudo do jeito que quer. Sem uma narrativa fixa, o jogo permite que cada jogador construa sua própria vida digital, sua casa, sua história sem restrições de gênero para relacionamentos, por exemplo, fazendo o que quiser da forma que quiser.
Hoje, o jogo é gratuito, sendo cobradas apenas as expansões e DLC (o que resulta em um dos games mais caros da Steam se você quiser ter tudo), mas, no lançamento, cópias piratas sofriam com um problema que deixava o game injogável. Aquele pixelado que censura as partes íntimas dos Sims quando eles tomam banho ou trocam de roupa se expandia até cobrir toda a tela! O que tornava a experiência impossível de se ver e jogar, já que tudo ficava pixelado.
Muitos piratas relatavam o problema em fóruns oficiais pensando que era um bug, mas, para diversão dos usuários e surpresa dos piratas, os moderadores da EA diziam que era uma medida contra a pirataria, deixando o infrator sem saber o que fazer após confessar que pirateou o jogo.
Batman: Arkham Asylum (PC/PS3/Xbox 360, 2009)
Um dos melhores games de heróis já feitos. Batman: Arkham Asylum e Marvel’s Spider-Man são exemplos do que se deve fazer quando alguém quer criar um game baseado em super-heróis de quadrinhos. Neste game, o Cavaleiro das Trevas é preso no Asilo Arkham depois que o Coringa toma o controle do manicômio e faz os médicos de reféns. Preso com vários vilões da sua galeria, Batman tem que impedir o Coringa enquanto espanca todo e qualquer capanga de Gotham que aparecer na sua frente. O jogo mistura combate, furtividade e quebra-cabeças dignos do maior detetive de todos os tempos.

Mas para resolver esses puzzles, você tinha que usar as várias ferramentas do herói, como o Batarangue, visão de radar e a batcorda, que ele usa para alcançar locais altos, se lançar no ar e planar. Sem ela, você simplesmente travava no game, e era exatamente isso que acontecia em versões piratas. A batcorda, essencial para planar entre plataformas, deixava de funcionar e sumia. O herói não conseguia escalar paredes, atravessar buracos, o que impedia o avanço na campanha. Usuários que reclamaram nos fóruns oficiais, assim como com The Sims 4, se denunciaram como piratas.
Spyro: Year of the Dragon (PlayStation, 2000)
A terceira aventura de Spyro começa quando ladrões invadem o mundo dos dragões e roubam 150 ovos. Nosso dragãozinho roxo viaja por vários mundos para recuperar os ovos e enfrentar o responsável pelos roubos. Além de Spyro, o game apresenta alguns novos aliados jogáveis como Sheila (canguru) e Sergeant Byrd (pássaro com foguetes) e mistura fases de plataforma e minigames.

Agora, para enfrentar a pirataria, a Insomniac decidiu que faria o pirata se arrepender. Se o jogo detectasse alguma coisa adulterada, a campanha começava normal, mas várias coisas aconteciam ao longo do game para sabotar o progresso: ovos e gemas desapareciam do inventário, portais teletransportavam o jogador para lugares errados, a versão europeia mudava de idioma aleatoriamente e o jogo travava de tempos em tempos.
Se o pirata ainda assim chegasse até o chefe final, o jogo apagava o save e já era. Um artigo da revista Game Developer, escrito por um dos programadores do game, Gavin Dodd, explicava que as checagens adicionais “corrompiam saves por causa dos callbacks”. Resumindo, cada vez que o jogo checava o número de ovos, gemas e outras coisas e via diferenças que, normalmente, não seriam possíveis, provocava bugs e forçava o fechamento.
Game Dev Tycoon (PC/Android/iOS, 2013)
Lançado em 2013, você inicia um pequeno estúdio de desenvolvimento de jogos na década de 1980 e tem que gerenciar funcionários, pesquisar tecnologias e desenvolver franquias ao longo dos próximos 25 a 35 anos da fictícia história da indústria dos jogos. Trabalhar seu marketing, melhorar gráficos e aprimorar a jogabilidade, tudo influencia o sucesso ou fracasso dos jogos que você lança.

Sabendo que seu simulador seria pirateado, os criadores liberaram em sites de torrents um executável crackeado do jogo. No começo, tudo funciona normalmente e você pode jogar e criar seus jogos, fazer suas estratégias e marketing. E então, de uma hora para outra, seus devs te avisam que o seu jogo está vendendo mal e uma mensagem aparece dizendo que os jogadores estão “baixando uma cópia crackeada do seu jogo” e ninguém mais compra ele.
E se ninguém compra os seus jogos, seu estúdio vai à falência. A receita diminui até que a empresa fecha e não tem como você vencer. Isso faz com que os jogadores vejam os efeitos da pirataria e como isso prejudica os estúdios em primeira mão.
Banjo-Kazooie (Nintendo 64, 1998)
Banjo-Kazooie é um daqueles games do Nintendo 64 que seguiram a fórmula de sucesso do Super Mario 64. Assim como vários outros, repetiram controles, câmeras, movimentação e estilo que deu muito certo no console de 64 bits da Big N. Nesse game, um urso e um pássaro, Banjo e Kazooie, têm que salvar a irmã do urso que foi sequestrada pela bruxa Gruntilda, que quer roubar sua beleza.

Aqui o negócio é uma punição criativa para quem quer se aproveitar de códigos e fazer quebrar o game com combinações de passwords que deixariam o personagem invencível. Esses códigos dão vidas infinitas, abrem passagens, dão invencibilidade, mas só dois podem ser usados por vez. Se você tenta usar mais um, a bruxa Gruntilda vai te avisar: “Se você tentar esses cheats outra vez, eu vou deletar seu save.” Se você insistir, ela te avisa mais uma vez. E, na terceira, ela deleta mesmo!
No remake do Xbox, usar esses cheats desabilita as conquistas e impede você de salvar o jogo. Mas, se um dia você perdeu seu save aqui, não se esqueça: não foi por falta de aviso.
Fable (Xbox/PC, 2004)
Fable é uma das franquias que está voltando após ficar anos na geladeira. Exclusivo do Xbox, Fable 1 acompanha um jovem que vê sua vila sendo queimada e sua irmã sequestrada por bandidos. Sendo salvo por um estranho herói, você é levado à guilda dos Heróis e treinado como aventureiro. Agora, você pode ir em busca de sua irmã ou de vingança pelos responsáveis pelo ataque à sua vila e se tornar um herói ou vilão reconhecido mundialmente.

Aqui, o jogo te fala sobre um poderoso item: uma frigideira. Você inicia a sua quest quando encontra uma pista sobre esse item e deve ir seguindo as pistas para, no fim, encontrar a frigideira, que é uma das melhores armas do jogo, com cinco slots de melhoria e sendo uma arma de uma mão. Agora, se você vai na internet e resolve descobrir o lugar onde ela está sem seguir as pistas, então a frigideira passa a ser uma arma de duas mãos, com zero de dano e sem nenhum slot de upgrade.
Nesse caso, se você quer economizar um tempo na quest, é mais fácil olhar na internet onde estão as pistas e ir atrás delas.
Pokémon Black e White (Nintendo DS, 2010/2011)
Este jogo nos leva para a região de Unova, onde conhecemos um novo treinador em busca de se tornar um mestre Pokémon. Vamos enfrentar os tradicionais oito ginásios, um time de bandidos que é contra a captura de pokémons, o Team Plasma, e capturar e colecionar todos os novos 156 pokémons que a região apresenta.

No game, a Nintendo colocou um sistema de checagem através do infravermelho do console de tempos em tempos. Se essa checagem detecta que o jogo não está rodando em um console legítimo, os pokémons param de ganhar experiência após as batalhas e o jogo crasha de tempos em tempos. É até possível jogar, mas você vai ter uma boa dificuldade de vencer as batalhas sem seus pokémons evoluírem ou ficarem mais fortes.
Mirror’s Edge (PC/PS3/Xbox 360, 2008)
Mirror’s Edge conta a história da courier Faith. Ela vive em uma cidade futurista e corre por prédios e telhados para suas entregas, até que, um dia, sua irmã é acusada de cometer um assassinato. Faith começa a investigar o que está acontecendo e descobre uma conspiração muito maior do que o que esperava. O jogo é focado no parkour e em suas mecânicas de corrida e salto. E, sem correr ou pular, é impossível jogar.
E é exatamente isso que o sistema de antipirataria do jogo atacou. Se o jogo fosse pirateado, Faith vinha correndo, mas, quando chegava perto de uma borda que o jogador precisava pular, ela simplesmente desacelerava e começava a andar, tornando a experiência impossível de jogar, já que, sem os pulos e sem as corridas, você não fazia nada. Claro que, depois de um tempo, os hackers descobriram como desativar isso, mas, por um tempo, quem queria jogar Mirror’s Edge ou comprava ou esperava.
Serious Sam 3: BFE (PC/Console, 2011)
Com o sarcasmo e humor ácido típico da série, Serious Sam 3 traz uma história de viagem no tempo para impedir uma invasão alienígena à Terra. São hordas de monstros e tiroteio frenético em primeira pessoa, além de algumas tiradas irônicas do protagonista Sam Stone.
Este jogo não deixa você jogar caso ele detecte que está rodando uma cópia pirata. Se você rodar o game pirata, um tipo de escorpião com suas metralhadoras rápido e letal aparece e te persegue até te matar. Não há modo de vencer a criatura: ela tem ataques rápidos e potentes tanto de longo quanto de curto alcance e, uma hora, você vai se frustrar e largar o game.
Imagine os piratas no fórum oficial do game perguntando como fazer para derrotar o escorpião e ouvindo respostas como “é só comprar o jogo”, “só não jogar o jogo pirata” ou outras coisas do tipo. E o pior, o cara jurando que não é pirata e que estão acusando ele injustamente. Deve ter sido divertido estar nesses fóruns na época.









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